Leigos e seus movimentos: fundamentais, desde que unidos ao papa

Entrevista com o secretário da Comissão Pontifícia para a América Latina, Guzmán Carriquiry

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Sergio H. Mora

ROMA, terça-feira, 11 de setembro de 2012 (ZENIT.org) - A participação dos leigos na Igreja é de fundamental importância e seu desafio é a boa formação cristã, para se projetarem em todos os âmbitos, incluída a vida pública. Os bispos, por sua vez, devem considerar como um dom a existência de movimentos eclesiais e correntes missionárias que enriquecem as suas igrejas, sempre que essas novas realidades se mantenham em comunhão afetiva e efetiva com os bispos.

Estas diretrizes são do secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, Guzmán Carriquiry, que discursou como convidado no seminário de bispos dos territórios de missão, organizado em Roma pela Congregação para a Evangelização dos Povos.

Em conversa com ZENIT, Carriquiry destacou a grande corrente histórica da promoção do laicado, particularmente depois do concílio Vaticano II e do novo Catecismo da Igreja Católica.

Professor Carriquiry, as Igrejas da África e da Ásia estão registrando um crescimento significativo. Como os bispos encaram esta panorâmica?

Profº Carriquiry: Este seminário é para bispos que pertencem majoritariamente a Igrejas jovens que já têm uma certa tradição, com experiências muito vivas, com o senso de fazer parte, com a responsabilidade dos leigos nas próprias igrejas. E o tema que discutimos aqui é a formação dos leigos. São igrejas que crescem consideravelmente no número dos batizados, de catecúmenos, de novos cristãos. Sabemos que na África e na Ásia temos o crescimento mais significativo. Aqui os leigos são chamados a viver e testemunhar a fé cristã em todos os ambientes da vida: familiar, social, trabalho, nacional e internacionalmente.

E qual é o grande desafio que se apresenta para os leigos?

Profº Carriquiry: É o problema fundamental do catecumenato e do crescimento cristão para esses batizados, para que o batismo não fique sepultado embaixo das enxurradas de secularização que vêm de todos os lados. Esses processos são um assunto fundamental. Temos que contar com os leigos em tudo. Há uma experiência muito difundida nas nossas igrejas de ministérios de leigos.

Respeitando sempre a centralidade sacerdotal, certo?

Profº Carriquiry: Claro, sempre mantemos a clara divisão entre o sacerdócio ordenado e o não ordenado, para ninguém pensar que a participação dos leigos pode substituir a centralidade do sacerdote. Tudo o que passa pelo coração do sacerdote é fundamental para a vida dos leigos.

Um trabalho dos leigos só no âmbito religioso?

Profº Carriquiry: A participação dos leigos é fundamental, generosa e positiva, mas não podemos nos contentar com uma certa irrelevância e insignificância da presença dos leigos na vida pública, na política, na economia, na vida universitária e científica, em todos os campos da vida pública.

E nos países em que os cristãos são minorias, os leigos cristãos também devem aspirar à presença na vida pública?

Profº Carriquiry: O papa Bento XVI está insistindo muito nessa formação e no acompanhamento pastoral de leigos católicos, coerentes com a fé, conhecedores da doutrina social da Igreja, com rigor moral, competência profissional e paixão pelo destino do próprio povo. E isso é um grande desafio para as igrejas na Ásia e na África, onde, muitas vezes, eles são minoritários e essa presença pública gera certos temores.

O que o senhor nos diz sobre as associações e movimentos leigos?

Profº Carriquiry: Quem quer o protagonismo dos leigos aprecia esse dinamismo associativo. Hoje em dia, nós estamos no meio do florescimento de uma nova estação associativa entre os leigos, como as pias associações tradicionais e a expansão de novos movimentos eclesiais, e nem tão novos assim. Eu insisto para que os bispos sigam o magistério do papa e acolham providencialmente esses dons do Espírito, esses dons educativos, correntes de vida missionária, que podem enriquecer muito as suas igrejas, desde que essas novas realidades se mantenham na comunhão afetiva e efetiva com os bispos.