Jornal vaticano informa sobre obra humanitária da Igreja em Cuba

Após a carta de protesto de dissidentes políticos enviada ao Papa

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CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 25 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - L'Osservatore Romano, o jornal diário da Santa Sé, registra novamente, na edição italiana de amanhã, a obra humanitária que a Igreja está realizando em Cuba a favor dos prisioneiros políticos.

O jornal recolheu o anúncio de ontem, feito pela arquidiocese de La Habana, em uma nota oficial segundo a qual, "em continuidade com o processo de libertação de prisioneiros, informa-se que outros 6 serão libertados em breve".

A nota do jornal vaticano surgiu depois de que dissidentes enviaram uma carta ao Papa para protestar pela obra de mediação realizada pela Igreja em Cuba a favor dos presos políticos, por petição do grupo de familiares conhecido como Damas de Branco.

Os signatários criticaram a postura da Igreja, alegando que as libertações são a "solução da expatriação". Para eles, a mediação deveria basear-se nas ideias dos grupos de dissidência interna e do exílio que, há mais de 20 anos, dizem estar lutando pelo restabelecimento da democracia.

No entanto, a arquidiocese de La Habana esclareceu que "a ação da Igreja foi a favor da dignidade de todos os cubanos e da harmonia social de Cuba", e não em seguimento de tendências políticas.

Segundo o Pe. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, "a Santa Sé acompanha e apoia a Igreja local com sua solidariedade espiritual e sua autoridade internacional".

Os 6 prisioneiros libertados são Víctor Arroyo Carmona, membro diretivo do Movimiento Todos Unidos, condenado a 26 anos de cadeia; Leonel Grave de Peralta Almenares, bibliotecário independente, sentenciado a 20 anos; Próspero Gainza Agüero, delegado do Movimiento de Resistencia Cívica; Pedro Luis Boitell, com uma pena de 25 anos; e Claro Sánchez Altarriba, jornalista independente, condenado também a 20 anos.

No grupo também se encontram os membros do Movimiento Cristiano de Liberación - do dissidente Oswaldo Payá - Alexis Rodríguez Fernández e Alfredo Domínguez Batista, sentenciados a penas de 15 e 14 anos, respectivamente.

Segundo explica o arcebispado de La Habana, "dessa maneira são 32 os prisioneiros que aceitaram a proposta de sair da prisão e mudar para a Espanha".