Líderes cristãos dizem não à guerra confessional na Síria

Fontes locais relatam dramáticos acontecimentos da guerra civil

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DAMASCO, quarta-feira, 8 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - "Não aceitem armas e não se engajem no conflito civil". É a recomendação dos líderes religiosos aos fiéis cristãos sírios, de acordo com fontes locais da cidade de Aleppo, entrevistadas pela agência Fides. Aleppo, a maior cidade do país, é o atual campo de batalha em que se enfrentam as tropas do governo e do Exército Sírio Livre.

"Não queremos ser mais um grupo antagônico", disseram as fontes à agência, expressando profunda preocupação com a dimensão comunitária que a guerra civil está assumindo na Síria, alimentada também a partir do estrangeiro. Grupos curdos, que já controlam algumas áreas de fronteira com a Turquia e com o Iraque, se contrapõem a pelo menos duas formações turcomanas.

"Somos sírios e queremos viver em paz com todos os outros sírios. Queremos paz e harmonia", enfatizam as fontes da Fides, que falam da "luta pesada" em alguns distritos de Aleppo e de "muitíssimos mortos, talvez mais do que a mídia relata". "Não temos estatísticas, mas recolhemos testemunhos de hospitais cheios de cadáveres", afirmam.

As fontes de Aleppo se declaram preocupadas com a possibilidade de repetição "do que aconteceu em Homs, quando as pessoas se refugiaram nos bairros cristãos, que acabaram virando campos de batalha entre as duas partes". Embora no momento "os bairros cristãos estejam calmos, vemos que em todos os lugares existem preparativos para continuar a batalha pelo controle de Aleppo. Ninguém sabe o que pode acontecer nas próximas 48 horas".

As várias comunidades cristãs (católica, ortodoxa e protestante) estabeleceram um escritório de coordenação para se ajudar mutuamente. O apelo feito aos países europeus é "de ajuda para o povo sírio, de pressão sobre aqueles que incitam à guerra e de apoio para que as duas partes dialoguem".

Prosseguem as fontes da Fides: "Nós acreditamos que o diálogo ainda é possível, mas precisamos chegar a uma solução rapidamente, para que as consequências para a população sejam o menos nocivas possível".

Na frente diplomática, o ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, renunciou ao cargo de mediador na crise síria por parte das Nações Unidas e da Liga Árabe, após cinco meses de tentativas infrutíferas para encontrar uma solução política.

"Esperávamos muito da missão de Annan, e continuamos esperando uma saída honrosa para ambas as partes. Se realmente queremos ajudar o povo sírio, a única solução é política. A guerra não leva a lugar algum", concluem as fontes.

Relatos de combates pesados ​​em Aleppo vieram à tona há poucos dias, após a deserção do primeiro-ministro sírio Riad Hijab e do saque do mosteiro cristão de Mar Musa, cujo superior era o padre jesuíta Paolo Dall'Oglio.

Ainda de acordo com as declarações da Fides, houve confrontos também no resto do país, com a morte de onze pessoas durante bombardeios. Elas se juntam às 265 mortes da semana passada, um dos balanços mais trágicos desde o início da revolta.

Em Damasco, Said Jalili, braço direito do aiatolá Khamenei, reuniu-se com o presidente sírio Bashar Al-Assad para discutir o destino dos 48 iranianos sequestrados pelos rebeldes no sábado, na capital síria.

Para os insurgentes, os sequestrados traziam ajuda militar para Assad, mas, segundo as autoridades iranianas, são peregrinos religiosos. O Irã acusa os EUA de serem os responsáveis pelo sequestro.

Trad.ZENIT