Meditação de final de ano do irmão Alois, de Taizé

No encontro de jovens em Roterdão

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ROMA, sexta-feira, 1º de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos a meditação pronunciada pelo irmão Alois, prior da comunidade ecumênica de Taizé, durante a oração da noite de 31 de dezembro, no encontro que congregou milhares de jovens em Roterdão.

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Hoje, eu gostaria de vos agradecer pela hospitalidade que recebemos aqui em Roterdão e nos arredores. Gostaríamos de agradecer às igrejas de acolhimento e em particular às pessoas que abriram os seus corações e as suas casas para albergar jovens. Obrigado aos responsáveis das Igrejas e a todos os que apoiaram a preparação deste encontro. Obrigado às autoridades civis que deram a sua colaboração.

A alegria, a compaixão e o perdão: estes três valores do Evangelho, que aprofundaram durante estes dias, são realidades intensamente vividas por muitos. Por isso, nós, os irmãos, gostaríamos que elas inspirassem antes de mais a nossa existência e a existência de todos os que acolhemos em Taizé.

Em muitos países do mundo, tornou-se difícil referir-se a Deus. São hoje muitos os que procuram com seriedade um sentido para a sua vida, mas não conseguem acreditar num Deus que os ama pessoalmente. Que Deus os acompanhe parece-lhes algo inconcebível.

Para outros, demasiados sofrimentos tornam impossível a fé. Se Deus existe, por que razão é o mal tão poderoso? Num universo cuja complexidade e infinitude vamos conhecendo melhor, como imaginar uma onipotência divina que se ocuparia quer do universo quer de cada ser humano? Se Deus existe, escuta as nossas orações? Responde-lhes?

Contudo, a questão de Deus parece enraizada no espírito humano. Há, em cada mulher e em cada homem, em cada criança, o desejo de amar e de ser amado, o desejo de ser reconhecido na sua dignidade humana, o desejo de um amor para sempre. Esta aspiração a um «para sempre» não será expressão de uma nostalgia de Deus?

Será possível acreditar em Deus no mundo moderno? A fé apresenta-se hoje, em primeiro lugar, como um risco: o risco da confiança. Para assumir esse risco, não temos capacidades humanas suficientes, nem no coração nem na razão.

Mesmo sendo crentes, nem sempre procuramos suficientemente aprofundar a nossa fé. Por vezes, acontece que um abismo se abre entre os conhecimentos no domínio da fé e os que foram adquiridos em outros domínios. Uma fé que permanece agarrada a expressões aprendidas durante a infância enfrenta com dificuldade os questionamentos da vida adulta.

A procura de uma comunhão pessoal com Deus é então ainda mais importante. Antes de mais, como podemos entrar nela? Como podemos alimentar a nossa esperança nessa comunhão?

Mesmo se compreendemos pouco acerca do Evangelho, podemos procurar saber mais, em primeiro lugar a partir de uma palavra que procuremos pôr em prática. Todos nós podemo-nos perguntar: Qual é para mim a palavra do Evangelho que me toca e que eu gostaria de pôr em prática hoje mesmo e nos próximos tempos?

Cada um de nós pode comunicar aos outros a sua esperança em Cristo; não talvez sempre por palavras, mas antes de mais pela sua própria vida. Acontece então algo surpreendente: é a transmitir a mensagem da ressurreição de Cristo que a compreendemos cada vez melhor. Assim, este mistério vai-se tornando sempre cada vez mais central na nossa existência: ele pode transformar a nossa vida.

Sim: ousemos transmitir aos outros, pela nossa vida, a mensagem do Evangelho, a esperança deste amor para sempre.

E, pouco a pouco, descobrimos que Deus está aqui, muito perto de nós. Pelo seu Espírito, ele habita em nós. E quando estamos próximos de Deus, o dom do acolhimento pode germinar em nós. Acolher os que nos são confiados, dar-lhes um lugar na nossa vida torna-se a nossa principal preocupação. Na oração, tornamo-nos mais sensíveis aos que não estão na sua casa: as crianças abandonadas, os imigrantes, os sem-abrigo.

Um dia, o irmão Roger escreveu: «Nesta comunhão única que é a Igreja, Deus oferece tudo para ir às fontes: o Evangelho, a Eucaristia, a paz do perdão...» E o irmão Roger concluía: «Então, a santidade de Cristo deixa de ser inatingível: ela está aqui, muito próxima».

Como crentes, não seguimos um ideal; seguimos uma pessoa: Cristo. Não estamos sozinhos: ele precede-nos. Cada um de nós, mesmo pobre e vulnerável, é chamado a refletir na sua vida a santidade de Cristo. Cada um de nós pode transmitir à sua volta uma pequena luz como a que iremos transmitir uns aos outros.

E Deus não se cansa de retomar o caminho conosco. Podemos acreditar que é possível uma comunhão com ele e que também podemos nunca nos cansar, nós também não, de termos sempre de retomar o combate, como humildes que se confiam à misericórdia de Deus.

(Tradução: Comunidade de Taizé)