Maria no «Ano da Fé»

Não existe na história da Igreja e da teologia, alguém além da Virgem Maria, que concentra em si todo o projeto de Deus na salvação do gênero humano.

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Rafael Maria, osb | 2037 visitas

O «Ano da Fé» proclamado pelo Papa Bento XVI no dia 11 de Outubro de 2012, e que vai até o próximo ano de 2013, nos orienta a ver em Maria o modelo perfeito do seguimento de Cristo. Na Nova Evangelização, Maria é a Estrela que nos conduz a assimilação coerente do Evangelho de Cristo. Nossa Senhora é por excelência o “Evangelho vivo”. Nela se concentra toda a atenção da Igreja, pois de modo perfeito foi a primeira discípula de Cristo na fé e na ação. O culto a Maria de Nazaré perdura á dois mil anos, seja por escrito como também celebrativo. A liturgia mariana é cristológica e eclesiológica. As celebrações mariana na liturgia oficial da Igreja não é um cultuar a pessoa humana da Kekaritomene (Cheia de graça), mas a ação salvífica trinitária da qual a escolheu para uma cooperação impar na história humana.

Sabiamente, a Igreja nos apresenta celebrações importantes durante o Ano Litúrgico onde se concentram os importantes mistérios da vida da Virgem e seus aspectos cristológicos como a sua Imaculada Conceição, sua Virgindade perpétua. Tais mistérios se concentram na Maternidade divina que recebe do Deus Uno e Trino seu prêmio de fidelidade na sua Assunção gloriosa. Como se sabe tudo o que aconteceu com a Virgem Maria diz respeito a Igreja que somos nós e por isto a Igreja celebra já aqui e agora o nosso futuro.

Não existe na história da Igreja e da teologia, alguém além da Virgem Maria, que concentra em si todo o projeto de Deus na salvação do gênero humano.

No caminho celebrativo do 50º do Concílio Vaticano II, uma constante formação mariológica se subtrai nas celebrações para 2014 como, a proclamação de Maria, como «Mãe da Igreja», pelo papa Paulo VI (1964), que foi fruto dos esforços do episcopado brasileiro durante o Concílio; os 40 anos da publicação da Carta Encíclica Marialis Cultus (1974) do papa Paulo VI. Um compêndio de máxima importação na orientação do culto litúrgico e popular à Virgem Maria. Documento iluminante que foi consequência do solene e importante documento pós conciliar Vaticano II, a Constituição Apostólica Lumen Gentium, capítulo VIII dedicado exclusivamente a Maria no mistério de Cristo e da Igreja e que em 2014 completará seu cinquentenário (1964). No caminho pós Concílio aurimos luz para uma constante formação mariológica, onde comemoraremos em 2014, os 160 anos da proclamação do dogma da Imaculada Conceição pelo papa Pio IX com a Encíclica Inefabilis Deus (1854).

No contexto brasileiro temos algumas comemorações indicativas e que para muitos é desconhecida. Para 2013 temos os 455 anos da chegada ao Brasil da invocação de Nossa Senhora dos Prazeres na cidade de Vitória, Estado do Espírito Santo (1558), conhecida como Nossa Senhora da Penha. Única invocação mariana no mundo onde celebra uma festa litúrgica á «Alegria de Maria na ressurreição do Senhor» no período pascal.

Ainda em 2014 temos os 480 anos do nascimento do primeiro mariólogo vindo às terras de Santa Cruz, o apóstolo do Brasil, o beato José de Anchieta (1584); os 360 anos da expulsão dos Holandeses (1654) sob invocação a Nossa Senhora dos Prazeres ou das Alegrias nos Montes Guararapes (Pernambuco). Tal invocação, como aquela de Vitória do Espirito Santo é celebrada na Páscoa. Assim, os 110 anos da coroação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida como Rainha do Brasil (1904).

Dom Rafael Maria é beneditino e doutor em Mariologia, leciona um «Curso de Mariologia» via internet (cf. www.cursoscatolicos.com.br). Para maiores informações:  d.rafaelmariaosb@hotmail.com