Medico cura-te a ti mesmo

Meditação da Palavra de Deus - IV Domingo do Tempo Comum

Roma, (Zenit.org) Frei Patrício Sciadini | 1395 visitas

É preciso caminhar. A obra iniciada não pode parar. A libertação anunciada deve ser levada a cumprimento. Os pobres, os presos, os cegos e todos os excluídos da sociedade são chamados à salvação. Ninguém pode ser marginalizado no projeto do amor de Deus. Excluir uma única pessoa do anúncio do Evangelho, do anúncio da mensagem de Cristo é antievangélico. Jesus era muito conhecido na pequena aldeia de Nazaré. Ele passou 30 anos com o povo. Todos os dias o viam sair de casa, trabalhar, ir à sinagoga, visitar as pessoas necessitadas, estar sempre pronto no seu serviço. Era um profissional capacitado e honesto no que fazia. São Justino diz: “Jesus deve ter feito muita relha de arado, consertado jugos de boi e feito charretes”.

“Não é este o filho de José...”

É importante pensar como Jesus não mostrou e não se serviu do seu ser Filho de Deus para adquirir privilégio ou para manifestar o seu poder, mas, na humildade, no silêncio, era “como os outros”, assumiu a nossa natureza humana, menos o pecado. Vemos Jesus cansado, sofrido e chorando com os que estão debaixo do peso da dor. Não nos admira que todos estavam maravilhados ao ver Jesus assumir a liderança e o ministério da Palavra na sinagoga, interpretando as Escrituras. “Não é este o filho de José...” Assim acontece também com cada um de nós quando, dentro do nosso ambiente de trabalho, de vida, assumimos atitudes de pessoas convertidas, apaixonadas pelo Reino, deixando de lado todo o respeito humano. Os outros se maravilham e nos olham com uma certa desconfiança. Não devemos ter medo. Nunca devemos deixar de ser evangelizadores por medo do que os outros vão dizer e pensar de nós.

“Médico, cura-te a ti mesmo!”

Este provérbio, que chega até nós para dizer que uma pessoa antes de pregar deve viver, não se aplica na verdade a Jesus, porque nele há a coerência total e perfeita entre o que diz e o que faz. O povo quer sinais, provoca Jesus para que faça aí na sua terra os milagres que tinha feitoem Cafarnaum. Maspor que não o faz? Não porque não tenha capacidade, mas simplesmente porque Deus não age para agradar os gostos das pessoas, Deus não faz milagres para chamar atenção. Ele não é um mágico que atrai o povo com coisas extraordinárias. Deus só age quando encontra a fé nas pessoas. Não encontrando a fé, não é possível que a graça de Deus opere nos corações. Diante da descrença do povo de Nazaré, Jesus evoca o exemplo de Elias e de Eliseu, que beneficiaram somente a viúva de Sarepta e Naamã, o sírio, porque eles tinham fé. Elias não saiu fazendo milagres a fora, nem Eliseu nem mesmo Jesus. Deus se serve dos que creem para manifestar a sua glória. As palavras de Jesus soaram duras, agressivas e ofensivas aos ouvidos dos que buscavam projeção e queriam matá-lo. Mas Jesus fugiu do meio deles e continuou o seu caminho.

Chamados a abraçar a cruz

O profeta não pode ter medo de desagradar os ouvintes. O anunciador do Evangelho não está preocupado em agradar os que estão ao seu redor, mas em agradar somente a Deus. Quando pregamos, nos deixamos influenciar pelas pessoas que estão à nossa volta ou anunciamos a verdade, mesmo que isso nos acarrete sofrimento e dor? Senhor, agradecemos pela atitude de Jesus que, sem medo da cruz, nos ensina a sermos autênticos e verdadeiros no anúncio da mensagem da Salvação. Todo evangelizador, missionário, amigo de Jesus, se for fiel, é chamado a abraçar a cruz. Dá-me a coragem para nunca dizer não ao teu amor. Amém!

*Meditação a cura de Frei Patrício Sciadini, ocd, da liturgia diária Pão da Vida, gentilmente cedida pelas Edições Shalom. Maiores informações:www.edicoesshalom.com.br