Líderes religiosos de Jerusalém: medo como obstáculo para paz

Afirmam na Mensagem de Páscoa

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Por Roberta Sciamplicotti

JERUSALÉM, terça-feira, 18 de março de 2008 (ZENIT.org).- O medo é o maior obstáculo para a paz; por este motivo, os líderes cristãos da Terra Santa lançaram um convite a rezar para que o medo desapareça, dando espaço para um futuro de alegria e serenidade na Terra Santa.

Este é o núcleo da Mensagem da Páscoa dos patriarcas e líderes das Igrejas de Jerusalém, no qual se afirma que Cristo substitui o medo com a felicidade.

Assinam o texto: o patriarca latino Michel Sabbah, o greco-ortodoxo Theophilos III, o ortodoxo armênio Torkom I Manoogian, o custódio da Terra Santa, Pierbattista Pizzaballa, ofm, o arcebispo copto-ortodoxo Anba Abraham, o sírio-ortodoxo Swerios Malki Murad, o ortodoxo etíope Abouna Matthias, o maronita Paul Sayyah, o bispo anglicano Suhail Dawani, o bispo luterano Mounib younan, o sírio-católico Pierre Malki, o arquimandrita greco-católico Joseph Saghbini e Fr. Rafael Minassian, armênio católico.

Recordando as palavras que o Senhor ressuscitado disse, manifestando-se pela primeira vez a seus discípulos, «A paz esteja convosco», os líderes religiosos de Jerusalém observam como «parece óbvio que os discípulos estavam cheios de temor, misturado sem dúvida com perplexidade. Tinham acontecido muitas coisas que os tornavam inseguros sobre o futuro e, portanto, estavam assustados».

Ao saudar os discípulos, «Jesus tenta acalmar seu coração». «Mostra-lhes as mãos e o lado para convencê-los de sua identidade», e portanto «seu medo e sua dúvida são substituídos pela alegria».

«Ainda que vivamos no temor e na perplexidade», afirmam os religiosos, reconhecendo «o peso que tantos de nossos fiéis hoje suportam devido à contínua violência e aos atos de terrorismo que os rodeiam e dos quais todos nós somos vítimas, na Faixa Ocidental, em Gaza e na sociedade israelense».

«Precisamos ver o Senhor ressuscitado, para afastar as dúvidas e o temor de tudo o que está acontecendo ao nosso redor e em nós, substituindo assim o medo e a ansiedade pela paz e a alegria.»

A nova alegria, observam, «é uma missão que os apóstolos devem levar ao mundo». A Igreja deve, portanto, ser o instrumento através do qual o poder salvífico de Cristo se dá a conhecer ao mundo inteiro.

Os autores da mensagem explicam que pretendem levar o mesmo mandato à sua terra, aliviando ao mesmo tempo «os muitos pesos sobre a vida das pessoas, causados pela ocupação, derramamento de sangue, violências, homicídios e ódio recíproco, além dos modos equivocados seguidos até agora para conseguir a segurança».

«Em todas estas situações de morte, demonstramos que somos os apóstolos da ressurreição, com sua alegria e sua esperança – observou. Devemos dizer às pessoas que a situação atual na qual vivemos é parte do pecado do mundo, mas deve também ser parte do novo poder que o Senhor ressuscitado nos deu.»

Por isso, os líderes das Igrejas de Jerusalém convidam os fiéis «a fazerem penitência, a admitirem sua participação no pecado do mundo, a serem perdoados e a tornarem-se capazes de ver as justas vias que levam à paz e à segurança».

«Os modos usados até hoje para conseguir a segurança devem ser mudados – declaram. Caso contrário, permaneceremos nas mesmas posições em um ciclo permanente de violência.»

Os líderes religiosos pedem, portanto, a Deus que ilumine os políticos, dando-lhes a força de desterrar da região a morte e o medo para restaurar nela «a paz com segurança».

«Exortamos todas as pessoas envolvidas a demonstrarem sua fé em termos mais positivos, e não em último lugar, mostrando seu credo pessoal em Jesus ressuscitado e glorificado», propõem.

«Nosso Jesus não é uma figura histórica, mas Aquele que nos ensina e nos guia ao longo da via da paz e da nova vida.»

Os religiosos agradecem «os amigos do mundo» por seu apoio e suas orações e pedem que recordem que a fé em Cristo tem origem precisamente na Terra Santa.

«Deveis assumir vossas responsabilidades aqui – exortam. Também vós sois responsáveis conosco pela restauração da alegria da Ressurreição, para aliviar o peso da morte, do ódio, da ocupação, dos muros de separação e o medo de assumir o risco da paz.»

«Fazei tudo o que possais e, por favor, envolvei nisso também vossos governos, para que assumam suas responsabilidades pela paz nesta Terra.»

«Orai também por nós, por uma paz justa e total», pedem; «pedi que o medo, o maior obstáculo para a paz, desapareça. Pedi que as pessoas se reconheçam e se aceitem reciprocamente», «de maneira que esta Terra da Ressurreição possa gozar da nova vida à qual Deus a chamou».