“Lei Arizona”, lei discriminatória

Oposição da Igreja

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MÉXICO, segunda-feira, 24 de maio de 2010 (ZENIT.org - O Observador).- Migrar por questões de trabalho é sempre uma situação de precariedade; e isso é muito mais sério se no lugar em que se vai trabalhar para subsistir, a pessoa acaba sendo perseguida.

Esta situação tem sido vivida por indivíduos de diversas cidadanias, culturas e nacionalidades que vão construir "o sonho americano". A perseguição é fruto de iniciativas pessoais ou grupais.

Com a aprovação da lei SB-1070, conhecida como "Lei Arizona", esta perseguição se transforma em política de Estado naquele território do EUA e se abre a porta para que isso seja adotado em outras regiões.

 1. Consequências da lei

Permite que as forças de ordem detenham qualquer pessoa por parecer latina, quer dizer, por suas feições físicas e/ou cor da pele. Também obriga a equipe da saúde e do ensino a denunciar perante as autoridades as pessoas que recebem estes serviços em caso de não apresentarem características caucasianas.

Permite intervenções contra agências governamentais que criarem obstáculos à aplicação das leis de imigração e que contratarem os estrangeiros ilegais como diaristas ou os transportarem conscientes de seu estado ilegal.

 2. Reação da sociedade

Diversos setores da sociedade norte-americana levantaram a voz contra esta disposição, pois cria uma dinâmica de discriminação e exclusão. Ao longo das semanas que seguiram à aprovação, organizaram-se marchas de protestos em 70 cidades do EUA e se tem convocado protestos em diversos países da América Latina.

Los Angeles, São Francisco, Portland e Austin são as cidades que aderiram ao boicote comercial contra o Arizona, como uma forma de protesto. É calculado que, como reação a este protesto, cerca de 60.000 crianças ficaram desamparadas, pois seus pais serão deportados ou verão reduzidas as oportunidades de trabalho.

 3. A Igreja eleva sua voz

A Igreja Católica, por seus representantes, também reagiu energicamente. O cardeal Roger Mahony, arcebispo de Los Angeles, qualificou a lei como um "lei nazista", enquanto o bispo de Phoenix, Dom Thomas Olmsted, assinou há semanas uma declaração oficial, ratificada por líderes de diferentes religiões, na qual advertiu sobre o perigo de se aprovar uma lei que faz da discriminação uma política de Estado.

Em 9 de maio, a Rede Católica da Diversidade Cultural, formada por bispos, religiosos, religiosas e leigos de todas as etnias que formam os EUA, tornaram pública uma carta de apoio aos bispos do Arizona, na qual afirmam que "esta lei enfraquece o tecido social mediante a criação de uma atmosfera de discriminação contra alguns membros da comunidade, a criação de perfis das minorias e o temor das pessoas de cor, sem importar sua condição migratória".

Também lamenta a falta de liderança, tanto dos republicanos como dos democratas, em nível federal e pede uma ação imediata sobre a reforma migratória, para que "possamos encontrar o caminho a ser seguido para que os direitos e a dignidade dos seres humanos, incluindo os estrangeiros ilegais, assim como a integridade de nossas fronteiras, sejam guardados e protegidos".