Lolo, jornalista paralítico e cego, rumo aos altares

Passo decisivo para a causa de beatificação de Manuel Lozano Garrido

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JAÉN, quarta-feira, 3 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- A Congregação de cardeais e bispos membros da Congregação para a Causa dos Santos deu ontem seu parecer favorável, de maneira unânime, ao estudo sobre «vida e virtudes heróicas» de Manuel Lozano Garrido (Lolo), jornalista paralítico e cego.



Segundo informou o postulador da Causa, Rafael Higueras, os cardeais e bispos analisaram o estudo prévio favorável realizado pela Comissão de teólogos, formado por nove membros, que em meses passados redigiram a chamada «Relatio et vota».

Após a aprovação, só falta a confirmação por parte do Santo Padre com a assinatura do Decreto de Virtudes Heróicas, que permitirá proclamar «Lolo» como «venerável».

Para a beatificação, é necessária a aprovação de um milagre devido à sua intercessão.

Em declarações à agência Véritas, Rafael Higueras sublinha a oportunidade da beatificação desse jornalista, destacando sua «integridade profissional» e seu desejo de que os jornalistas conheçam esta figura e «sintam o Lolo».

Também, em um momento no qual a sombra da eutanásia ameaça, Higueras concedeu especial importância à experiência de sofrimento de Lolo, que era testemunha em primeira pessoa do «valor da vida» (ficou paralítico aos 23 anos e cego aos 42).

Higueras destacou desta forma que «sem as bases da Ação Católica» – à que Lolo pertenceu desde jovem – não teria sido possível sua «vida heróica».

Da vida espiritual de Lolo, Higueras destacou sua «devoção eucarística e seu amor a Nossa Senhora».

Os Grupos Sinai, de oração pela Imprensa, fundados por Lolo, estão constituídos na atualidade por vinte Mosteiros de religiosas na Espanha e dois no exterior.

Cada um dos grupos tem a tarefa de rezar pelo meio de comunicação designado, entre os que se encontram o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, a Rádio Vaticano, as Agências Zenit e Veritas, Popular TV, Alfa e Ômega, Vida Nova, a UCIP-E ou a Comissão Episcopal de Meios de Comunicação Social, segundo a informação facilitada pela Associação Amigos de Lolo.

Semente de Manuel Lozano Garrido
Manuel Lozano Garrido, «Lolo», nasceu em Linares (Jaén) em 9 de agosto de 1920 e morreu na mesma cidade em 3 de novembro de 1971.

Ingressou como aspirante da Ação Católica aos onze anos, adquirindo em seu seio uma profunda formação espiritual que o fez viver com alegria sua doença. Durante os longos anos de enfermidade, recebia diariamente a Eucaristia, e tinha uma grande devoção por ela.

Durante a Guerra Civil Espanhola, sendo Lolo ainda adolescente, distribuía a Comunhão a pessoas que eram presas, e ele também sofreu por causa de seus ideais cristãos. Foi acentuada sua devoção a Nossa Senhora, a quem rezava diariamente o terço e a quem dedicou alguns de seus escritos.

Começou a desenvolver seu trabalho profissional como jornalista em meios de comunicação como o diário «Ya», «Telva», «Vida Nueva», a agência «Imprensa Asociada», «Signo»...

Sua enfermidade começou em 1942 e um ano depois tinha já uma invalidez absoluta. Em 1962 ele perdeu a vista.

Apesar de sua enfermidade, recebeu importantes reconhecimentos profissionais na Espanha, como o «Prêmio Bravo».

Em 1956, fundou a Revista «Sinai» para enfermos. Algumas de suas obras, como «A Cadeira de Rodas» (primeiro livro, escrito em 1961), «As estrelas se vêem de noite» (obra póstuma), ou «Contos em ‘lá’ sustenido», foram publicados por Edibesa.

De 1994 a 1996, aconteceu a fase diocesana de seu processo de beatificação, iniciando-se depois a abertura da fase romana.