Luigi Giussani, ministro humilde e audaz do encontro com Cristo

Arcebispo de Milão fala do fundador de Comunhão e Libertação

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MILÃO, terça-feira, 2 de março de 2011 (ZENIT.org) - "Um ministro humilde e audaz do encontro com Cristo": esta é a lembrança de Luigi Giussani, em palavras do arcebispo de Milão, cardeal Dionigi Tettamanzi, por ocasião da celebração do sexto aniversário da morte do fundador de Comunhão e Libertação (CL). Este ano também marca o 29º aniversário do reconhecimento pontifício da Fraternidade de CL.

"A vida cristã - disse o cardeal Tettamanzi - não é uma simples ideia, iniciativa, preceito, estrutura ou organização, mas, em sua essência original, é um encontro pessoal com Cristo."

"Fascinado e conquistado", Giussani não fez outra coisa na vida além de colocar-se ao serviço deste encontro, "fascinando e conquistando para Cristo as pessoas e as realidades que encontrou em seu caminho".

"No fundo de cada coração humano - continuou o purpurado -, Deus coloca um desejo de infinito que nada pode extirpar totalmente." Isso é verdade para o homem de hoje e de sempre, "mesmo quando parece que já não quer nem busca mais nada" e "se mostra cansado e sem interesse pela realidade, fechado em si mesmo e prisioneiro de interesses mesquinhos".

"Quem ou o que - perguntou-se o arcebispo de Milão - poderia despertar em nós o desejo, a aspiração, a necessidade de uma sabedoria que nos abra para o verdadeiro sentido de viver e de amar, de trabalhar e descansar, de sofrer e de morrer?"

Para o cardeal Tettamanzi, "a falta do conhecimento e da partilha deste ‘sentido' fundamental é o problema cultural mais importante e decisivo para o nosso presente e o nosso futuro". E a resposta a esta "carência insustentável" não pode ser mais que "uma pessoa viva, concreta, encontrável, experimentável: Cristo Jesus".

"Todos nós - disse ele, dirigindo-se aos membros da Fraternidade e ao seu presidente, o espanhol Julián Carron - sentimos a riqueza de graça e de responsabilidade da fé cristã", que tem "Cristo, seu Evangelho e sua Igreja como critérios interpretativos da realidade".

Numa sociedade e numa cultura em que se confrontam as lógicas profundamente opostas de "domínio e serviço, egoísmo e altruísmo, posse e entrega, exploração e benevolência, interesse e gratuidade", o exemplo da entrega total de Cristo na cruz "deve ser em nós princípio, estímulo e força para uma fé que age na caridade".

"Foi-nos pedido peremptoriamente - continuou o cardeal - agir, empreender, fazer frutificar os talentos que a natureza e a graça nos oferecem, saber incidir na múltipla realidade social, cultural e política, ser protagonistas no desenvolvimento integral do homem e do mundo... mas sempre agindo com a lógica de Cristo e não com a do mundo."

Estar "em Cristo" mostra "a espiritualidade que deve alimentar tudo em nós: nossos pensamentos e sentimentos, nossas escolhas e ações, nosso silêncio e nossa palavra, o momento da alegria e o do sofrimento, o êxito e o cansaço".

"O segredo da vida cristã - concluiu o cardeal Tettamanzi, citando Giussani - é viver com Jesus."

"Quem lê o Evangelho todos os dias - acrescentou, citando o fundador e CL -, quem comunga diariamente, quem diz: ‘Vinde, Senhor!' (...), pode começar a sentir o que quer dizer ‘viver com Ele'. Viver com Ele pode ser dito de outra forma: viver como Ele."

(Chiara Santomiero)