Juramento do cardeal Bertone como Camerlengo da Santa Romana Igreja

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CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 17 de julho de 2007 (ZENIT.org).- Na presença de Bento XVI, em 7 de julho passado, aconteceu a cerimônia de juramento do novo camerlengo da Santa Romana Igreja, o cardeal Tarcísio Bertone, de 72 anos.



O Papa nomeou o cardeal italiano, que também é seu secretário de Estado, em 4 de abril, como camerlengo, acolhendo a renúncia como tal do cardeal espanhol Eduardo Martínez Somalo por razões de idade: quatro dias antes havia completado 80 anos, momento em que se deve deixar esta responsabilidade.

O camerlengo está à frente da Câmara Apostólica, cuja existência se remonta a mil anos. É como o senado da Igreja, e portanto, todo cardeal é um conselheiro específico do Santo Padre, e este pode consultar assuntos quando desejar, singular ou colegialmente.

É o organismo mais antigo da Cúria Romana. Dele emanam os demais dicastérios.

Em sé vacante tem a autoridade prevista pela Constituição Apostólica «Pastor Bonus» («Sobre a Cúria Romana») e o cardeal camerlengo ajudado por outros membros da Câmara, dispõe de todo o necessário para o bem da Igreja até que seja eleito um novo Sumo Pontífice.

Uma das funções da Câmara Apostólica é garantir o correto desenvolvimento do Conclave de acordo com as normas previstas.

Em contrapartida, em sé plena, quando está presente o Santo Padre, o Papa pode confiar à Câmara Apostólica qualquer tarefa que deseje.

A morte do Romano Pontífice produz desde esse momento a vacância da Sé Apostólica e todos os dirigentes e membros dos dicastérios cessam o seu cargo, salvo o carmerlengo da Igreja Romana e o Penitenciário Maior, que atendem os assuntos ordinários.

Quando está vacante a Sé Apostólica é direito e dever do cardeal camerlengo reclamar a todas as administrações dependentes da Santa Sé as relações sobre seu estado patrimonial e econômico, assim como as informações sobre os assuntos extraordinários que estejam eventualmente em curso, segundo estabelece a Constituição Apostólica «Pastor Bonus».

Da mesma forma, o camerlengo pode e deve pedir à Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé o balanço geral do ano anterior, assim como o orçamento para o ano seguinte.

Está obrigado a submeter esses relatórios e contas ao Colégio de Cardeais (cf. artigo 171).

É esta mesma normativa que estabelece que a Câmara Apostólica – à frente da qual está o cardeal Camerlengo – realiza, sobretudo, as funções que lhe estão assinadas pela lei peculiar sobre a Sé Apostólica vacante, e tal lei é a Constituição Apostólica «Universi Dominici Gregis» de João Paulo II (22 de fevereiro de 1996), na que se expressam as normas sobre a vacância da Sé Apostólica e a eleição do Romano Pontífice.

Entre as funções do camerlengo destaca sua competência, durante tal período, de cuidar e administrar os bens e os direitos temporais da Santa Sé.

Também deve comprovar oficialmente a morte do pontífice, selar seu escritório e apartamento, dispor o concernente à sepultura do pontífice, tomar posse do Palácio Apostólico Vaticano e dos Palácios de Latrão e de Castelgandolfo, exercendo sua custódia e governo.

Por fim, o camerlengo cuida, nesse prazo e em nome e com o consentimento do Colégio dos Cardeais, de tudo o que as circunstâncias aconselhem para a defesa dos direitos da Sé Apostólica e para uma reta administração da mesma.