Martín Valverde: "No geral, e em especial na América, a reação de ver uma pessoa simples e normal no Papado é de grande alegria"

Acompanhe a conversa de ZENIT com esse grande músico e cantor católico, Martín Valverde, que há mais de 30 anos evangeliza com os dons que Deus lhe deu

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 473 visitas

Há mais de 30 anos transformou um dom natural à música no seu instrumento de evangelização. As estatísticas dos seus eventos nos últimos 5 anos dizem que realizou 533 concertos nacionais e internacionais em 23 países e atualmente é diretor de Producciones Dynamis (México), empresa que fundou junto com a sua esposa; e ainda tem três filhos e conserva uma fé fresca como se tivesse se tornado cristão hoje.

Estamos falando de Martín Valverde, músico e cantor católico dedicado a levar a mensagem de fé com um estilo contemporâneo, por meio de concertos, produções musicais, de formação e participando nos meios católicos e seculares no México e no exterior.

Nascido na Costa Rica, naturalizado Mexicano, casado e com três filhos, Martín concedeu a ZENIT uma entrevista no dia do seu aniversário de 51 anos de vida. Que maravilhoso é escutar a experiência missionária de alguém com o seu porte evangelizador. Poucos são os jovens e adultos de hoje que nunca cantaram ou ouviram “Ninguém te ama como eu” ou outras das suas canções.

Nessa conversa com ZENIT, Martín abre o seu coração sobre diversos temas: a visão que o mundo tem do Papa Francisco, reflexões profundas que espelham a sua experiência de missionário internacional e temas de fé, que lhe permitiram conservar a fé até hoje.

Acompanhe a seguir a primeira parte dessa conversa:

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ZENIT: Martín, você é um músico missionário que viaja pelo mundo pregando o evangelho. Nestas caminhadas você também capta o sentir das pessoas sobre a Igreja. O que é que você escuta falar sobre o Papa Francisco?

Martín: A pergunta é boa, porque sociologicamente os comentários são muito variados, na sua grande maioria positivos com relação ao Papa. Mas há uma real e grande diferença entre o Papa e a Igreja, especialmente em lugares onde a Igreja tem todos os sintomas que o mesmo Papa critica com tanta fina sabedoria... como o ser uma ALFÂNDEGA, em vez de uma facilitadora para os fiéis. Já era hora de que Roma percebesse como o mundo a vê, e a figura do Papa Francisco está limpando com alegria essa imagem.

No geral, e em especial na América, a reação de ver uma pessoa simples e normal no Papado é de grande alegria. É toda uma surpresa ver como se desenvolve uma reforma tão saudável a partir do papado, o que não acontecia há muito tempo. É necessário agora conseguir um vínculo entre a simpatia e o conhecimento, para que, além de se admirar, as pessoas possam se aproximar dos seus escritos e cartas.

ZENIT: Você prega a Cristo, que fundou a Igreja e é dono dela. Como é ser um pregador e viver disso, no caso de você viver apenas disso?

Martín: Historicamente, quando tiramos o meu xará Martín Lutero da Igreja, ele conseguiu levar consigo o violão e a música em sua bagagem, e tem sido toda uma travessia voltar a trazer a música e o seu conceito de volta a casa. Sabendo e esclarecendo que ao falar de música católica falamos de uma gama muito ampla de serviços. Desde a da Litúrgica até a da Evangelização, que é especificamente a minha área. Dom Bosco costumava dizer, há 100 anos!, que “a Igreja sem música é como um corpo sem alma".  Ainda hoje, é inconcebível, para muitos dentro de Casa, que seja possível que existam músicos que possamos viver saudável e equilibradamente deste serviço. Confunde-se o fato de somente fazer negócios com as coisas de Deus ao fazer das coisas de Deus uma empresa saudável que dê tudo o que se precisa para este trabalho específico: desde cordas de violão, grandes sons, até grandes patrocínios de shows em áreas e países que não podem pagar uma atividade como é um concerto, por exemplo. Anos atrás, conversando com o então cardeal de Guadalajara, Dom Juan Sandoval, ele me deu instruções de viver dignamente do meu trabalho (sou músico por si só), e de prestar sempre um serviço pronto e imediato para as necessidades das comunidades da Igreja em todo o mundo. A música na fé é um chamado, mas não deixa de ser uma profissão, se eu não fosse católico que toca música, seria músico em si, e disso se trata; se não se fala nada sobre os médicos e engenheiros, não vejo motivo para diferenciar os músicos. Isso sim, pelos frutos que se conheçam a todos, hoje, 32 anos depois, essa perseverança em Deus passa a ser nossa melhor prova de chamado.

ZENIT: Você é casado, tem família? O que pensa sobre a sua vida e missão?

Martín: Felizmente casado há 27 anos, e cada um dos membros da minha família é parte vital do meu chamado, se eles não estão bem, eu não funciono. Já dizia Paulo que aquele que não consegue ordenar a sua casa não conseguirá arrumar a de Deus. Fica mais que claro que casei-me com uma campeã na fé, uma “missionária de  retaguarda”, como ela também fala de si mesma. Por exemplo, desde pequenos, aos meus filhos, nunca falamos que o papai sai de viagem para as coisas de Deus, porque se o tivéssemos feito, teríamos criado um vínculo real entre Deus = papai não está. O dado era que eu ia trabalhar. Já quando foram crescendo foi possível dar-lhes mais o contexto da Missão. Tudo isso porque simplesmente “a vocação não é hereditária", eles tinham o direito de encontrar a sua vocação sem que a minha absorvesse a deles. Para a minha esposa e para mim, não existe tal coisa como Meu apostolado. É NOSSO chamado como pessoas e matrimônio. Hoje, já com os filhos grandes retomamos um trabalho juntos como casal dando palestras para matrimônios em muitos lugares. A minha esposa, Lizzy, em si, é uma psicóloga e trabalha com matrimônios em crise todas as semanas (por sinal, parece ser alta temporada). De extra especial, nosso terceiro filho, o caçula, é um pequenininho com paralisia cerebral, pelo qual temos outro universo no qual nos desenvolvemos como pais e seres humanos, por se fosse pouco.

(Entrevista, edição e tradução ao português por Thácio Siqueira)