Jovem, Obama trabalhou em um grupo de paróquias católicas que lhe tocaram o coração

Durante três anos, ele foi organizador comunitário de serviços sociais em Chicago

Madri, (Zenit.org) Ivan de Vargas | 344 visitas

O papa Francisco recebe hoje o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que, no começo da década de 1980, trabalhou como organizador comunitário de serviços sociais em um grupo de paróquias católicas da área de South Side, em Chicago.

“Aqueles três anos foram a melhor educação que eu recebi. Melhor do que na faculdade de Direito de Harvard”, admitiu o presidente norte-americano, que, no livro “Os sonhos do meu pai”, dedica quase três terços do texto a esse período da sua vida.

Para conhecer em primeira mão o que Barack Obama viveu naquele período, podemos recorrer também ao discurso que o presidente em maio de 2009 na Universidade católica de Notre Dame.

Na ocasião, Obama recordou com afeto o tempo em que esteve envolvido em um projeto de assistência social nos bairros pobres de Chicago, financiado por algumas paróquias católicas para contra-atacar os problemas causados pelo desemprego massivo, resultante, por sua vez, do fechamento e das demissões da indústria do aço do sudeste de Chicago na década de 1980. Participavam do projeto também voluntários protestantes e judeus.

Naquele “Projeto de Desenvolvimento de Comunidades de Chicago”, Obama encontrou pessoas acolhedoras e compreensivas. Ele viu no meio delas o “espetáculo das obras boas”, alimentadas por nosso Senhor, e se sentiu “atraído pela ideia de fazer parte da Igreja”. Ele explica que “foi através daquele serviço que eu fui conduzido para Cristo”.

Em suas palavras, ele faz ainda um elogio comovente ao grande cardeal Joseph Bernardin, então bispo de Chicago. Obama o define como um “farol”, amável em seu modo de persuadir e no seu esforço contínuo de “se aproximar das pessoas e encontrar um terreno comum”. Naquela experiência, diz Obama, “as palavras e as obras das pessoas com quem eu trabalhei nas paróquias de Chicago tocaram o meu coração e a minha mente”.

“Ele era idealista quando chegou, mas as ruas de Chicago o deixaram mais prático e realista”, comenta Jerry Kellman, um judeu convertido que foi o responsável por entrevistar o então jovem graduado da prestigiosa “Ivy League” para o trabalho organizado pelas paróquias católicas do sul de Chicago. Obama ganharia um salário de 10.000 dólares por ano.

A tarefa desempenhada ao longo daqueles três anos se transformaria no principal ativo de Obama para demonstrar depois, em sua carreira política, a vocação ao serviço público das classes mais desfavorecidas.

O interesse do líder estadunidense pelas pessoas vitimadas pela desigualdade social é, sem dúvida, um ponto em comum com o primeiro papa que adota o nome do Pobre de Assis.