Junho, o mês do Sagrado Coração de Jesus

O mês de junho é dedicado a este Sagrado Coração porque neste mês se celebra a festa do Coração de Jesus

Crato, (Zenit.org) Vitaliano Mattioli | 1144 visitas

“Vinde a mim  todos vós que estais cansados e aflitos,  e eu vos darei descanso” (Mt., 11, 28).

Jesus pronunciou estas palavras no segundo ano da sua atividade apostolica. Depois do discurso na sinagoga de Cafarnaum sobre a instituição da Eucaristía,  Jesus,  num momento de profundo lirismo, nos abriu o seu coração indicando-o  como nosso refúgio.  Este coração foi aberto logo depois da sua morte: “Um soldado colpeou-lhe o lado com uma lança” (Jo., 19, 34) para nos convidar a entrar e saborear as dolçuras da ternura de Jesus.

A devoção ao Sagrado Coração é muito antiga; iniciou desde o seculo XII. O mês de junho é dedicado a este Sagrado Coração porque neste mês se celebra a festa do Coração de Jesus  (Neste ano é o dia 7). Esta festa já se celebrava em varias diocéses do mundo (p.e. na França desde o ano 1672).  O Papa Pio IX a estendeu para toda a Igreja no dia 23 de agosto do ano 1856. Esta celebração é importante: conduz à essência do cristianismo, à pessoa de Jesus  manifestado  no mistério mais íntimo do seu ser. 

O coração na antiguidade foi sempre considerado como o centro vivo da pessoa, a sede dos sentimentos, dos afetos, do carinho. 

A Sagrada Escritura usou este simbolo para expressar o amor de Deus. Deus tem um coração grande: “Eu te amei com amor eterno, por isso conservei para ti o amor”  (Jer., 31, 3); “Deus é amor. Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao  mundo, para que tenhamos a vida por meio dele”  (I Jo, 4, 8-9). Assim Jesus se transforma em sinal, revelação, a presença entre nos do amor de Deus. 

Deus, enviando o seu Filho, materializou este seu amor. Jesus se apresenta como a “imagem (visível) do Deus invisível” (Col, 1, 15):  “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo., 1, 18). 

Se o coração de Jesus é a manifestação do coração de Deus, para compreender Deus a única solução é entrar neste coração aberto de Jesus  para descubir  a ternura de Deus Pai. Este é o convite que nos já apresentou S. Agostinho: “A entrada é acessível: Cristo é a porta.  Também pra você foi aberta a porta quando o lado de Jesus foi aberto com uma lança... Daqui escolhe para donde você possa entrar” (Discurso 311, 3,3).  

A ferida era a porta, agora aberta, o coração a meta, o santuário recóndito donde encontrar o amor e, por conseguência, oferecer-se a ele. 

Se os Padres da Igreja (Justino, Ireneu, Cipriano, Ambrósio, Agostinho) nos apresentaram o coração de Jesus como a sede da ternura e do carinho de Deus Pai, Orígenes e outros teólogos  (especiamente Pedro Damiani e Pedro Canisio)  nos apresentaram o mesmo Coração como a fonte da verdade e o santuário  da eterna sabedoria. Não por nada  Jesus no Oriente é  chamado de Sofía,  isto é  ‘a sabedoria eterna de Deus’.   

Aproveitando o simbolismo do coração a intenção é prestar o culto à pessoa mesma de Cristo. São João Eudes (1601-1680) foi o primeiro apostolo do culto aos Sagrados corações de Jesus e de Maria.

O convite de Jesus: “Vinde a mim  todos vós que estais cansados e aflitos,  e eu vos darei descanso” manifesta todos os sentimentos de Jesus para conosco.  Jesus compreende a nossa fraqueza e nos convida a  entrar no seu coração, isto é, a recorrer a Ele, fonte de  misericórdia, para encontrar  um refugio tranquilo e seguro. A religião se transforma em um  ato de amor,  num abandono confiado na ternura de Jesus-Deus.  Assim a devoção ao Sagrado Coração de Jesus se manifesta como a raiz e o fundamento das outras devoções. Jesus nos convida a permanecer no seu amor: “Permanecei em mim... Permanecei no meu amor” (Jo., 15, 4 e 9).  Deste modo os dois corações: o nosso e o de Jesus se encontram e o nosso é transformado  no coração de Jesus.

Para celebrar o centenario  desta festa, o Papa Pio XII escreveu uma Carta Encíclica,  Haurietis Aquas (Sobre o culto do Sagrado Coração de Jesus,  15 de maio de 1956).

Nesta o Papa diz: “À vista de tantos males que, hoje como nunca, transformaram profundamente os  individuos, as famílias, as nações e o mundo interiro, encontramos um remédio eficaz no culto augustíssimo do Coração de Jesus,  para  satisfazer  as necessidades atuais da Igreja e do gênero humano” (n. 70). 

O mesmo Pio XII  encorajou  a consagração das famílias ao Sagrado Coração de Jesus. Em um discurso  aos esposos (5 de junho de 1940), Ele assim falou: “Nas revelações plenas de amor... Nosso Senhor prometeu que  ‘onde quer que a imagem deste Coração fôr exposta  para ser honrada, ela alí atrairá toda sorte de bênçãos’. Confiantes na palavra divina, vós podeis portanto  conservar em vossa moradia a imagem do Sagrado Coração com as honras que a Ele são devidas... Cumpre portanto  que a imagem do Coração seja exposta e honrada na vossa casa.  Exposta e honrada: isto quer dizer que esta imagem não deve somente velar sobre vosso repouso, em um quarto privado, mas ter tida lealmente em honra... Em uma palavra, o Sagrado Coração é honrado devidamente  em uma casa,  quando aí é por todos e por cada um reconhecido  como Rei de amor; o que se exprime dizendo que a família foi a Ele consagrada. O Coração de Jesus  se empenhou em colmar de graças especiais aqueles que em total modo se derem a Ele. Mas quem se consagra deve também cumprir  as  obrigações que derivam de tal ato.  Longe portanto dela tudo o que contrastaria o Sagrado  Coração: prazeres perigosos, infidelidades, intemperança, revistas, a licença com a lei moral, qualquer forma de injustiça”. 

Assim o culto ao Sagrado Coração de Jesus  se transforma em uma benção para as famílias.