Mamberti a G8: cumprir compromissos com desenvolvimento

Intervenção na Assembleia Geral da ONU

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NOVA IORQUE, domingo, 2 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – Através do discurso de Dom Dominique Mamberti, secretário para as Relações com os Estados, a Santa Sé pediu ao G8, na 66ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que cumprisse os compromissos assumidos nos últimos anos com o desenvolvimento mundial.

“A Santa Sé encoraja o reforço da ajuda pública ao desenvolvimento, em conformidade com os compromissos assumidos em Gleneagles.” Naquela cidade escocesa, os países do G8 se comprometeram em 2005 a aumentar sua ajuda à África em 25 bilhões de dólares, mas a promessa não foi cumprida. “A minha delegação tem a esperança de que as discussões sobre este assunto tenham os resultados esperados”.

O representante da Santa Sé indicou que as atividades econômicas e comerciais orientadas ao desenvolvimento “deveriam diminuir de fato a pobreza e aliviar os sofrimentos dos mais desprotegidos”.

Ele reiterou ainda, em nome da Santa Sé, “a importância de uma nova e profunda reflexão sobre o sentido da economia e dos seus objetivos, assim como uma revisão clara da arquitetura financeira e comercial global para corrigir os problemas de funcionamento e suas distorções”.

“Esta revisão das regras econômicas internacionais deve se integrar na elaboração de um novo modelo global de desenvolvimento”, afirmou. “A saúde ecológica do planeta exige isto, assim como a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas são evidentes faz tempo, em todos os lugares.

O representante da Santa Sé fez votos de que essa reflexão inspire as sessões de trabalho da Conferência da ONU sobre o desenvolvimento sustentável (Rio+20), do próximo mês de junho.

Dom Mamberti destacou que o ser humano deve ser o centro das preocupações com o desenvolvimento sustentável, orientado pela consciência de que todos fazem parte de uma “família de nações”.

“Uma família é por natureza uma comunidade fundada na interdependência, na confiança e na ajuda mútua, no respeito sincero. Seu pleno desenvolvimento não se baseia na supremacia do mais forte, mas na atenção ao mais frágil e marginalizado, e a sua responsabilidade se estende às gerações futuras”.

Dom Mamberti se referiu também à Conferência da ONU para analisar o Tratado sobre o Comércio de Armas (TCA), prevista para 2012. “Um comércio de armas não regulamentado nem transparente tem graves repercussões negativas. A comunidade internacional deve construir um Tratado para o Comércio de Armas efetivo e aplicável, consciente do grande número de pessoas afetadas pelo comércio ilegal de armas e munições, assim como dos seus sofrimentos”.

Mamberti também abordou a necessidade de decisões valentes para superar o conflito palestino, a defesa da liberdade religiosa e o verdadeiro sentido de uma intervenção militar