Jesus fez o essencial com um copo de vinho e um pedaço de pão

Coluna de orientação catequética aos cuidados de Rachel Lemos Abdalla

Campinas, (Zenit.org) Rachel Lemos Abdalla | 902 visitas

O homem precisa do alimento que sacia o corpo e o espírito.

Jesus, ao chamar seus discípulos e preparar com eles uma ceia, estava oferecendo-lhes aquilo que o homem precisa para viver: o alimento, juntamente com a comunhão e o amor entre os irmãos. Um copo de vinho e um pedaço de pão são a essência da subsistência da vida, por isso, Ele se fez Pão para a vida eterna, e o vinho, já nas Bodas de Caná, Ele ofereceu como o sinal do Seu amor gratuito por todos, concretizado ao derramar o Seu sangue na Cruz.

Santo Agostinho imagina ouvir Cristo dizer: "Eu Sou o pão dos fortes; cresce e comer-Me-ás. Não Me transformarás em ti como ao alimento da tua carne, mas mudar-te-ás em Mim"[1]. Com efeito, não é o alimento eucarístico que se transforma em nós, mas somos nós que acabamos misteriosamente mudados por ele. Cristo alimenta-nos, unindo-nos a Si;[2] "atrai-nos para dentro de Si".[3]

Assim como Santo Agostinho, as crianças também precisam crescer para receber o Pão vivo, o Pão dos fortes! Mas, antes, é preciso que elas valorizem a importância e respeitem o alimento do corpo, que também é sagrado, aquele que recupera as forças para a caminhada neste mundo. Sentar-se à mesa para uma refeição é um sinal de comunhão e partilha, um costume que precisa ser praticado principalmente dentro da família, pois é um momento sublime de ação de graças a Deus pela criação, pela natureza, pela terra e pelas mãos do homem que propiciaram o plantio, a colheita e o preparo do alimento que está ali à frente para ser servido. Assim, aprendendo a riqueza de valores que existe por trás do alimento, elas estarão se preparando para quando tiverem a fome e o entendimento da Verdade que está presente no Pão eterno, a Eucaristia, 'o pão verdadeiro que é comido e não consumido, que dá força sem perdê-la'[4], pois 'unidas a Jesus, serão o pão repartido para a vida do mundo'.[5]

Cristo, ao Se fazer alimento, oferece o Seu Amor aos homens para que, unidos a Ele, sejam saciados e 'anunciem aos outros a verdade das palavras com que Se despediu dos seus discípulos: "Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos" (Mt28, 20)'.[6]

Será que as crianças sabem que o alimento é um sinal do amor? Deus, ao criar o mundo, pensou em tudo que o homem iria precisar para sobreviver e deu-lhe de presente a natureza para que ele cultivasse a terra e tirasse dela a sua subsistência. Por isso, é preciso ensinar os pequenos esse detalhe que é tão importante e vital para a vida de todos, principalmente por ser um presente e um sinal do amor de Deus. Da mesma forma, Cristo, por amor a nós, Se faz alimento para a nossa salvação, na Eucaristia, que é o Pão dos céus que fortalece a nossa fé e o nosso espírito.

*Rachel Lemos Abdalla é Fundadora e Presidente da Associação Católica Pequeninos do Senhor; Coordenadora da Catequese da Família da Paróquia Nossa Senhora das Dores em Campinas; e é membro da 'Equipe de Trabalho' do 'Ambiente Virtual de Formação' da Arquidiocese de Campinas, São Paulo – Brasil.

Site: www.pequeninosdosenhor.org

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[1] Confissões 7, 10, 16: PL 32, 742.

[2] Exortação Apostólica Pós Sinodal Sacramentum Caritatis, 70

[3] Bento XVI,Homilia na Esplanada de Marienfeld(21 de Agosto de 2005):AAS 97 (2005), 892; cf.Homilia nas primeiras Vésperas de Pentecostes (3 de Junho de 2006):AAS98 (2006), 505.

[4] Santo Tomás de Aquino – Summa Theologiae IIIa. Pars Qs. 79-80 - Sermão sobre o Corpo do Senhor - 28

[5] Exortação Apostólica Pós Sinodal Sacramentum Caritatis, 88

[6] Exortação Apostólica Pós Sinodal Sacramentum Caritatis, 97