Manifestação na Polônia e em Bruxelas para defender o direito de TV católica

Tv trwan pede o direito de transmissão na plataforma digital

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ROMA, segunda-feira, 18 de junho de 2012(ZENIT.org) A história de como forças políticas e ideológicas dominantes na Polônia, reduzem a liberdade de informação procurando limitar a transmissão da única rede de TV católica do país é pouco conhecida.

Infelizmente, a cristofobia parece estar na moda no mundo liberal-radical da mídia, porque, como dizia o professor de comunicação Henry Jenks, o novo anticatolicismo continua o único preconceito aceitável.

Mas o que realmente acontece na Polônia? Recordemos os fatos:

Em 19 de dezembro de 2011 o Conselho Nacional de Radio e Televisão Polonesa (em polonês KRRiT) não concedeu à única TV católica do país um espaço na plataforma digital que, a partir de 2013 garante aos poloneses o acesso gratuito a uma série de emissoras de TV.

Janeiro de 2012, a Fundação Lux Veritais, propritária da TV Trwam, recorreu contra esta decisão no Tribunal administrativo de Varsavia.

Em 30 de janeiro de 2012, o partido Direito e Justiça (PIS) de Jaroslaw Kaczynski, morto tragicamente em um acidente aéreo, apresentou uma ação no Tribunal do Estado e a alguns membros do Conselho Nacional de Rádio e Televisão (KRRiT).

Enquanto isso, os deputados poloneses no Parlamento Europeu: Miroslaw Piotrowski, histórico, professor da Universidade Católica de Lublino e Zbigniew Ziobro, ex-ministro da justiça, junto a outros parlamentares do partido “Polônia Solidária” e “Direito e Justiça” apresentaram um pedido à Comissão Européia, questionando o que poderia ser feito para garantir a transparência no processo de concessão de freqüência na plataforma digital, e para o respeito ao princípio de igualdade dos intervenientes no mercado polonês dos meios de comunicação.

Segundo o professor Protrowski, a decisão do KRRiT vai contra o respeito dos valores fundamentais da União Européia, dentre os quais o princípio da não discriminação por motivos religiosos.

O deputado Ziobro; exigindo a mudança da injusta e danosa decisão do KRRiT, destacou que “não é aceitável que uma instituição estatal descrimine uma emissora católica, que tem um posicionamento consolidado, é estimada e respeitada, e cuja programação enriquece o telespectador com uma visão da vida inspirada nos ensinamentos morais e sociais da Igreja.

A sociedade polonesa não aceitou a injusta decisão. Mais de dois milhões de pessoas assinaram uma petição contra a decisão do Conselho Nacional de Rádio e Televisão.

Diante dos protestos populares os representantes do KRRiT responderam de modo insolente afirmando que cartas de protesto não contam.

Em defesa da TV Trwam muitas empresas se uniram, incluindo a Associação dos Jornalistas Católicos Polacos. No comunicado por eles enviado lê-se: “a negação do espaço na plataforma digital à única televisão católica está em contradição com o princípio do estado democrático: a liberdade da palavra, o pluralismo de opinião e a liberdade de expressão; o mesmo acesso para todos os meios técnicos que permitem expressar as diversas opiniões”.

A conferência episcopal polaca preparou um apelo destacando que a exclusão de uma emissora de caráter religioso infringe o principio do pluralismo e da igualdade perante a lei.

O Bispo emérito de Lomza, Dom Stanislaw Stefanek, lembrou que as mais de dois milhões de assinaturas em defesa da Televisão Trwam demonstram que a “nossa sociedade está acordando e cresce no senso de responsabilidade”.

A não abertura das autoridades polonesas a qualquer protesto dos cidadãos terminou por mudar a luta pelo pluralismo midiático da Polônia para Bruxelas: dia 5 de junho um grupo de políticos polacos organizou no Parlamento Europeu, o assim chamado “public hearing”, um debate publico, com o escopo de mostrar aos parlamentares e jornalistas europeus a história da discriminação da única televisão católica na Polônia.

O principal organizador do debate, professor Miroslaw Piotrowski, disse que: “o tratado de Lisboa deu à Polônia a cidadania UE, agora os problemas poloneses são resolvidos não apenas na Polônia, mas também a nível europeu.

Em entrevista ao jornal polaco “Niedziela” (O domingo),o Sr Tadesz Rydzyk, diretor da TV católica, lembrou que o ex-presidente Alesander Kwasniewski, comentando sobre o caso da televisão católica Kwasniewski, disse: "se eu estivesse ainda no poder, os padres redentoristas (emissores da Rádio Maria, e a TV Trwan depende da província polaca dos redentoristas) teriam recebido o justo espaço na plataforma digital. Mesmo eu pessoalmente não assistindo à TV Trwam, em uma sociedade pluralista também esta TV teria seu lugar”.

Deveria ser objeto de reflexão que o ex-chefe da juventude comunista e ex-presidente comunista da Polônia, possa dar lição de democracia aos governantes polacos.

(Tradução:MEM)