Liberação de embriões para obter células-tronco é postura antiética sem precedentes na história humana

Diz Conferência Episcopal brasileira

| 957 visitas

BRASÍLIA, terça-feira, 1 de março de 2005 (ZENIT.org).- Diante do intuito do governo brasileiro de liberar a utilização de embriões humanos para a pesquisa, os bispos do país afirmam que «a liberação» «de embriões para obter células-tronco se nos afigura não como sinal de progresso, mas como sinal de uma postura antiética sem precedentes na história humana».



A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu sua voz de alarme esta terça-feira, diante da movimentação na Câmara dos Deputados do Brasil para aprovar a Lei de Biossegurança. O texto poderá ser votado pelo Plenário esta quarta-feira.

O texto da Lei aprovado no Senado no dia 6 de outubro de 2004 permite a realização de pesquisa com células-tronco embrionárias. Os embriões utilizados devem estar congelados até o dia da publicação da lei e devem ter, no mínimo, três anos de estocagem.

Por outro lado, o projeto veda a clonagem humana e a produção de embriões para a retirada de células-tronco, com o objetivo terapêutico.

De acordo com declarações do Senador Ney Suassuna (relator) na época da aprovação do texto no Senado, o projeto permitiria a manipulação em pesquisa de cerca de 20 mil embriões congelados.

Na nota assinada pela presidência da CNBB sobre o assunto, divulgada na noite de ontem, os bispos afirmam que «os últimos decênios vêm apresentando grande progresso no campo da biogenética e da biotecnologia, abrindo perspectivas, tanto no sentido da cura de certas doenças como também no aprimoramento da nossa vida na terra».

«Contudo, com as esperanças erguem-se novas interrogações e preocupações. Estas interrogações não são apenas científicas, mas sobretudo de cunho ético», afirmam Cardeal Geraldo Majella Agnelo (Arcebispo de São Salvador da Bahia e presidente da CNBB), Dom Antônio Celso de Queirós (Bispo de Catanduva, SP e vice-presidente do episcopado) e Dom Odilo Pedro Scherer (bispo auxiliar de São Paulo e secretário-geral da CNBB).

«Alegramo-nos com as conquistas da ciência que permitem sanar certos males oriundos de causas genéticas, e, com a crescente expectativa da biotecnologia, agir eficazmente em certas deficiências de cunho genético. O progresso da ciência e da tecnologia abre novas possibilidades para que possamos levar adiante a missão que o Criador nos confia», dizem os bispos.

«Neste sentido, nos congratulamos com as pesquisas recentes e o uso responsável de células-tronco adultas encontradas no cordão umbilical, na medula óssea e um pouco espalhadas por todo o corpo humano».

Segundo os bispos, «é necessário, no entanto, rejeitar com firmeza a produção de embriões, ou a utilização de embriões já existentes, tanto para pesquisas, quanto para eventual produção de tecidos e órgãos. Para a pesquisa com células-tronco embrionárias seria necessário a supressão dos embriões e a vida humana deve ser respeitada, sempre, desde o seu início até o seu termo».

«Preocupa-nos a maneira pouco aprofundada com a qual certas pessoas e entidades se pronunciam em relação à denominada terapia gênica, como se por meio dela pudessem ser sanados todos os males do mundo. A vida saudável não se reduz aos genes nem aos organismos, mas remete a relações sociais, econômicas, políticas, afetivas e espirituais. Há pessoas e grupos que mais parecem vendedores de ilusão de vida fácil do que preocupados com a saúde e a vida de todos».

Segundo a presidência da CNBB, «ainda que devamos buscar minorar os sofrimentos dos deficientes vítimas de falhas genéticas, preocupa-nos igualmente a exploração emocional oriunda da exposição de deficientes na mídia».

«Diante destes pressupostos e baseados no Evangelho da Vida, confiamos que os Senhores não se deixarão dobrar pela pressão de grupos que investem na biotecnologia para auferir lucros».

«A liberação, sem mais, de embriões para obter células-tronco, se nos afigura não como sinal de progresso, mas como sinal de uma postura antiética sem precedentes na história humana», afirmam os bispos brasileiros.

Após rezar o Ângelus com os peregrinos no dia 7 de novembro de 2004, o Papa João Paulo II afirmara que o Brasil deveria defender a «vida desde a sua concepção até seu termo natural».

Ao saudar os peregrinos brasileiros, o Sumo Pontífice afirmou: «aproveito para dar graças a Deus, congratulando-me com vossa nobre Nação por sua fidelidade ao Evangelho de Cristo. Faço votos de que todas as instâncias responsáveis da Nação prossigam defendendo a vida desde a sua concepção até o seu termo natural».