Lourdes, milagre de fé que resiste às refutações

A história de Bernardette no livro-entrevista a René Laurentin

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Por Antonio Gaspari

 

ROMA, terça-feira, 19 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Era 11 de fevereiro de 1858 quando, em Lourdes, Bernadete Soubirous, uma jovem francesa de 14 anos, tão boa como pobre, enferma e analfabeta, disse que havia visto uma «bela Senhora» que dizia ser «a Imaculada Conceição».

Apesar da incredulidade e das tentativas repetidas de desacreditar Bernadette, desde então milhões de peregrinos têm ido à gruta de Massabiele e se banhado na fonte milagrosa que brotou lá.

Depois de 150 anos desde as aparições, Lourdes foi visitada por mais de 700 milhões de peregrinos. São 67 as curas milagrosas verificadas. Existem 4 basílicas onde se celebram 50 missas por dia e desde onde se elevam milhões de ave-marias; invocações de pessoas que sofrem que comovem Deus e os homens.

Um lugar, afirma o escritor Vittorio Messori, no qual «parece realmente reduzir-se a espessura que divide o céu e a terra; onde se torna sutil o confim entre realidade concreta e cotidiana e o Enigma invisível e eterno».

Por ocasião do 150º aniversário das aparições de Nossa Senhora em Lourdes, Andrea Tornicelli, vaticanista do jornal italiano «Il Giornale», entrevistou o Pe. René Laurentin, o teólogo que mais estudou os acontecimentos vividos por Bernadette Soubirous.

O resultado é o livro-entrevista «Lourdes, inchiesta sul mistero a 150 anni dalle apparizioni» («Lourdes, pesquisa sobre o mistério 150 anos após as aparições»), publicado pela Editora ART.

Neste volume, o teólogo francês comenta os fatos que aconteceram em Lourdes entre fevereiro e julho de 1858, e depois os acontecimentos que caracterizaram a vida de santa Bernadette, sua vocação à vida religiosa, a experiência do sofrimento e da doença, que marcaram sua existência desde pequena.

Entrevistado pela Zenit, Tornielli relata que ficou impressionado pelo Pe. René Laurentin, «o sacerdote que, por ocasião do centenário das aparições, já há meio século, por encargo do bispo de Tarbes e Lourdes, Dom Pierre-Marie Théas, buscou, analisou e publicou todos os documentos disponíveis sobre os acontecimentos de 1858».

O Pe. Laurentin, filho de um arquiteto de Tours, sacerdote da diocese de Paris, especialista em questões mariológicas, tinha 35 anos na época na qual lhe foi confiada a tarefa.

Segundo Tornielli, «foi protagonista de uma pesquisa sem precedentes. Por isso, sua pessoa e sobretudo seus escritos permanecem como um ponto de referência insubstituível para quem quer aproximar-se do mistério de Lourdes».

Outro aspecto do assunto que impressionou muito o vaticanista de «Il Giornale» é a quantidade de ataques contra Santa Bernadette, com o objetivo de cancelar o «fenômeno de Lourdes».

Tornielli explicou que «não foi fácil para Lourdes afirmar-se na França do século XIX, pátria do anticlericalismo. Desde o princípio, as aparições estiveram no centro de ataques, críticas, tentativas de refutação».

No livro, o Pe. Laurentin relata como, após as primeiras aparições, houve quem dissesse que a «bela Senhora» vista por Bernadette era na verdade a atrativa esposa do farmacêutico local que havia tido um encontro clandestino com um oficial de cavalaria exatamente na gruta, e que se havia visto obrigada a «fingir ser Nossa Senhora» para semear confusão, enganando a jovem que a havia pegado em flagrante adultério.

A pobre senhora que, segundo a fantasiosa reconstrução teria escolhido como alcova uma gruta gélida e cheia de imundices, naquele 11 de fevereiro, na verdade estava na cama, mas em sua casa, dado que havia dado à luz, dois dias antes, o seu 5º bebê.

Ela mesma denunciará e fará condenar os difamadores que haviam escrito rios de tinta sobre esta calúnia para desacreditar Lourdes.

Tornielli destaca que inclusive o conhecido escritor Émile Zola tentou fazer passar a «pobre Bernadette como uma mísera vítima da histeria e da desnutrição».

Chegado a Lourdes em 1892, Zola teve a felicidade de assistir a duas curas instantâneas, que relatará em sua novela, intitulada «Lourdes», sustentando, contudo, que «as duas pessoas que experimentaram o milagre morreram pouco depois e que, portanto, a suposta cura teria sido breve e sobretudo ilusória».

«Porém – sublinha Tornielli –, uma das duas mulheres curadas não se rendeu e continuou protestando nos jornais, dizendo que estava tão viva e saudável como o autor.»

«Com o objetivo de desacreditar Lourdes – afirma –, Zola chegou a ponto de ir vê-la para oferecer-lhe dinheiro em troca de seu silêncio. Histórias mesquinhas, sobre as quais a história, a verdadeira, triunfou», comenta o jornalista.