Leigos devem assumir o papel ativo no âmbito da militância política, diz arcebispo

Segundo D. Odilo Scherer, independência resguarda Igreja no campo da autoridade moral

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SÃO PAULO, terça-feira, 16 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- De acordo com o arcebispo de São Paulo, são os leigos que devem assumir o papel ativo no âmbito da militância política.



Pois, explica Dom Odilo Scherer, se a Igreja começasse a se transformar diretamente em sujeito político, perderia sua independência e sua autoridade moral, identificando-se assim com uma única via política e com posições parciais opináveis.

Em mensagem aos fiéis difundida esta terça-feira pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o arcebispo de São Paulo, ao contextualizar a atuação dos leigos dentro de um Estado laico, recorda que em uma sadia laicidade, todos os cidadãos, sejam crentes ou não, são chamados a participar das responsabilidades da sociedade e do próprio Estado.

Caso esse direito fosse tolhido, «a liberdade religiosa e o sadio pluralismo da convivência social ficariam comprometidos e os cidadãos “religiosos” passariam a ser discriminados e considerados de segunda categoria».

Assim, «estaríamos diante do pensamento único e oficial, próprio dos Estados totalitários».

Segundo Dom Odilo, Bento XVI, em Aparecida, «incentivou o surgimento de “vozes e iniciativas de líderes católicos de forte personalidade e de vocação abnegada, que sejam coerentes com suas convicções éticas e religiosas”».

«Indicava, assim, em conformidade com o magistério constante da Igreja no século passado, que a atuação concreta na política não é atribuição da hierarquia, mas é missão específica dos leigos católicos, em colaboração com muitos outros cidadãos não-católicos.»

«No Estado laico – prossegue o arcebispo –, os católicos proporão suas convicções e agirão em seu nome próprio, como cidadãos, e não enquanto representantes da instituição religiosa.»

Sendo assim, indica o prelado, eles poderão, «por certo, associar-se livremente, como quaisquer outros grupos da sociedade organizada, para propagar e defender suas convicções».

«Por isso mesmo também o templo católico não pode ser o local adequado para manifestações meramente cívicas ou políticas, seja qual for o seu colorido ideológico.»

«Em tempos de plena liberdade democrática, o lugar para essas manifestações é a praça pública; ali a pluralidade das idéias e convicções tem o espaço mais adequado para as suas manifestações», afirma o arcebispo.