Mães que rezam no mundo inteiro

"Deus ama os nossos filhos", afirma Veronica Williams, fundadora da Orações de Mãe

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ROMA, quinta-feira, 8 de março de 2012 (ZENIT.org) - "Sabemos que Deus ama os seus filhos. Não temos  que ter medo, nem nos preocupar, mas acreditar nele", afirma Veronica Williams, que explicou a Zenit como a Orações de Mãe começou as suas atividades apostólicas e se espalhou pelo mundo.

Veronica, você é mãe, avó e bisavó. Como você começou a rezar pelos seus filhos?
Veronica Williams: Eu fazia parte de um grupo de oração que tinha preparado um dossier chamado Que mundo estamos preparando para os nossos filhos?, cheio de estatísticas sobre tudo o que estava afetando as nossas crianças de forma negativa: drogas, pornografia, violência, abuso sexual, má literatura. O objetivo era levar o documento ao Parlamento em Londres. Pensávamos no choque que ele iria causar nos políticos com a descrição deste mundo. Mas infelizmente o projeto não deu certo. Foi em 1995. Eu já tinha 9 netos. Fiquei muito preocupada quando li o relatório e pensei: em que tipo de sociedade os meus netos estão crescendo? Eu queria fazer algo, mas era muito pequena diante de problemas tão grandes. Por outro lado, eu tinha tido uma experiência maravilhosa que me fez perceber o poder da oração e o poder de "me confiar ao Senhor"...

O que evoca o título do seu livro, The Joy of Surrender unto Him...
Veronica Williams: Exatamente. E estou surpresa de que ele tenha sido traduzido para várias línguas e que muitas pessoas me disseram que foi uma bênção para elas!

Depois da sua experiência decepcionante com o Parlamento, o que aconteceu?
Veronica Williams: Eu decidi rezar pelas crianças. E a minha cunhada, sem saber desta minha decisão, me disse que acordou no meio da noite, sentindo um chamado para rezar pelos seus filhos. Bom, eu sabia o poder de pedir a Deus e por isso decidimos nos confiar ao Senhor 100%. Em um mês, rezamos e meditamos nos mistérios gozosos do terço, no nascimento do Menino Jesus, perguntando o que ele queria que nós fizéssemos. Nós dissemos: "Senhor, tu és o chefe, nós somos as tuas secretárias". Em novembro de 1995, começamos a orar pelos nossos filhos junto com mais três mães. Hoje temos grupos de oração no mundo inteiro. Provavelmente 85% das pessoas participantes são católicas, mas há também mães que pertencem a outras igrejas: pentecostais, batistas, anglicanas e ortodoxas. Até mães de outras religiões, muçulmanas e hinduístas, e até mesmo ateias, que, finalmente, descobriram Deus. Deus quebra as barreiras.

Por que tantas mães de tantas culturas e religiões diferentes oram pelos filhos?
Veronica Williams: As mães têm um coração materno. Quando elas têm problemas com os filhos e acham alguma coisa que as ajuda, elas se unem a nós. Algumas mães não entendem o catolicismo. Mas conosco, elas superam os mal-entendidos. A barreiras se derrubam, e, através da oração das mães, muitas vezes é possível uma compreensão melhor da nossa fé.

Você reza pelos seus filhos, mas o que você pede a Deus para eles?
Veronica Williams: Nós podemos rezar por qualquer problema imediato, mas a melhor oração é para que seja feita a santa vontade do Senhor na vida deles. Sabemos que Deus ama os seus filhos. Por isso, não devemos nunca temer ou nos preocupar, mas ter fé nele.

Vocês usam alguma metodologia especial na reunião semanal?
Veronica Williams: Temos um manual de orações com preces especiais, do coração simples de uma mãe que fala com Jesus. Começamos pedindo a presença do Espírito Santo, continuamos com as orações pela proteção das nossas famílias. Depois, fazemos outras orações, mas a mais querida é quando juntamos as nossas orações com as de todos os membros da Orações de Mãe do mundo todo. Isso nos traz muito conforto! A preparação é importante: cada mãe coloca o nome de cada filho em pequenos envelopes de papel, e no final da reunião põe os envelopinhos ao pé da Cruz, numa cesta, como um ato de confiança dos filhos a Jesus.

Vocês têm "regras" especiais?
Veronica Williams: Nós temos duas regras imperativas! Nenhum conselho, nenhuma confidência. Nós não damos conselhos porque não estamos qualificadas e porque acreditamos no Senhor 100%. E não fazemos nenhuma confidência, porque alguém pode revelar um problema pessoal e precisa saber que ele não será revelado fora do grupo.

Quando o movimento cresceu, você começou a viajar e decidiu criar uma Casa Mãe, em Kent...
Veronica Williams: Sim, nós temos uma casa de comunidade, a comunidade Solace, que tem uma capela com o Santíssimo Sacramento. Recebemos pessoas de todo o mundo, especialmente os coordenadores. Também viajei para muitos lugares de muitos países, incluindo a Sibéria, na Rússia. No final de junho eu estarei na Eslováquia e na Irlanda, em seguida na Alemanha, França, EUA, Noruega, Suécia e República Checa.

O que é específico da sua espiritualidade?
Veronica Williams: A nossa espiritualidade se baseia em dar tudo a Jesus. Não damos conselhos práticos sobre como resolver problemas. Nós dizemos: "Eu não posso fazer isso, Senhor, mas tu podes". Eu sei que ele abre as portas e que os milagres realmente acontecem. Muitos filhos voltam a acreditar em Deus, saem do buraco das drogas, casam; filhos perdidos voltam para casa. As mães começam a experimentar um relacionamento pessoal mais profundo com Cristo e com a sua fé tradicional. Algumas que tinham até abandonado a Igreja voltam para ela.

E os maridos, como eles reagem às mudanças na vida de vocês?
Veronica Williams: Nossos maridos geralmente dão muito apoio. Alguns incentivam as esposas a continuar, especialmente quando vêem a mudança nelas.

Você gostaria de dizer algo a todas as mulheres do mundo neste 8 de março?
Veronica Williams: Confiem no Senhor. Ele ama vocês, ama os seus filhos e pode mudar o que vocês não podem mudar. Estou certa de que ele nos quer pessoas de fé, que levem a esperança a um mundo ferido.

Anita Bourdin