Linguagem na pregação

Como melhorar a pregação sagrada: coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1107 visitas

Vamos falar sobre a importância da linguagem...

É necessário trabalhar a linguagem da pregação não rebaixar a Palavra de Deus. Por isso, temos que usar:

- Uma linguagem popular, não popularesco, trivial ou vulgar. Ou seja, uma linguagem que as pessoas entendam; uma linguagem adequada ao momento atual.

- Uma linguagem inteligível, simples, viva e concreta, que ao mesmo tempo fique longe dos tecnicismos e das palavras rebuscadas filosóficas ou teológicas, como também da trivialidade e da anedota barata.

- Um tom direto, familiar, cordial, persuasivo e ágil que mantenha o interesse dos ouvintes, não tanto pelos recursos oratórios do orador, mas pela convicção e autenticidade que o pregador consegue comunicar.

Distingamos os vários níveis da linguagem...

Existem três níveis de linguagem:

Primeiro, o nível sintático: significa clareza, precisão, exatidão, uso correto da língua (cf. 1 Cor 14, 9ss; 1 Cor 14, 19). A exigência por clareza é ainda mais imperiosa na pregação do que na conversação, porque na Igreja ninguém pode fazer perguntas durante a homilia. Outra coisa é uma palestra  em uma sala de aula ou auditório, onde o pregador dá oportunidade para perguntas. Os ouvintes geralmente dão a entender com certas reações se entenderam. Se a reação não aparece, é necessário repetir e dar voltas e mais voltas até que apareça, mas é preciso passar imediatamente para outro tema, o que será evidentemente impossível para aqueles que recitam um sermão literalmente preparado e aprendido de memória. O fim de toda pregação é sempre abrir o sentido, embora para isso só se tenha disponível uma chave de madeira; se é de ouro, muito melhor, desde que entre na fechadura (cf. Santo Agostinho, De doctrina christiana 10, 25-11, 36). Para isso ajudam esses conselhos:

- A construção da frase: frases curtas, porque o ouvido humano só consegue captar frases de um determinado comprimento.

- A voz ativa: em vez da voz passiva. Assim, o ouvinte poderá identificar-se com essa voz.

- Palavras concretas: suprimir as palavras abstratas e substituí-las por palavras concretas. Em vez de falar de solidariedade (palavra abstrata), falar desse rei solidário, dessa pessoa solidária (alguém específico).

- Os adjetivos: não abusar deles, porque não é redação estilística nem literária.

Segundo, o nível semântico: se a linguagem foi feita para o homem e não o homem para a linguagem, então deve-se evitar na pregação termos que sejam úteis na teologia, mas que os ouvintes não entendem. A linguagem da pregação requer a linguagem da vida cotidiana para que as palavras teológicas sejam uma ajuda para ela. Jesus utilizou na sua pregação imagens e comparações tomadas do mundo que lhe rodeava para que os ouvintes pudessem entender a mensagem divina.

Finalmente, o nível pragmático: a linguagem da pregação deve conduzir à posições de vida, à vida prática. Ou seja, toda pregação deve ajudar à mudança da vida ou a melhorá-la. É muito importante que cada reflexão que façamos tenha aplicações para a vida do ouvinte.

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Caso queira se comunicar com o Padre Antonio Rivero pode fazê-lo por este e-mail:arivero@legionaries.org

Tradução Thácio Siqueira