Maria, estrela da primeira e da nova evangelização (Primeira parte)

A festa da Imaculada Conceição de Maria no Ano da Fé

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Pe. Giuseppe Buono, PIME

ROMA, quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) – Ao se aproximar a festa da Imaculada Conceição, neste Ano da Fé, queremos recordar algumas expressões do amor de Bento XVI e de João Paulo II por Nossa Senhora.

Bento XVI

O papa confiou a Maria o sucesso espiritual do Ano da Fé na carta apostólica Porta Fidei: "Confiamos este tempo de graça à Mãe de Deus, proclamada bendita porque acreditou (Lc 1,45)" [1].

Ele já havia mencionado anteriormente a fé de Maria: "Pela fé, Maria acolheu as palavras do anjo e acreditou no anúncio de que seria a Mãe de Deus. Visitando Isabel, elevou seu hino de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que ele fez em quem nele confiou. Deu à luz, com alegria, o seu Filho único, mantendo intacta a sua virgindade" [2].

Sua contínua referência a Maria, Mãe da Igreja, é peculiar nos escritos de seu magistério.

Em sua primeira encíclica, Deus caritas est, do natal de 2005, ele tece um elogio denso de teologia e de amor a Maria, em seu papel associado à obra redentora do Filho. "Entre os santos, sobressai Maria, a Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. No evangelho de Lucas, encontramo-la empenhada num serviço de caridade à prima Isabel, junto de quem permanece durante cerca de três meses (1, 56) para auxiliar na fase final da sua gravidez. ‘Magnificat anima mea Dominum’, proclama ela nessa visita: ‘a minh’alma engrandece o Senhor’ (1, 46). Ela expressa, assim, o seu programa de toda a vida: não colocar-se no centro, mas dar espaço para Deus tanto na oração quanto no serviço ao próximo: só então é que o mundo se tornará bom. Maria é grande, mas não quer aumentar a si mesma, e sim a Deus. Ela é humilde: não pretende ser nada mais do que a serva do Senhor (cf. Lc 1, 38.48). Ela sabe que contribui para a salvação do mundo não realizando uma obra sua, mas colocando-se totalmente à disposição das iniciativas de Deus. É uma mulher de esperança: só porque ela crê nas promessas de Deus e porque espera a salvação de Israel é que o anjo pode visitá-la e chamá-la ao serviço decisivo daquelas promessas.

Ela é uma mulher de fé: ‘Bem-aventurada és tu que acreditaste’, diz-lhe Isabel (cf. Lc 1,45). O magnificat, retrato da sua alma, é tecido inteiramente de fios da Sagrada Escritura, revelando que na Palavra de Deus ela se sente em casa com toda a naturalidade. Ela fala e pensa com a Palavra de Deus. A Palavra de Deus se torna sua palavra, e sua palavra nasce da Palavra de Deus.

Revela-se ainda que os seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, que a sua vontade é uma só com a vontade de Deus. Impregnada da Palavra de Deus, ela pode tornar-se a Mãe do Verbo Encarnado. Enfim, Maria é uma mulher que ama. Poderia ser diferente?

Como crente, que, na fé, pensa com os pensamentos de Deus e deseja com a vontade de Deus, ela não pode não ser uma mulher que ama. Nós o sentimos em seus gestos silenciosos durante os evangelhos da infância. Na delicadeza com que ela reconhece a necessidade dos esposos de Caná e a expõe a Jesus. Na humildade com que ela se afasta durante o período da vida pública de Jesus, sabendo que o Filho deve fundar uma família nova e que a hora da Mãe chegará apenas na cruz, a verdadeira hora de Jesus (cf. Jo 2,4; 13,1). Então, quando os discípulos tiverem fugido, Maria permanecerá junto da cruz (cf. Jo 19,25-27) e, mais tarde, na hora de Pentecostes, eles se reunirão junto a ela, na espera do o Espírito Santo! (Atos 1,14) [3].

Em Loreto, na homilia da missa de 4 de outubro de 2012, véspera da abertura do Sínodo dos Bispos e do início do Ano da Fé, o papa afirmou: "Queridos irmãos e irmãs, nesta peregrinação que refaz o peregrinar do beato João XXIII, e que acontece, providencialmente, no dia de São Francisco de Assis, verdadeiro evangelho vivo, eu quero confiar à Santa Mãe de Deus todas as dificuldades do nosso mundo que está em busca de serenidade e de paz, bem como os problemas de tantas famílias que olham para o futuro com preocupação, os desejos dos jovens que se abrem para a vida, o sofrimento de quem espera gestos e escolhas de solidariedade e de amor. Eu gostaria de confiar à Mãe de Deus este tempo especial de graça para a Igreja, que se abre diante de nós. Maria, Mãe do sim, que ouviste Jesus, fala-nos dele, conta-nos da tua estrada para segui-lo na fé, ajuda-nos a proclamá-lo, para que cada homem aceite e se torne um lugar de habitação de Deus. Amém".

Na homilia da missa do último dia do ano de 2006, ele convidou: "Peçamos que a Mãe de Deus nos consiga o dom de uma fé madura: fé que gostaríamos que fosse o mais possível parecida com a dela. Uma fé clara, genuína, humilde e corajosa, cheia de esperança e de entusiasmo pelo Reino de Deus, uma fé desprovida de todo fatalismo e totalmente disposta a cooperar em obediência plena e alegre com a vontade divina, na certeza absoluta de que Deus não quer nada mais do que amor e vida, sempre e para todos. Alcança-nos, ó Maria, uma fé autêntica e pura!"
 
NOTAS
[1] Porta fidei, cit. 13.
[2] Ibid, 15.
[3] Idem, Deus Caritas Est, 41.

(Trad.ZENIT)