Justiça impõe a clero do Rio de Janeiro não falar de aborto; depois recua

Notificação ao cardeal Scheid e a Dom Dimas Lara impunha abstenção de «referência político-ideológica»

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RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 27 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- O cardeal do Rio de Janeiro, Dom Eusébio Scheid, e o bispo auxiliar Dom Dimas Lara Barbosa foram notificados essa segunda-feira pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) a orientarem todo o clero a se abster «de qualquer tipo de comentário ou referência político-ideológica».



Nesse mesmo dia 25 de setembro, no entanto, o Colegiado do próprio TRE cassou essa liminar, por cinco votos a um.

A ordem judicial veio à tona no contexto de uma representação apresentada ao Tribunal pela Coligação “Um Rio Para Todos” (PT, PSB e PC do B), integrada pela Deputada Jandira Feghali, relatora do Projeto de Lei 1.135/91, que torna a prática do aborto legal no Brasil durante todos os nove meses de gravidez.

A representação apresentada pela Coligação da Deputada Jandira Feghali, que concorre a uma vaga ao Senado pelo Estado do Rio de Janeiro, acusava a Igreja de produzir um panfleto ofensivo contra ela.

Dom Dimas Lara lamentou «a atitude precipitada da Coligação, com base documental equivocada, que culminou na busca e frustrada tentativa de apreensão, na sede da Arquidiocese, de um material que não é nem de sua autoria nem de sua responsabilidade».

Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, os oficiais de justiça e a advogada da Coligação vistoriaram todas as dependências da sede da Arquidiocese, inclusive o gabinete do cardeal e os gabinetes dos bispos auxiliares. Nenhum material foi encontrado.

Dom Dimas Lara afirmou que a Arquidiocese do Rio de Janeiro «incentiva a participação dos católicos na política e a escolha de candidatos comprometidos com os princípios e valores éticos e cristãos», orientação esta que consta no documento “Voto Consciente”, da referida Arquidiocese.

«É direito do eleitor conhecer seus candidatos e sua atuação. Por outro lado, espera-se de todo candidato a devida transparência em todos os seus atos e propostas», enfatiza o bispo.

Segundo Dom Dimas, a Arquidiocese reafirma, ainda, «o ponto principal do documento: o respeito à vida e à dignidade da pessoa humana desde a concepção até a morte natural».