Mafiosos italianos desafiam o papa Francisco depois de serem declarados excomungados

A associação criminosa N'drangheta desvia procissão religiosa para reverenciar um dos seus chefes

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Sergio Mora | 2168 visitas

Uma procissão religiosa transformada em desafio ao papa Francisco e detentos de um presídio de segurança máxima que boicotam a missa: os dois fatos aconteceram na Calábria, região do sul da Itália onde, em visita pastoral, o Santo Padre tinha afirmado que “aqueles que seguiram este mau caminho na vida, como os mafiosos, não estão em comunhão com Deus, mas sim excomungados”.

A notícia da procissão desviada foi divulgada hoje graças à ação dos policiais que acompanhavam o evento. Quando perceberam o que estava acontecendo, eles se afastaram e filmaram o fato, acontecido na última quarta-feira, 2 de julho, no povoado de Oppido Mamertina. Durante a procissão, uma imagem da Virgem Maria era levada sobre andores. Em dado momento, a procissão foi desviada e passou pela casa de um chefe mafioso, onde o andor com Nossa Senhora foi surpreendentemente inclinado para fazer uma reverência ao delinquente.

"Diante dos malfeitores, quem se inclinou foram as pessoas que carregavam a imagem, não a Virgem Maria", declarou à agência ANSA o bispo de Cassano allo Jonio e secretário da Conferência Episcopal Italiana (CEI), dom Nunzio Galantino. "O que aconteceu demostra a grande importância do que o papa Francisco disse em Slibari".

O chefe mafioso em questão é Peppe Mazzagatti, condenado à prisão perpétua por assassinato. Devido à idade de 82 anos, porém, ele está cumprindo a pena em prisão domiciliar.

Neste domingo, 6 de julho, o Ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, afirmou que o fato é “repugnante” e elogiou os policiais que abandonaram a procissão. O vídeo está sendo analisado para que os participantes possam ser identificados.

O povoado de Oppido Mamertina é um bastião da máfia calabresa, conhecida como N'drangheta e envolvida em tráfico de drogas, de armas e de prostituição.

Um dos agentes italianos de combate à máfia na Calábria, Nicola Gratteri, declarou à Associated Press que o desvio da procissão até a casa do mafioso pode ser considerado um "desafio" ao papa Francisco.

Quanto ao segundo acontecimento chamativo, dom Giancarlo Bregantini, arcebispo de Campobasso-Boiano, afirmou em declarações à Radio Vaticano que cerca de 200 detentos do presídio de segurança máxima de Larino não participaram da missa e alegaram que “não faz sentido [participar] se estamos excomungados”. Bregantini declarou que "é surpreendente ver como as palavras do papa incidem nas consciências". O arcebispo informou ainda que o capelão do presídio convidou o bispo local para explicar aos presos o sentido profundo desta frase do papa.