Livro de Bento XVI consente manifestação de alma crente e mística

Segunda parte de “Jesus de Nazaré” foi lançada na semana passada

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ROMA, segunda-feira, 14 de março de 2011 (ZENIT.org) - O bispo do Porto, Dom Manuel Clemente, considera que o recém-lançado livro de Joseph Ratzinger/Bento XVI revela em determinados momentos a alma crente e mística do autor.

Dom Manuel Clemente fez uma apresentação da obra “Jesus de Nazaré. Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição” (Principia) na sexta-feira, na Universidade Católica do Porto.

O bispo confessa que, ao ler o livro, várias vezes se lembrou “dum célebre trecho das Escrituras cristãs”.

Trata-se da passagem “… no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça; com mansidão e respeito, mantende limpa a consciência…” (1 Pe 3, 15-16).

Os destinatários da passagem acima “são cristãos que já sofriam desconfianças e contradições. A recomendação é para terem fé serena e partilhável, precisamente em tais circunstâncias”. “De Roma nos chega agora este livro do Papa, meditado e escrito em tempos de novas ou reeditadas desconfianças e contradições”.

De acordo com o prelado, “a resposta é dada em duas centenas e meia de páginas, com as mesmas qualificações requeridas: dando razões da esperança, com mansidão, respeito e limpidez de consciência. Serenamente, pois, e abertamente. A apologia possível e oportuna, ao ‘modo suave de Deus’, como indica a certo passo (cf. p. 224)”.

Dom Manuel Clemente assinala que o texto, “mesmo sendo o tom muito sereno e fluente, dentro das balizas culturais geralmente aceites, consente aqui e ali a manifestação duma alma crente e ‘mística’, quando a descrição dalgum passo se abre à directa compaixão”.

“Será porventura este o mais revelador, em torno de Jesus em Getsémani: ‘Ali, Jesus experimentou a solidão extrema, toda a tribulação do ser homem. Ali, o abismo do pecado e de todo o mal penetrou até ao fundo da sua alma. Ali foi assaltado pela turvação da morte iminente. Ali O beijou o traidor. Ali todos os discípulos O abandonaram. Ali Ele lutou também, por mim’ (p. 126)”.

“Na última frase – afirma o bispo do Porto –, o exegeta e o teólogo dão lugar ao místico, porque a relação se torna directa e agradecida com a personagem estudada. Da inteligência, acedemos à ‘alma’ de Bento XVI. E a esperança aqui já não precisa de ‘razões’, embora esteja pronta a dá-las, ‘com mansidão e respeito’.”

Dom Manuel Clemente considera que “é ainda desta ordem – e muito coerente com o fio condutor da verificação pela convivência – o antepenúltimo parágrafo do texto papal: ‘E porque não pedir-Lhe que nos conceda também hoje testemunhas novas da sua presença, nas quais Ele mesmo se aproxime de nós?’ (p. 236)”.

“Bastará assim, como convite à leitura”, afirma o bispo, que afirma ter sido “particularmente sensível à história viva que Jesus de Nazaré vai fazendo com Bento XVI e os seus leitores”.