Lí­bano: patriarca maronita faz apelo por convivência

Boutros Raï pede retorno ao pacto que permitiu a fundação de um país plurirreligioso

Roma, (Zenit.org) | 344 visitas

O patriarca de Antioquia dos Maronitas, Bechara Boutros Raï, lançou um novo alerta sobre o destino do Líbano em sua homilia dominical de 14 de julho, em Harissa. Segundo ele, qualquer exército não estatal deve ser considerado “ilegítimo”, para evitar que o país retorne à “lei da selva” e continue sofrendo com “o aumento da delinquência, um fenômeno que, infelizmente, já estamos registrando”.

A agência de notícias Fides reproduziu hoje a exortação do patriarca às facções políticas para se reconciliarem mediante um novo contrato social baseado no Pacto Nacional de 1943. Com o pacto, os cristãos e muçulmanos do Líbano concordaram com a gestão conjunta do poder político e das estruturas institucionais do país, então recém-declarado independente da França.

De acordo com o patriarca, o conflito entre as facções políticas está contribuindo para a “destruição do país”, que só pode ser freada com a volta ao pacto fundacional “com que os libaneses construíram sua nação na base da convivência, preservando a liberdade do Líbano de qualquer amarra com outros países do leste ou do oeste”.

Conforme o procurador patriarcal maronita junto à Santa Sé, François Eid, as referências históricas da homilia do patriarca Raï têm um vínculo claro com a dramática situação que o país vive na atualidade: “Em 1943”, comenta Eid em conversa com a Fides, “os libaneses decidiram permanecer independentes dos blocos geopolíticos e dos poderes regionais que exerciam a sua influência no Oriente Médio".

Prossegue: “Cristãos e muçulmanos assinaram o acordo sobre a gestão do poder em igualdade de condições. Esta colocação das coisas foi ratificada pelo Tratado de Taif, depois da guerra civil. Mas agora, com base em considerações demográficas, muitos dizem que essa linha tem que ser deixada de lado para adotarmos uma gestão tripartite do poder, que dividiria os cargos e os postos de responsabilidade entre cristãos, xiitas e sunitas”.

Por outro lado, de acordo com Eid, a referência aos exércitos confessionais, feita pelo patriarca na homilia, toca num ponto nevrálgico da crise do Líbano: “As milícias xiitas do Hezbolá ficaram do lado do regime sírio, mas as milícias salafistas foram para a Síria lutar junto com os rebeldes. O nosso país já está imerso nesse conflito terrível. E isto, para o Líbano, pode ser devastador”.