Lembrança de Dom Padovese um ano após sua morte

Ato acadêmico em homenagem ao bispo assassinado, no “Antonianum”

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ROMA, segunda-feira, 6 de junho de 2011 (ZENIT.org) – No dia 3 de junho se cumpriu o primeiro ano de falecimento de Dom Luigi Padovese, bispo franciscano, vigário apostólico de Anatólica, assassinado em Iskenderum pelo seu motorista. Dom Padovese foi morto na solenidade de Corpus Christi, no final do Ano Sacerdotal.

Na última sexta-feira à tarde, na Pontifícia Universidade Antonianum de Roma, realizou-se um ato acadêmico no qual se apresentou uma homenagem ao bispo falecido: “In caritate veritas. Luis Padovese. Bispo capuchinho vigário apostólico de Anatólia. Escritos em memória”, a cargo de Paolo Martinelli e Luca Bianchi (Dehoniane, Bolonha 2011).

No texto figuram contribuições de personagens importantes, como o prefácio do Pe. José Rodríguez Carballo, ministro geral da ordem dos Frades Menores; as mensagens e lembranças de Bartolomeu I, patriarca de Constantinopla; dos cardeais Dionigi Tettamanzi, arcebispo de Milão, e Joachim Meisner, arcebispo de Colônia; de Dom Ruggero Franceschini, arcebispo de Esmirna; Anders Arborelius, presidente da Conferência Episcopal dos bispos do Norte da Europa; e Flavio Roberto Carraro, bispo emérito de Verona.

Encontram-se também mensagens de Mauro Jöhri, ministro geral dos Frades Menores Capuchinhos; Alejandro Ferrari, ministro provincial dos Frades Menores Capuchinhos de Milão; Domenico Bertogli, vigário-geral de Dom Padovese em Anatólia; y as contribuições dos cardeais Jean Louis Tauran e Peter Erdő.

No apêndice, propõe-se uma bibliografia de Dom Padovese, a cargo de Paolo Martinelli e Marino Pacchioni, sobre o tema “Dom Luigi Padovese. Superação do medo da morte e desejo da vida eterna”.

Em uma estrofe inédita, tomada das anotações do seu curso sobre “Expressões de espiritualidade cristã na época patrística” e relativo à experiência religiosa nos apologistas do século II”, Dom Padovese se concentrava na relação entre ética e juízo final, típica dos apologistas.

“Se a superação do medo da morte e o desejo da vida eterna está bem presente nos textos dos apologistas – escreveu -, a concepção escatológica com relação ao período anterior aparece transformada.”

“De fato, enquanto nos escritos dos Padres apostólicos encontramos que está viva a espera do fim próximo e, mais ainda, tem de ser acelerada pelos cristãos, nos testemunhos dos apologistas se diz que o mundo está em pé graças à súplica dos cristãos.”

Com os apologistas, “a fé escatológica dos cristãos sofre uma mudança: torna-se mais personalizada. Ou seja, não é confrontada coma ideia de um retorno de Cristo e de uma reunião universal convocada para o juízo de todos”.

“Prevalece, no entanto, a ideia do juízo final dos indivíduos e de sua confrontação imediata com Cristo, e ocupa mais espaço o sentido do 'temor' conectado à certeza do tremendo juízo divino. Somente através das boas obras se pode sair incólumes dele.”

Assim, a ideia da morte “na consciência cristã dessa época era um incentivo para fazer o bem, superar as insídias do mundo e até as ameaças dos perseguidores, pois está reservado a quem peca o temor do castigo”, observava Dom Padovese.

“Esta conexão entre ética e juízo final é característica dos apologistas. É um aspecto da sua tensão escatológica, mas também uma indicação da dimensão teológica do seu ensinamento ético.”