Jornalismo religioso sem conclusões sumárias

Diretor da Editora Vaticana propõe mais formação profissional

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Sergio Mora

ROMA, terça-feira, 31 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) - Editoras, mídia e religião é o livro do pe. Giuseppe Costa, diretor da Livraria Editora Vaticana, lançado em 2009 e reapresentado em 27 de janeiro na Sexta-Feira da Propaganda: Temas e Autores, evento realizado na Livraria Internacional Paulo VI, em Roma.

O debate sobre jornalismo e publicação religiosa foi animado por profissionais do setor: Giovanna Chirri, da agência Ansa, Salvatore Mazza, do jornal Avvenire, e Enzo Romeo, diretor do telejornal da RAI 2. A moderadora foi Neria De Giovanni.

Giovanna Chirri criticou a pressa de alguns jornalistas que sequer lêem o que “copiam e colam”. Ela mencionou a falta de estagiários nas redações e a dificuldade com muitos “supergraduados” que conhecem várias línguas, mas não sabem o que fazer na redação.

Salvatore Mazza destacou a enorme quantidade de notícias que passam pela tela do computador, a ponto de não bastar um dia para ler todas as manchetes. E falou da dificuldade de linguagem, usando palavras como "leigo", que têm um significado na Igreja e outro na linguagem... leiga.

Enzo Romeo lembrou como se chegava nos jornais, ressaltando que antes de se fazer uma especialização era preciso se tornar um jornalista tout court. "Para ir fundo na especialização, você tem que estar apaixonado pelo assunto, senão vira um tecnocrata".

O autor do livro, pe. Giovanni Costa, disse a Zenit que recopilou a experiência de uma vida inteira dedicada ao jornalismo.

"Sempre fiz e ensinei jornalismo religioso. Quando eu era ainda recém-ordenado, fiz teologia pastoral juvenil e comecei a escrever como amador. Me mandaram para fazer jornalismo nos Estados Unidos. Eu sempre fiquei no âmbito da informação religiosa".

"O livro nasceu da percepção de que há um problema comum a todos os meios de comunicação, que é o da linguagem. Qualquer pessoa que lida com informação religiosa tem o dever de conhecer a linguagem e de adaptá-la ao instrumento que usa".

A linguagem "é o problema-chave da informação religiosa. Muitos mal-entendidos e estereótipos existem porque a linguagem não é implementada. E ela significa história, cultura, filosofia, teologia, e assim por diante".

Um caso problemático frequente é o do jornalista leigo destacado da noite para o dia para cobrir religião. Ele deveria “documentar-se, superar essa lacuna. Porque nem mesmo os jornalistas mais preparados vão poder escrever sobre um esporte se não conhecerem as regras. Não é possível usar a linguagem do basquete para o futebol ou para o vôlei. Na religião também é assim, e mais grave, porque os problemas são ainda mais profundos, mais específicos, mais complexos".

O jornalista deve construir sua própria formação. Como? "Através da leitura e do estudo. Existem também lugares para a informação religiosa, espaços institucionais, pessoas com quem discutir temas religiosos, cursos em universidades que preparam os jornalistas. Por exemplo, nas universidades pontifícias existem cursos de formação para jornalistas".

"Os meios existem, mas é preciso ter vontade. Há muita superficialidade, há quem pense que pode fazer a informação religiosa com base em conclusões sumárias".

E antecipou: “Eu tinha preparado um livro sobre os cinquenta anos de jornalismo religiosa na Itália (da Fronteiras da Comunicação). Esse livro será republicado com a colaboração de dois jovens pesquisadores, Merola e Caruso, e vamos apresentá-lo dentro de um mês e meio. O título será Jornalismo religioso: história, método e textos. É uma novidade a ser lançada”.