Mais que campeões esportivos, testemunhas de humanidade

Bento XVI exorta atletas olímpicos a não ceder ao risco de "atalhos" como o doping

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Salvatore Cernuzio

VATICANO, terça-feira, 18 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) - Lealdade, respeito pelo próprio corpo, solidariedade, altruísmo, mas também alegria, satisfação e festa. Estes são os requisitos que fazem de um atleta um verdadeiro campeão e um modelo a ser seguido, de acordo com Bento XVI.

O papa recebeu em audiência na manhã de ontem a delegação do Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI) e exortou os atletas medalhistas nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Londres2012 aser verdadeiras testemunhas, elogiando-os pelas suas habilidades técnicas e, acima de tudo, pelas qualidades morais demonstradas durante o evento esportivo internacional.

“No campo”, disse o Santo Padre aos representantes da Itália nos Jogos Olímpicos, “vocês investiram as suas habilidades adquiridas com empenho e rigor, com constância no treino, com a consciência dos seus limites.  A dura disciplina os levou a alcançar grande sucesso, que se traduziu materialmente em 28 medalhas em Londres, sendo oito de ouro”.

“Mas não é o ouro que constrói o atleta”, adverte o papa. “Os atletas não têm apenas que competir e obter resultados”. Todo esporte, amador ou profissional, exige “autêntico desenvolvimento humano, feito de sacrifícios, perseverança, paciência e, acima de tudo, humildade, que não é aplaudida, mas é o segredo da vitória".

Antes do atleta vem a pessoa humana. O esporte deve estar sempre "a serviço da pessoa" e não o contrário. É desta perspectiva que a Igreja sempre avaliou os esportes, disse o papa. O concílio Vaticano II falou do esporte na Gaudium et Spes, inserindo-o no campo da cultura, âmbito "em que se mostra a capacidade de interpretar a vida, as pessoas e os relacionamentos".

O que a Igreja promoveu e continua a promover é uma "cultura do esporte fundamentada no primado da pessoa humana", que hoje é evidenciada pelas numerosas áreas de lazer em oratórios, paróquias e centros juvenis, além das associações desportivas de inspiração cristã, verdadeiras "academias de humanidade" em que se "cultiva o forte desejo de vida e de infinito" nos jovens.

O atleta "que vive integralmente a sua experiência se mantém atento ao plano de Deus para a sua vida", comentou Bento XVI. Nos pensamentos do papa, os atletas são "campeões e testemunhas" que têm uma missão: "ser, para aqueles que os admiram, modelos a imitar".

A mesma missão também cabe aos dirigentes, técnicos e operadores esportivos, chamados a ser "testemunhas da boa humanidade, cooperadores com as famílias e com as instituições de ensino, professores de um esporte sempre justo e limpo".

Neste sentido, prosseguiu o Santo Padre, "a pressão por resultados significativos nunca deve empurrar o atleta para atalhos como o doping", que, na verdade, são "becos sem saída", evitáveis através do trabalho em equipe e do apoio "àqueles que reconhecem que erraram, para se sentirem acolhidos e ajudados".

O verdadeiro objetivo do esporte neste Ano da Fé, afirmou o papa, é educar a pessoa "na competitividade espiritual": viver cada dia "fazendo o bem vencer o mal, a verdade vencer a mentira, o amor vencer o ódio, e tudo isso, em primeiro lugar, dentro de si mesmos".

No contexto da nova evangelização, o mundo do esporte pode se tornar "um moderno pátio dos gentios", uma "oportunidade de ouro para o encontro aberto de crentes e não crentes, onde se experimenta a alegria e a luta para conhecer pessoas de diferentes culturas, línguas e orientações religiosas".

Bento XVI concluiu seu discurso recordando a figura "luminosa" do beato Pier Giorgio Frassati, "um jovem que uniu a paixão pelo esporte e a paixão por Deus". O exemplo do beato, concluiu o papa, "nos mostra que ser cristãos é amar a vida, a natureza, mas principalmente amar o próximo, em especial aqueles em necessidade".