Maria, a Virgem Sacerdotisa ?

Pe. Rafael Maria, osb, aborda o tema do sacerdócio de Nossa Senhora

Recife, (Zenit.org) Pe. Rafael Maria, osb | 684 visitas

Em uma das lições do nosso «Curso de Cultura Mariológica I» (cf. www.cursoscatolicos.com.br), abordamos o tema de estudo sobre o sacerdócio de Nossa Senhora e que desejamos compartilhar agora em síntese.

Um tema antigo e que foi tema na Sorbone (França) de tese doutoral volta, procuramos explorar para entender seu sentido teológico. O caminho iluminativo é o da simbologia de alguns animais que eram utilizados como sacrifícios no Templo (cf. Lv 21, 17.18.21.23; 22, 20.21.25), aplicados da tempos remotos, a Maria de Nazaré pelos Santos Padres. Tal metáfora depende das metáforas aplicadas a Jesus seu filho: Cordeiro, Touro, Novilho, etc As analogias, não foram refletidas de modo isolado, mas em relação ao sacrifício redentor do Cordeiro Pascal, Jesus Cristo.

Títulos como “Mariaa Cordeira, a Ovelha etc, presente nos escritos e pensamentos de diversos autores do Oriente e do Ocidente, se inicia no século II sempre em contexto litúrgico. É muito sugestivo, pois vemos que a Theotókos, na exegese patrística é colocada ao nível de colaboradora, sócia, discípula e companheira no sacrifício redentor do Cordeiro Imaculado (1Pd 1,19; Ex 12,5). Tal associação aplicada a Maria, não quer de modo algum dizer que ela está ao nível do único sacrifício redentor de Cristo, mas nos indica o testemunho dos autores antigos de que, com seu exemplo de unir-se como serva e discípula ao sacrifício do Filho, sua função de cooperadora na obra da salvação é única em modo perfeito na história da salvação.

Tomamos como ponto de estudos a exegese patrística tão rica em símbolos e teologia mariana, rica de espiritualidade e aprofundamento para a vida da comunidade eclesial de ontem e de hoje. Nesta perspectiva Maria é vista como a mulher Eucarística e Sacerdotal por excelência: a primeira na comunidade dos fiéis a Cristo, a Virgem da escuta da Palavra de Deus, a que preparou a vítima para o sacrifício associando-se em modo pleno e definitivo a obra da salvação (Marialis Cultus 17-18.20-21), assim como modelo sacerdotal.

O presente trabalho se volta à missão de todo sacerdote e tomamos a figura de Maria, Mãe do Eterno Sacerdote Jesus Cristo. Ela é o modelo da vida sacerdotal e o Refugium peccatorum, aquela que ajuda o povo de Deus e sacerdotal a progredir passo a passo no caminho da conversão e da salvação.

O que dizer deste belo panorama da exegese patrística e da tradição da Igreja sobre Maria, mulher Eucarística e Sacerdotal? Na nossa pobre visão de povo sacerdotal não podemos negar que Maria foi e é a única na história da salvação que nos estimula, nos encoraja a seguir o Sumo e eterno Sacerdote, Salvador do gênero humano. Ela a primeira no discipulado se associa no único sacrifico do Redentor como modelo perfeito de serviço na doação imaculada e perene na causa da obra da salvação do seu Filho.

Maria como a primeira na comunidade dos filhos de Deus dispersos é a mulher Eucarística por excelência. Mulher de perene ação de graças pela obra estabelecida e consumada por Jesus Cristo. Mulher sacerdotal que escuta e vive a palavra das Escrituras em forma categórica e incondicional, cooperando assim ao projeto de Deus. Mulher sacerdotal na oferta do seu único Filho no patíbulo da cruz e na oferta de si mesma à luz do Servo sofredor (Lc 1,26; Jo 19,25-27). Mulher sacerdotal que insiste e persiste a convidar o povo de Deus sacerdotal em se oferecer como vítima de colaboração na obra do Cordeiro Imolado.

As mariofanias reconhecidas oficialmente pela Igreja, nada mais são que o exercício deste sacerdócio mariano presente em todos os cristãos batizados. Nossa Senhora insiste na conversão e reconciliação, na oferta de si mesmos para expiar e contribuir no plano salvífico do Senhor. Tais convites à luz da palavra e da tradição é o exercício sacerdotal mariano que estimula o povo de Deus: leigos, sacerdotes e bispos, a tomarem parte e decisão firme no serviço do Senhor e salvar os irmãos dispersos.

A Igreja reconhece a verdade do sacerdócio mariano e oferece ao povo de Deus uma fórmula de oração fundamentando-se na crença de autores antigos renomados, assim como a voz do magistério. É ela que nos emprestam sua voz neste louvor à Virgem Sacerdotal.

ORAÇÃO A MARIA “VIRGO SACERDOS”
indulgenciada por S. Pio X

Ó Maria, Mãe de misericórdia, Mãe e Filha daquele que é Pai das misericórdias e Deus de toda consolação [Ricardo de S. Lourenço], Dispensadora dos tesouros do teu Filho [S. Bernardino de Sena], Ministra de Deus [S. Bernardino de Buste] Mãe do Sumo Sacerdote Cristo, e Tu ao mesmo tempo Sacerdote e Altar [S. Epifânio de Salamina], Templo imaculado do Verbo de Deus [Blósio], Mestra dos Apóstolos e dos Discípulos de Cristo [S. Tomás de Vilanova], protege o Sumo Pontífice, intercedei por nós e pelos nossos Sacerdotes, afim que o Sumo-sacerdote Cristo Jesus purifique os nossos corações, e possamos assim nos aproximar dignamente e plenamente do seu sagrado altar.

Ó Virgem Imaculada, que não só nos destes o Pão do céu, Cristo, para remissão dos pecados [S. Epifânio de Salamina], mas tu mesma és Vítima imolada aceitíssima por Deus [S. André de Creta] e glória do Sacerdócio [S. Efrém]! e que, por testemunho do bem-aventurado servo S. Antonino “ainda que não revestida do sacramento da Ordem, fostes todavia repleta de toda dignidade e graças, que tal Sacramento confere, disto com razão te se dá o título de Virgem e Sacerdote” [Carta de SS. Pio IX, 25/08/1873]; olha para nós piedosamente e aos sacerdotes de teu Filho; salvai-nos, purificai-nos e santificai-nos, a fim que possamos santamente participar dos tesouros inefáveis dos Sacramentos, e merecer conseguir a eterna saúde das nossas almas. Assim seja.

Ó Mãe de Misericórdia, Mãe do Eterno Sacerdote, rogai por nós.

 (Concedemos 300 dias de indulgencia a todos que recitarem com piedade e devoção esta oração)

9 de Maio de 1906. Pius P. P. X.