Laicismo é um «dogmatismo secular, ideologicamente totalitário»

Afirma o articulista Carlos Alberto Di Franco

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SÃO PAULO, segunda-feira, 1 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- Diferentemente da laicidade, que é algo «positivo e justo», o laicismo é um «dogmatismo secular, ideologicamente totalitário», afirma o professor de Ética e doutor em Comunicação Carlos Alberto Di Franco.



O diretor do Master em Jornalismo e articulista do jornal O Estado de S. Paulo – em texto veiculado nesse periódico dia 24 passado – explica que a laicidade «consiste em reconhecer a independência e a autonomia do Estado em relação a qualquer religião ou igreja concreta».

Segundo o comunicador, isso «inclui, como dado essencial, o respeito pela liberdade privada e pública dos cultos das diversas religiões, desde que não atentem contra as leis, a ordem e a moralidade pública».

Já o «laicismo-militante atual é uma 'ideologia', ou seja, uma cosmovisão - um conjunto global de idéias, fechado em si mesmo -, que pretende ser a 'única verdade' racional, a única digna de ser levada em consideração na cultura, na política, na legislação, no ensino, etc.»

De acordo com Di Franco, o laicismo «é um dogmatismo secular, ideologicamente totalitário e fechado em sua 'verdade única', comparável às demais ideologias totalitárias, como o nazismo e o comunismo».

«Tal como as políticas nascidas dessas ideologias abomináveis, o laicismo execra - sem dar audiência ao adversário nem manter respeito por ele - os pensamentos que divergem dos seus 'dogmas', e não hesita em mobilizar a 'Inquisição' de setores da mídia, para achincalhar - sem o menor respeito pelo diálogo - as idéias ou posições que se opõem ao seu dogmatismo.»

«Alegará que são interferências do pensamento religioso ou de igrejas, quando um democrata deveria pensar apenas que são outros modos de pensar de outros cidadãos, que têm tantos direitos como eles; e sem reparar que o seu laicismo-militante, dogmático, já é uma pseudo-religião materialista e secular, como o foram o comunismo e o nazismo», explica.

Pratica-se, então – prossegue Di Franco –, «o terrorismo ideológico, pelo sistema de atacar os que, no exercício do seu direito democrático, pensam e opinam de modo diferente do deles, acusando-os de serem - só por opinarem de outra maneira - intransigentes, tirânicos, ditatoriais (três características das quais o laicismo, na realidade, parece querer a exclusividade)».

Segundo o articulista, «entre uma pessoa de convicções e um fanático existe uma fronteira nítida: o apreço pela liberdade».

«O fanático impõe, fulmina, empenha-se em aliciar. A pessoa de convicções, ao contrário, assenta serenamente em suas idéias.»

«Por isso, a sua convicção não a move a impor, mas a estimula a propor, a expor à livre aceitação dos outros os valores que acredita dignos de serem compartilhados. Sabe que somente uma proposta dirigida à liberdade pode obter uma resposta digna do homem», afirma.

«É preciso, sem dúvida – escreve Di Franco –, desenvolver o senso crítico contra os desvios da intolerância, do fanatismo e de certas manifestações de estelionato religioso tão freqüentes nos dias que correm. Mas não ocultemos os estragos causados pelo fundamentalismo racionalista. A isenção é o outro nome da honestidade intelectual».

«A busca da verdade não enfraquece o afã de liberdade. Ao contrário, é sua mola propulsora, pois a autêntica liberdade é a adesão voluntária à verdade que se impõe a uma inteligência lúcida, aberta e não condicionada por preconceitos ou interesses», afirma.