Maçonaria está em decadência, mas sua doutrina não

Fala o autor de uma pesquisa, José Antonio Ullate

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MADRI, sexta-feira, 19 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- O jornalista José Antonio Ullate acaba de apresentar um livro para compreender a verdadeira essência da sociedade secreta mais controversa da história: «O segredo maçônico revelado» (Libros Libres).



Ullate, que publicou livros em vários idiomas, entre eles «A verdade do Código Da Vinci», investigou as críticas e elogios que esta sociedade oculta recebeu ao longo do tempo.

–Mas já não estava tudo dito sobre a maçonaria?

–José Antonio Ullate: A própria abundância de títulos dedicados a temas relacionados com a maçonaria demonstra que estamos longe de ter dito tudo sobre esta instituição. Também, e o que é mais importante, da maçonaria se fala muito, mas com pouca clareza. Muitas pessoas saberiam associar a maçonaria com alguns episódios históricos, algumas outras seriam capazes de citar os nomes de alguns supostos maçons históricos, mas quantas poderiam dizer o que é a maçonaria?

–É o que «O segredo maçônico revelado» resolve?

–José Antonio Ullate: Há muitos livros que tocam o tema da maçonaria, mas quase todos estão centralizados na organização maçônica e poucos – nenhum disponível para o público em língua espanhola – se dedicam a aprofundar nos princípios da maçonaria. Ou seja, a responder à pergunta que a maioria dos leitores se faz: «mas o que é a maçonaria? Que tipo de ideologia há por trás da maçonaria?

–A maçonaria tem influência, atualmente, em nossa sociedade?

–José Antonio Ullate: Se nos referimos à maçonaria como «organização» – as diferentes organizações maçônicas – creio que hoje sua influência social não é muito grande, e inclusive deve-se dizer que está em franca decadência, não só na Espanha, mas em todo o mundo. Pelo contrário, se nos fixamos nos princípios intelectuais da maçonaria, ou seja, na maçonaria «doutrina», não há dúvida alguma de que a maçonaria não só tem uma grande influência social, mas seus princípios adquiriram uma difusão quase universal. Todos nós estamos influenciados pelas doutrinas da maçonaria: pelo naturalismo filosófico e o laicismo político. Quando a maçonaria conseguiu estender seus princípios por todo o mundo, paradoxalmente, ou nem tanto, as organizações maçônicas começaram a perder vitalidade.

–O que você pensa das teorias da conspiração?

–José Antonio Ullate: As teorias da conspiração estão mais difundidas do que pensamos. No caso da maçonaria, são o resultado dos segredos com os quais estas organizações atuam e da decadência do pensamento crítico, racional. Pensar que há grupos que controlam tudo é uma falsa reação de defesa, porque está baseada em uma informação insuficiente e conduz a uma passividade, a não fazer nada, «porque as coisas não vão mudar». No caso da maçonaria, muitas pessoas creram e ainda crêem que ela tem um poder quase ilimitado para controlar as fontes do poder. Como diria Belloc (Hilaire), é pouco inteligente negar que existem conspirações, mas é uma loucura atribuir-lhes um poder exagerado. Por outro lado, a «conspiração» não é um fator privativo da maçonaria nem de nenhuma organização secreta. Ainda que tenha adquirido um tom pejorativo, «conspirar» quer dizer combinar com outras pessoas para conseguir algo. A sociedade deveria ser uma vasta conspiração para conseguir o bem comum.

–Habitualmente se afirma que há uma maçonaria visível e outra invisível, formada pelos «superiores desconhecidos», cuja identidade é ignorada pelos próprios maçons e que coordenam a ação dos maçons, isso é verdade?

–José Antonio Ullate: Os «superiores desconhecidos» não existem, ou ao menos não temos nenhum indício para pensar que existam. Contudo, é verdade que este foi um dos temas favoritos do que chamo a «antimaçonaria irracional». É muito cômodo pensar que em algum lugar secreto um pequeno grupo de homens dirige os destinos do mundo, mas ninguém pôde demonstrar nunca sua existência. Os diferentes maçons do mundo não trabalham coordenadamente e em muitas ocasiões se enfrentam entre si e o único vínculo entre eles é o constituído pelos princípios fundamentais da maçonaria, dos que falo em «O segredo maçônico revelado». Aí radica a essencial unidade de ação de todos os maçons, e não em um mando único e oculto.

–É possível ser católico e maçom ao mesmo tempo?

–José Antonio Ullate: É impossível. No livro me dedico a explicar com detalhe alguns dos elementos doutrinais essenciais de toda maçonaria. Todos esses princípios entram em frontal confrontação com a doutrina de Jesus Cristo. Como disse o Papa Leão XIII, a maçonaria e a Igreja são duas realidades tão incompatíveis que entrar em uma delas é sair da outra, automaticamente.

–Mas muitos maçons afirmam que é possível conciliar a pertença a ambas instituições...

–José Antonio Ullate: Sim, mas se lhes perguntarmos, eles se vêem obrigados a admitir que são compatíveis com uma forma «não dogmática» de catolicismo, o que não é mais que um jogo de palavras: são compatíveis com um catolicismo que não leve a fé a sério. Neste sentido, muitos grãos mestres da maçonaria tiveram de admitir que em muitas ocasiões os maçons têm muito pouco conhecimento das exigências doutrinais da maçonaria, o que em alguns casos pode conduzir a que uma pessoa, por ignorância, ache possível ser maçom e católico ao mesmo tempo, mas em si, são doutrinas que se excluem mutuamente.

–Em poucas palavras, por que você recomendaria a leitura de «O segredo maçônico revelado»?

–José Antonio Ullate: Porque o leitor interessado em compreender qual é a essência da maçonaria tem à sua disposição uma explicação detalhada dos ingredientes intelectuais dessa instituição, de sua origem, sua história e de suas relações reais com a fé católica. Ou seja, neste livro encontrará respostas a perguntas que se formulam em outros livros sobre o tema e que falam das bondades dos maçons, mas sempre se deixa no tinteiro uma explicação razoável e convincente do que é a maçonaria. Também neste trabalho se encontram muitas chaves da difusão do pensamento maçônico fora dos confins da lógica. O leitor não só se informará sobre a maçonaria, mas – o que é muito mais importante –, ele o fará com elementos suficientes para formar seu próprio juízo sobre a maçonaria, baseado em realidades, e não em conjecturas.

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