Lampedusa: um rochedo e um farol aceso pela Igreja, pela Itália e pela Europa

A saudação ao papa feita por dom Francesco Montenegro, arcebispo de Agrigento

Roma, (Zenit.org) | 627 visitas

Reproduzimos o discurso de saudação que dom Francesco Montenegro, arcebispo de Agrigento, fez ao papa Francisco na celebração eucarística realizada no campo esportivo "Arena", da ilha de Lampedusa.

"A minha alma engrandece ao Senhor eo meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador". Amado Santo Padre, confio às palavras de Maria o meu e o nosso sentimento de alegria pelo presente que é a sua presença junto a nós e, através da minha saudação, trago o abraço e o carinho de todos os irmãos e irmãs de Lampedusa, de Linosa e de toda a diocese de Agrigento. Seja bem-vindo entre nós! Nós sentimos que, hoje, através da sua pessoa, é o "Senhor quem visita o seu povo".

Nos últimos anos, esta ilha se tornou sinônimo de outras palavras: desembarques, clandestinos, imigrantes, emergência, morte, esperança. A sua presença hoje nos convida a uma leitura mais profunda destes fenômenos. Nós sentimos que nosso Senhor quer escrever páginas da história à sua maneira. Nesta ilha, revivem-se as páginas do Êxodo: a escravidão, a passagem pelo mar, a travessia do deserto, a terra prometida, o sonho da liberdade.

Esta ilha é ao mesmo tempo um rochedo e um farol. É o rochedo ao qual os últimos da história se agarram desesperadamente para conseguir uma vida melhor. Para muitos deles, infelizmente, Lampedusa se tornou um túmulo. Mas Lampedusa é também farol, farol aceso por toda a Igreja, pela Itália, pela Europa. Lampedusa relembra a todos que existem demandas de justiça e de dignidade que não podem ser apagadas. Esta ilha é uma lâmpada que permanece acesa para alertar que não devemos mais pensar somente em emergência ou em simples acolhimento, gestos de que o povo de Lampedusa e de Linosa têm sido nobres testemunhas, mas em promoção de políticas de justiça e de respeito por cada vida humana.

O abraço desesperado a que tantas vezes assistimos, em um barco ou no porto, entre aquele que chega da África e aquele que naquele instante o resgata, é o sinal de um abraço maior, que tenta enlaçar o mundo que se diz rico e aquele que, ao longo dos séculos, foi sendo depauperado.

Santo Padre, em seu abraço, todos nós nos sentimos acolhidos: aqueles que sofrem e os artífices da paz, que têm fome e sede de justiça. A sua presença e as suas palavras são de apoio tanto para os nossos irmãos imigrantes quanto para as comunidades de Lampedusa e de Linosa, que, tantas vezes, carregaram um fardo muito grande ao assumir situações difíceis de enfrentar, sempre com grande generosidade e amor.

Mais uma vez, Santo Padre, obrigado! Estamos comprometidos na oração por Sua Santidade e pelo seu ministério a serviço da Igreja universal. Nós o confiamos à Virgem Maria, que aqui veneramos com o título de "Porto Seguro". Pedimos por intermédio dela, para Sua Santidade, Santo Padre, a força de conduzir o rebanho de Cristo até o porto seguro da salvação.

E pedimos também que Sua Santidade nos apoie com as suas orações e com o seu afeto, para que a diocese de Agrigento e as comunidades de Lampedusa e de Linosa cresçam mais e mais na operosidade da fé, no empenho da caridade e na firme esperança em Cristo. Obrigado.