Martírio é testemunho mais forte de nossa fé, diz cardeal

Dom Eusébio Scheid recorda exemplos de Albertina e padre Manuel e coroinha Adílio

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RIO DE JANEIRO, quarta-feira, 14 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Ao recordar os exemplos de Albertina Berkenbrock e do padre Manuel e coroinha Adílio, beatificados em outubro passado no Brasil, o arcebispo do Rio de Janeiro afirma que «o martírio é o testemunho mais forte de nossa fé, de nosso amor a Deus, enfim, de santidade».



Em mensagem aos fiéis difundida dia 6 passado pelo site de sua arquidiocese, o cardeal Eusébio Scheid lembra que o martírio «consiste em derramar o próprio sangue, com tudo o que isso possa representar de sofrimento e de dor, até à entrega da própria vida».

«O martírio é sempre uma crueldade. Aceitá-lo com heroísmo transcende os critérios e as forças humanas. Entra na esfera divinal. Por isso, quando pensamos nos corajosos mártires, não podemos deixar de louvar a grandeza de Deus, que se manifesta na nossa pequenez, pela fortaleza que nos infunde, na hora dos sofrimentos», afirma o arcebispo.

Dom Eusébio lembra então o ano de 1991, quando ele era arcebispo de Florianópolis e ali foi anfitrião do Papa João Paulo II, que veio ao Brasil para beatificar a hoje já santa Madre Paulina.

Naquela ocasião, durante a celebração eucarística o Papa afirmou: “O Brasil precisa de muitos santos”.

Assim, o cardeal recorda que no mês passado, «tivemos a alegria de ganhar três novos beatos, todos mártires»: Albertina Berkenbrock, de Santa Catarina, o coroinha gaúcho Adílio Daronch e o padre espanhol Manuel Gómez González.

Segundo o arcebispo do Rio de Janeiro a beatificação que mais o emocionou foi a de Albertina Berkenbrock.

«Considero-me muito afeiçoado a ela, porque acompanhei a sua história, no meu tempo de estudante. Até hoje, este relato me impressiona. Tive, também, a oportunidade de ler todo o seu processo, ao vasculhar nos arquivos da Arquidiocese de Florianópolis.»

Nascida em 1919, no município de Imaruí, perto de Laguna, em uma família muito católica, Albertina foi morta a facadas em 1931, ao resistir à agressão de um homem que tentou violá-la.

«A formação religiosa de nossa jovem Beata foi breve, pois  morreu em 1931, com apenas 12 anos de idade. Albertina conhecia o Catecismo e um pouco da História Sagrada, mas o Senhor considerou-a já amadurecida para contemplá-lo face a face e adentrar os mais profundos e deslumbrantes mistérios da nossa Fé», afirma Dom Eusébio.

Já no nordeste gaúcho, Diocese de Frederico Westphalen, na fronteira com a Argentina, foram beatificados o Pe. Manuel Gómez González, missionário espanhol, que exercia sua missão em toda aquela região, e um jovem brasileiro que o acompanhava – o coroinha Adílio Daronch, mártir aos 16 anos de idade.

«A data, 1924, pertence à época da Revolução que se alastrou pela região do Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, palco de terríveis lutas entre “Chimangos” e Maragatos”, caracterizadas por ódio à Igreja e anticlericalismo», explica o arcebispo.

Na cidade atualmente conhecida como Três Passos, Manuel González e Adílio Daronch foram martirizados, com requintes de crueldade: amarrados em árvores no mato e mortos a tiros de fuzil.

«Ficaram 3 dias pendurados nas árvores, sem que seus corpos se corrompessem, o que já caracterizaria um milagre.»

«Os mártires sempre deixam exemplos de valor inestimável para todos nós. Através de Albertina Berkenbrock e de Adílio Daronch, a luz de Cristo brilha como um farol, a orientar para a santidade nossos jovens, tantas vezes desencaminhados pelos modelos enaltecidos na mídia, pela crise de valores do mundo contemporâneo, enfim, pela falta de perspectivas de vida plena», destaca o cardeal Scheid.

«Rogamos aos novos mártires beatificados, que intercedam junto a Deus por todos nós, especialmente pelos adolescentes e jovens. Que saibam encontrar, à luz do exemplo deles, Beatos Pe. González, Albertina e Adílio, o caminho da fidelidade ao Evangelho e a seus apelos de vida modelar, santa e até heróica!»