Marcha pela Água alerta contra ameaças aos recursos hídricos no Peru

Celam pede vigilância permanente

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LIMA, quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012 (ZENIT.org) - A Marcha pela Água chegou a Lima de forma pacífica. Trata-se de centenas de manifestantes que caminharam durante nove dias desde as aldeias de Cajamarca, a 870 quilômetros da capital, para expor pessoalmente às autoridades os efeitos da indústria da mineração na água e o seu impacto na vida da população.

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O objetivo dos manifestantes é entregar ao Congresso uma proposta legal para impedir a atividade mineradora nas cabeceiras dos rios e nas nascentes glaciais. Analistas destacam a necessidade de uma política nacional para o uso e o tratamento das águas.

O presidente do departamento de Justiça e Solidariedade do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), Dom Pedro Barreto, S.J., destacou que a Grande Marcha Nacional da Água “é o reconhecimento e a sensibilidade que a sociedade civil tem quanto à água, um dos elementos que o homem não pode criar, apesar de todo o seu desenvolvimento”.

Barreto, que é arcebispo de Huancayo e vice-presidente da Conferência Episcopal Peruana, recordou que o uso da água pelas empresas mineradoras contamina o recurso hídrico, afetando a saúde e a vida da população. “A irresponsabilidade das empresas mineradoras não pode ser permitida”, afirmou o prelado. “Nós temos que continuar promovendo uma atividade mineradora e uma agricultura adequada. Para isto, sempre será importante uma vigilância cívica responsável", afirmou.

 De acordo com as informações do Celam, a marcha foi acompanhada por uma missão de observadores internacionais e peruanos, liderada por Pedro Arrojo, doutor em Ciências Físicas pela Universidade de Zaragoza, na Espanha, e professor emérito do Departamento de Análises Econômicas da mesma universidade. A missão informará sobre os resultados da marcha e acompanhará de maneira independente e objetiva as causas que motivam os conflitos relacionados com a gestão da água, dos rios, dos lagos e dos aquíferos no Peru.