Meditações da Via Sacra no Coliseu

Pelo arcebispo indiano Thomas Menamparampil, SDB

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 10 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos as meditações e orações da Via Sacra presidida por Bento XVI na noite desta Sexta-Feira Santa no Coliseu, em Roma. Os textos foram redigidos por Dom Thomas Menamparampil, SDB, arcebispo de Guwahati, região da Índia onde a Igreja sofreu perseguição religiosa no último ano.

* * *

 

INTRODUÇÃO

O Santo Padre:

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

R. Amém

MEDITAÇÃO

Queridos irmãos e irmãs, viemos cantar juntos um "canto de esperança". Nós queremos afirmar que nem tudo está perdido em tempos difíceis. Quando chegam as más notícias, pouco a pouco, ficamos ansiosos. Quando o infortúnio chega à porta de nossa casa, ficamos abatidos. Quando somos vítimas diretas de um desastre, nossa autoconfiança é totalmente abalada e nossa fé é posta à prova. Mas nem tudo está perdido ainda. Como Jó, buscamos um sentido.  

Nesse esforço temos um modelo. Abraão acreditou e esperou, mesmo quando não havia razões para esperança. Em verdade, em tempos de prova, não vemos razões para crer e esperar. E, ainda assim, acreditamos. E, ainda assim, esperamos. Isso pode acontecer nas nossas vidas pessoais. Isso acontece em toda sociedade.

Nós perguntamos com o Salmista: "Por que te curvas, ó minha alma, gemendo dentro de mim? Espera em Deus." Nós renovamos e fortalecemos nossa fé, e continuamos a acreditar no Senhor. Pois Ele salva aqueles que perderam toda esperança. E essa esperança, afinal, não nos desilude.

É verdadeiramente em Cristo que compreendemos o entendimento completo do sofrimento. Durante esta meditação, enquanto assistimos com angústia ao doloroso lado do sofrimento de Jesus, devemos também estar atentos ao seu valor redentor. Era o plano de Deus que o "Cristo havia de padecer", e que esses sofrimentos devessem ser por nós.  Essa tomada de consciência nos enche de esperança viva. É esta esperança que nos mantém alegres e pacientes nas dificuldades.

Uma jornada de fé e esperança é uma longa jornada espiritual, ao ponderarmos o desígnio último de Deus nos processos cósmicos e nos acontecimentos da história humana. Pois, abaixo da superfície de calamidades devastadoras, guerras, revoluções e todo tipo de conflitos, há uma presença silenciosa, há uma presença divina proposital. Deus permanece escondido no mundo, na sociedade, no Universo. A ciência e a tecnologia revelam as maravilhas de Sua grandeza e de Seu amor: "Não há termos, não há palavras, nenhuma voz que deles se ouça; e por toda terra sua linha aparece, e até aos confins do mundo a sua linguagem". Deus respira esperança.

Deus revela Seus planos por sua "palavra", mostrando como Ele extrai o bem do mal, ambos dos pequenos eventos em nossas vidas pessoais e dos grandes acontecimentos da história humana. Sua "palavra" torna conhecido o "rico e glorioso" plano de Deus, que diz que Ele nos liberta de nossos pecados e que Cristo está em ti

Que esta mensagem de esperança ecoe de Hoang-Ho ao Colorado, do Himalaia aos Alpes e aos Andes, do Mississipi a Brahmaputra. Ela diz: "Sede firmes, fortalecei vosso coração, vós todos que esperais em Iahweh".

ORAÇÃO

O Santo Padre:

Oremos

Segue um momento de silêncio

Deus todo-poderoso

Pelo sofrimento e morte de seu Filho

fortalecei-nos e protegei-nos em nossas fraquezas

Nós vos pedimos por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

R. Amém.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

A agonia de Jesus no Horto das Oliveiras

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas

22: 41-44

"E afastou-se deles mais ou menos a um tiro de pedra, e, dobrando os joelhos, orava. "Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita!" Apareceu-Lhe um anjo do céu, que O confortava. E, cheio de angústia, orava com mais insistência ainda, e o suor se Lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíam por terra."

MEDITAÇÃO

Jesus estava em agonia. Aflição e angústia vieram sobre Ele. O pecado de toda humanidade afligia-o pesadamente.  Mas quanto maior era Sua dor, mais fervorosamente Ele rezava.

A dor sempre permanece um desafio para nós. Sentimo-nos abandonados. Esquecemos de rezar, e desanimamos. Alguns até tiram suas vidas. Mas, se nos voltarmos para Deus, nos fortalecemos espiritualmente e saímos para ajudar nosso próximo em dificuldade.

Jesus continua a sofrer em seus discípulos perseguidos. O Papa Bento XVI diz que mesmo em nossos dias "não faltam à Igreja os mártires". Cristo está em agonia no meio de nós e nos nossos dias.

Rezamos por aqueles que sofrem. O mistério do sofrimento cristão é que ele possuiu um valor redentor. Que as perseguições sofridas pelos fiéis complete neles, os sofrimentos de Cristo que trazem salvação.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, permita-nos sondar profundamente no grande "mistério do mal" e nossa própria contribuição a ele. Assim como os sofrimentos vieram à vida humana pelo pecado, foi seu desígnio que a humanidade fosse salva do pecado pelo sofrimento. Que nenhum dos pequenos incômodos, humilhações, e frustrações que sofremos em nossas vidas diárias e grandes choques que nos pegam de surpresa sejam desperdiçados. Ligadas à vossa própria agonia, que as agonias que suportamos sejam aceitáveis a vós e nos tragam esperança.

Senhor, ensinai-nos aser compassivos, não somente com os famintos, sedentos, doentes ou aqueles que necessitam de um cuidado especial, mas também com aqueles inclinados a ser rudes, críticos e ofensivos. Dessa maneira, assim como nos ajudastes em todas nossas dificuldades, que possamos "consolar os que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus".

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Stabat mater dolorosa,

iuxta crucem lacrimosa,

dum pendebat Filius.

SEGUNDA ESTAÇÃO

Jesus é traído por Judas e refreia a violência de Pedro

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas e segundo São Mateus

22:47-50

26:52,56

"Enquanto ainda falava, eis que chegou uma multidão. À frente estava o chamado Judas, um dos Doze, que se aproximou de Jesus para beijá-lo. Jesus lhe disse: "Judas, com um beijo entregas o Filho do Homem?" Vendo o que estava para acontecer, os que se achavam com Ele disseram-lhe: "Senhor, e se ferirmos à espada?" E um deles feriu o servo do Sumo Sacerdote, decepando-lhe a orelha direita.

Mas Jesus lhe disse: "Guarda a tua espada no seu lugar, pois todos os que pegam a espada pela espada perecerão." Então todos os discípulos, abandonando-O, fugiram."

MEDITAÇÃO

É um de seus amigos fiéis que trai Jesus, e com um beijo. A maneira como Jesus enfrentou a violência se reveste de uma mensagem para os nossos dias. A violência é suicida, Ele fala a Pedro; ela não é vencida com mais violência, mas por uma energia espiritual superior que chega, na forma deamor que cura. Jesus toca o servo do Sumo Sacerdote e o cura. O homem violento, também hoje, pode precisar de um toque de cura que vem de um amor que transcende as questões imediatas.

Em tempos de conflito entre pessoas, grupos étnicos e religiosos, nações, interesses econômicos e políticos, Jesus diz, confrontação e violência não são a resposta, masamor, persuasão e reconciliação. Mesmo quando parecemos falhar nesses esforços, plantamos as sementes da paz que dar fruto no tempo certo. A retidão de nossa causa é a nossa força.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, vós nos considerais vossos amigos, ainda assim notamos traços de infidelidade em nós. Reconhecemos nossas transgressões. Às vezes, somos presunçosos e muito autoconfiantes. E caímos. Não permitais que a avareza, a luxúria ou o orgulho nos peguem de surpresa. Quão levianamente nós seguimos satisfações efêmeras e idéias não comprovadas! Permitais que nós não sejamos jogados de um lado para outro e levados por qualquer vento de doutrina... mas, falando da verdade no amor, cresçamos de todas as maneiras em Cristo, a cabeça.

Que averdade e a sinceridade de propósito sejam nossas forças. Refreai, Senhor, nossa impetuosidade em situações de violência, assim como refreastes o caráter impulsivo de Pedro. Mantende-nos imperturbáveis em espírito diante da oposição e de comportamentos desleais. Convencei-nos de que "uma resposta branda aplaca a ira" em nossas famílias, e de que a "gentileza" combinada com a "sabedoria" restaura a tranqüilidade na sociedade. "Senhor, fazei-me instrumento da Vossa paz."

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Cuius animam gementem,

contristatam et dolentem

pertransivit gladius.

TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus é declarado culpado pelo Sinédrio

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Mateus

26:62-66 

"Levantando-se então o Sumo Sacerdote, disse-lhe: "Nada respondes? O que testemunham estes contra ti? Jesus, porém, ficou calado. E o Sumo Sacerdote lhe disse: "Eu te conjuro pelo Deus Vivo que nos declares se tu és o Cristo, o Filho de Deus". Jesus respondeu: "Tu o disseste. Aliás, eu vos digo que, de ora em diante, vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu". O Sumo Sacerdote então rasgou suas vestes, dizendo: "Blasmefou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Vede: vós ouvistes neste instante a blasfêmia. Que pensais?" Eles responderam: "É réu de morte"."

Meditação

Em toda nação, houve pessoas inocentes que sofreram, pessoas que morreram, lutando por liberdade, igualdade ou justiça. Aqueles que lutam em favor dos pequenos de Deus estão promovendo o próprio trabalho de Deus. Pois Ele clama pelos direitos dos fracos e oprimidos. Qualquer um que colabore nesse trabalho, no espírito de Jesus, traz esperança para o oprimido e oferece uma mensagem corretiva para o que pratica o mal.

A maneira de Jesus de lutar pela justiça não é inflamar a raiva coletiva contra o oponente, para que as pessoas sejam levadas a formas de uma injustiça ainda maior. Pelo contrário, é de desafiar o adversário com a retidão de uma causa e evocar a boa vontade do oponente, de tal forma que se renuncia à injustiça, pela persuasão e pela conversão de coração. Mahatma Gandhi trouxe esses ensinamentos de Jesus, da não-violência, para a vida pública com extraordinário sucesso.

ORAÇÃO

Senhor, frequentemente nós julgamos os outros com pressa, indiferentes às realidades atuais e insensíveis aos sentimentos alheios! Nós desenvolvemos estratagemas de autojustificação e mascaramos a maneira irresponsável com que lidamos com "o outro". Perdoai-nos!

Quando somos pré-julgados e destratados, Senhor, dai-nos a serenidade interior e autoconfiança que o vosso Filho manifestou diante de um tratamento injusto. Afastai-nos de uma resposta agressiva que vá contra o vosso Espírito. Pelo contrário, ajudai-nos a levar vossapalavra de perdão poderosa em situações de tensão e ansiedade, para que ela possa revelar seu poder dinâmico na história

"Em Sua vontade está a nossa paz".

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

O quam tristis et afflicta

fuit illa benedicta

mater Unigeniti!

QUARTA ESTAÇÃO

Jesus é negado por Pedro

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas

22:54-62

"Prenderam-no e levaram-no, introduzindo-o na casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. Tendo eles acendido uma fogueira no do pátio, sentaram-se ao redor, e Pedro sentou-se no meio deles. Ora, uma criada viu-o sentado perto do fogo e, encarando-o, disse: “Este também estava em companhia dele!” Ele, porém, negou: “Mulher, eu não o conheço”. Pouco depois, um outro, tendo-o visto, afirmou: “tu também és um deles!” Mas Pedro declarou: “Homem, não sou”. Decorrida mais ou menos uma hora, outro insistia: “Certamente, este também estava com Ele, pois é Galileu!” Pedro disse: “Homem, não sei o que dizes”. Imediatamente, enquanto ele ainda falava, o galo cantou, e o Senhor, voltando-se, fixou o olhar em Pedro. Pedro então lembrou-se da palavra que o Senhor lhe dissera: “Antes que o galo cante hoje, tu me terás negado três vezes.” E saindo para fora, chorou amargamente."

MEDITAÇÃO

Pedro afirmou ser forte, mas ele desmoronou diante de uma serva. A fraqueza humana nos pega de surpresa, e nós desabamos. É por isso que Jesus nos pede para vigiar e orar. Ele urge à autorrenúncia e à proximidade a Deus.

Há um ser rebelde dentro de nós. Nós temos frequentemente “duas mentes”, mas nós falhamos em reconhecer essa inconsistência interior. Pedro reconheceu-a quando seus olhos se encontraram com os olhos de Jesus, e ele chorou. Depois, Tomé, encontrando o Senhor Ressuscitado, reconheceu sua falta de fé e acreditou.  Na luz de Cristo, Paulo percebeu a inconsistência dentro de si, e ele a superou com a ajuda do Senhor. Indo mais fundo, ele descobriu: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”.

ORAÇÃO

Senhor, quão facilmente nós permitimos que a distância cresça entre o que professamos ser e o que realmente somos! Quão freqüentemente falhamos em manter nossas próprias decisões, ou mesmo cumprir nossas promessas mais solenes! E como resultado, nós freqüentemente hesitamos em fazer qualquer compromisso permanente, mesmo com você!

Nós confessamos que falhamos em trazer para nossa vida a disciplina interior que é esperada de qualquer adulto e necessária para o êxito de qualquer empreitada humana. Dai firmeza à nossa determinação interior; ajudai-nos a levar todo bom trabalho que começamos a uma conclusão feliz. Capacitai-nos a permanecer firmes, como cristãos maduros e completamente convictos, “em plena observância da vontade de Deus”.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Quæ mærebat et dolebat

pia mater, cum videbat

Nati pœnas incliti.

QUINTA ESTAÇÃO

Jesus é julgado por Pilatos

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas

23:22-25

"Pela terceira vez, disse-lhes: “Que mal fez este homem? Nenhum motivo de morte encontrei n'Ele! Por isso vou soltá-Lo depois de O castigar”. Eles, porém, insistiam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado; e seus clamores aumentavam.

Então Pilatos sentenciou que se atendesse ao pedido deles. Soltou aquele que fora posto na prisão por motim e homicídio, e que eles reclamavam. Quanto a Jesus, entregou-O ao arbítrio deles."

MEDITAÇÃO

Não foi aexatidão de uma questão o que importava a Pilatos, mas seus interesses profissionais. Uma atitude assim não o ajudou, seja neste caso seja em sua futura carreira. Ele era muito diferente de Jesus, cuja retidão interior o tornou destemido.

Tampouco Pilatos estava interessado na verdade. Ele se afasta de Jesus exclamando, “O que é a verdade?”. Tamanha indiferença à verdade não é incomum atualmente. As pessoas estão frequentemente preocupadas com o que dá satisfação imediata. Elas estão contentes com respostas superficiais. Decisões são tomadas com base não emprincípios de integridade, mas em considerações oportunistas. Falhar em fazer opções moralmente responsáveis danifica os interesses vitais da pessoa humana, e da família humana. Nós rezamos para que os “conceitos espirituais e étnicos” contidos na palavra de Deus inspirem as normas vivas da sociedade dos nossos dias.

ORAÇÃO

Senhor, dai-nos coragem para tomar decisões responsáveis ao prestar um serviço público. Trazei probidade à vida pública e ajudai-nos a ser verdadeiros à nossa consciência.

Senhor, vós sois a fonte de toda Verdade. Guiai-nos em nossa busca por respostas definitivas. Indo além de explicações parciais e incompletas, possamos buscar aquilo que é permanentemente verdadeiro, belo e bom.

Senhor, mantenha-nos destemidos diante das "fundas e flechas de destino ultrajante". Quando as sombras se aprofundam nos caminhos tediosos da vida e a noite escura se aproxima, permita-nos escutar com atenção os ensinamentos do vosso Apóstolo Paulo: "Vigiai, permanecei firmes na fé, sede corajosos, sede fortes!"

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Quis est homo qui non fleret,

matrem Christi si videret

in tanto supplicio?

SEXTA ESTAÇÃO

Jesus é flagelado e coroado de espinhos

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Mateus

27:26-30

"Quanto a Jesus, depois de açoitá-lo, entregou-o para que fosse crucificado. 

Em seguida, os soldados do governador, levando Jesus para o Pretório, reuniram contra Ele toda a coorte. Despiram-no e puseram-lhe uma capa escarlate. Depois, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em sua cabeça e um caniço na mão direita. E, ajoelhando-se diante dele, diziam-lhe, caçoando: "Salve, rei dos judeus!" E cuspindo n'Ele, tomaram o caniço e batiam-Lhe na cabeça."

MEDITAÇÃO

A desumanidade atinge novas alturas. Jesus é flagelado e coroado de espinhos. A história é cheia de ódio e guerras. Mesmo hoje, testemunhamos atos de violência além do que se possa crer: assassinatos, violência a mulheres e crianças, seqüestros, extorsões, conflitos étnicos, violência urbana, tortura física e mental, violações dos direitos humanos.

Jesus continua a sofrer quando os crentes são perseguidos, quando a justiça é distorcida na corte, a corrupção se enraíza, estruturas injustas trituram os pobres, minorias são suprimidas, refugiados e migrantes são maltratados. As roupas de Jesus são arrancadas quando o ser humano é envergonhado diante das câmeras, quando mulheres são compelidas a se humilharem, quando crianças de favelas vão às ruas catar migalhas.

Quem são os culpados? Não vamos apontar o dedo para os outros, pois nós mesmos podemos ter contribuído um pouco para essas formas de desumanidade.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, sabemos que sois vós que sofreis quando causamos dor uns aos outros e permanecemos indiferentes. Vosso coração encheu-se decompaixão quando vistes a multidão "cansada e abatida, como ovelhas sem pastor". Dai-me olhos que notem as necessidades dos pobres e um coração que consiga amar. "Dai-me a força para fazer meu amor frutificar em serviço".

Acima de tudo, possamos partilhar com os necessitados vossa "palavra" de esperança, vossa garantia de atenção. Que o "zelo pela vossa casa" queime em nós como fogo. Ajudai-nos a trazer o raio de sol de vossa alegria às vidas daqueles que estão caminhando penosamente na estrada do desespero.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Pro peccatis suae gentis

vidit Iesum in tormentis

et flagellis subditum.

SÉTIMA ESTAÇÃO

Após Jesus ser feito objeto de zombaria, Ele é levado para ser crucificado

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Mateus

27:31 

"Depois de caçoarem dele, despiram-lhe a capa escarlate e tornaram a vesti-Lo com as suas próprias vestes, e levaram-No para O crucificar." 

MEDITAÇÃO

Jesus, a cujo nome se dobre todo joelho na terra e no céu, é feito objeto de zombaria. Ficamos chocados a que níveis de brutalidade os seres humanos podem afundar. Jesus é humilhado de novas maneiras ainda hoje: quando questões que são mais Santas e Profundas na Fé são vulgarizados; permite-se a erosão dosentido do sagrado; o sentimento religioso é classificado junto a sobras de antiguidade indesejadas.

Tudo na vida pública tem o risco de ser dessacralizado: pessoas, lugares, garantias, orações, práticas, palavras, escritos católicos, fórmulas religiosas, símbolos, cerimônias. Nossa vida conjunta está sendo cada vez mais secularizada. A vida religiosa cresce timidamente. Desse modo, vemos as questões mais importantes colocadas junto a frivolidades, e as trivialidades glorificadas. Valores e normas que mantiveram as sociedades unidas e levaram as pessoas para grandes ideais são caçoados e jogados fora. Jesus continua a ser ridicularizado!

ORAÇÃO

Temos fé, Senhor, mas não o bastante. Ajudai-nos a aumentar a nossa fé. Que nós nunca questionemos ou escarneçamos questões sérias na vida, como cínicos. Não nos permitais pairar no deserto da falta de Deus. Capacitai-nos a perceber vossa brisa gentil, ver-vos nas esquinas das ruas, amar-vos na criança não-nascida.

Deus, ajudai-nos a compreender que no Tabor ou no Calvário, o vosso Filho é o Senhor. Vestido ou despido de suas roupas, Ele é o Salvador do mundo. Fazei-nos atentos à Sua presença silenciosa: à Sua "palavra", nos tabernáculos, santuários, locais humildes, pessoas simples, na vida do pobre, na risada das crianças, nos pinheiros sussurrantes, nas colinas onduladas, na minúscula célula viva, no menor átomo e nas galáxias distantes.

Que possamos observar, maravilhados, Seu caminhar nas águas do Reno, do Nilo e do Tanganyika.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Quis non posset contristari,

piam matrem contemplari

dolentem cum Filio?

OITAVA ESTAÇÃO

Jesus é ajudado por Simão Cirineu a carregar a Cruz

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas

23:26

"Enquanto o levavam, tomaram um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e impuseram-lhe a cruz para levá-la atrás de Jesus." 

MEDITAÇÃO

Em Simão Cirineu temos o protótipo do discípulo fiel que carrega a sua cruz e segue Cristo. Ele não é diferente de milhões de cristãos de um passado humilde, com profunda ligação com Cristo. Sem glamour, sem sofisticação, mas fé profunda. Tais crentes continuam a nascer no solo da África, Ásia e de terras distantes. Vocações surgem do meio deles.

Simão nos lembra de pequenas comunidades etribos com seu compromisso característico com o bem comum, profundamente enraizado em valores éticos e abertura ao Evangelho. Eles merecem atenção e cuidado. O Senhor não deseja "que um desses pequeninos se perca". Em Simão descobrimos a sacralidade do ordinário e a grandiosidade do que parece pequeno. Pois o menor tem certa relação mística com o maior, e o ordinário com o mais extraordinário.

ORAÇÃO

Senhor, é vosso plano maravilhoso de erguer os humildes e sustentar os pobres. Fortalecei a vossa Igreja no serviço às comunidades necessitadas: os menos privilegiados, os marginalizados, os moradores de favelas, os pobres do campo, os subnutridos, os intocáveis, os deficientes e pessoas com vícios.

Que o exemplo de vossa serva, Madre Teresa de Calcutá, nos inspire a dedicar mais de nossa energia e recursos para a causa dos "mais pobres entre os pobres". Que possamos um dia escutar essas palavras de Jesus: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me recolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me".

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Tui Nati vulnerati,

tam dignati pro me pati,

pœnas mecum divide.

NONA ESTAÇÃO

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas

23:27-28

"Grande multidão do povo o seguia, como também mulheres que batiam no peito e se lamentavam por causa dele. Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: "Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!"

MEDITAÇÃO

Diante das mulheres chorosas, Jesus esquece-se de si. Sua ansiedade não é por seus sofrimentos, mas pelo futuro trágico que as aguarda e aos filhos delas.

Os destinos das sociedades estão intimamente ligados aobem estar de suas mulheres. Onde quer que as mulheres sejam mantidas em baixa auto-estima ou seu papel permaneça reduzido, as sociedades falham em ascender à sua verdadeira potencialidade. De alguma forma, onde quer que a responsabilidade sobre esta geração em ascensão é negligenciada, ignorada, ou marginalizada, o futuro daquela sociedade se torna incerto.

Há muitas sociedades no mundo em que as mulheres deixam de receber um tratamento justo. Cristo deve estar chorando pelas crianças delas. Onde quer que haja indiferença pelo futuro, pelo uso exagerado de recursos, a degradação do meio ambiente, a opressão de mulheres, o abandono dos valores familiares, a ignorância de normas éticas, o abandono das tradições religiosas, Jesus deve estar falando às pessoas: "Não chorai por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!"

ORAÇÃO

Senhor, vós sois o Mestre da história. E, ainda assim, quisestes nossa colaboração na realização dos vossos planos. Ajudai-nos a desempenhar um papel responsável na sociedade: líderes nas comunidades, pais nas famílias, educadores e trabalhadores da área de saúde entre aqueles que precisam ser servidos, comunicadores no mundo da informação. Fazei surgir em nós um sentido de missão no que fazemos, um profundosentido de responsabilidade uns pelos outros, pela sociedade, pelo nosso futuro comum e por vós. Pois vós colocastes os destinos de nossas comunidades e de toda humanidade em nossas mãos.

Senhor, não vos afastai de nós quando virdes mulheres humilhadas ou a vossa imagem desfigurada no ser humano; quando nós interferimos com sistemas vivos, enfraquecemos o poder vivificante da natureza, poluímos córregos ou mares profundos ou as neves do norte. Salvai-nos da indiferença cruel sobre o nosso futuro comum, e não nos deixai arrastar nossa civilização para o caminho do declínio.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Eia mater, fons amoris,

me sentire vim doloris

fac, ut tecum lugeam.

DÉCIMA ESTAÇÃO

Jesus é crucificado

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas e segundo São Mateus

23:33-37

27:46 

"Chegando ao lugar chamado Caveira, lá o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: "Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem". Depois, repartindo suas vestes, sorteavam-nas.

O povo permanecia lá, a olhar. Os chefes, porém, zombavam e diziam: "A outros salvou, que salve a si mesmo, se é o Cristo de Deus, o Eleito!" Os soldados também caçoavam dele; aproximando-se traziam-lhe vinagre, e diziam: "Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo".

Lá pela hora nona, Jesus deu um grande grito: "Eli, Eli, lema sabachtáni?", isto é, "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?" 

MEDITAÇÃO

Os sofrimentos de Jesus chegam ao clímax. Ele permaneceu sem medo diante de Pilatos. Ele aguentou os maus tratos dos soldados romanos. Ele manteve a calma durante a flagelação e a coroação de espinhos. Mesmo na Cruz, Ele pareceu intocável ante uma chuva de insultos. Ele não teve uma palavra de queixa, nenhum desejo de retaliação. Mas então, finalmente, chega um momento em que Ele desaba. Sua força não suporta mais. Ele se sente abandonado até mesmo pelo seu Pai!

A experiência mostra-nos que mesmo o homem mais firme pode descer até as profundezas do desespero.As frustrações se acumulam, a raiva e o ressentimento se avolumam. Má saúde, más notícias, má sorte, maus tratos – tudo pode vir junto. Isso pode já ter acontecido conosco. É nesses momentos que devemos lembrar que Jesus nunca falha conosco. Ele chorou ao Pai. Possamos nós também chorar ao Pai, que infalivelmente vem nos socorrer em todas nossas aflições, quando quer que o chamemos!

ORAÇÃO

Senhor, quando as nuvens se juntarem no horizonte e tudo parecer perdido, quando não encontrarmos nenhum amigo para nos amparar e a esperança escorregar por nossas mãos, ensinai-nos a confiar em vós, que certamente virá em nosso socorro. Que a experiência da dor e escuridão interior nos ensine a grande verdade de queem vós nada está perdido, que mesmo nossos pecados – uma vez que nos arrependamos deles – servem para um propósito, como a madeira seca no inverno frio.

Senhor, vós tendes um desígnio magistral sobre o trabalho do universo e o progresso da história. Abri os nossos olhos para os ritmos e os padrões nos movimentos das estrelas; o balanço e a proporção na estrutura interior dos elementos; a inter-relação e a complementaridade na natureza; o progresso e o propósito na marcha da história, a correção e a compensação em nossas histórias pessoais. É esta harmonia que vós mantendes constantemente restabelecida, apesar dos dolorosos desequilíbrios que nós acarretamos. Em vós, mesmo a maior perda é um ganho. A morte de Cristo, de fato, aponta para a ressurreição.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Fac ut ardeat cor meum

in amando Christum Deum,

ut sibi complaceam.

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO

Jesus promete seu Reino ao Bom Ladrão

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas

23:39-43 

"Um dos malfeitores suspensos à cruz o insultava, dizendo: "Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós". Mas o outro, tomando a palavra, o repreendia: "Nem sequer temes a Deus, estando na mesma condenação? Quanto a nós, é de justiça estamos pagando por nossos atos; mas Ele não fez nenhum mal". E acrescentou: "Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino". Ele respondeu: "Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso"." 

MEDITAÇÃO

Não é a eloquência que convence e converte. No caso de Pedro, é um olhar de amor; no caso do Bom Ladrão, é uma serenidade não ressentida no sofrimento. A conversão acontece como um milagre. Deus abre seus olhos. Você reconhece a sua presença e ação. Você se rende!

Optar por Cristo é sempre um mistério. Por que alguém faz uma escolha definitiva por Cristo, mesmo diante das preocupações, ou da morte? Por que os cristãos florescem em locais onde há perseguição? Nós nunca saberemos. Mas isso acontece continuamente. Se uma pessoa que abandonou sua fé se depara com a face real de Cristo, ela ficará atordoada pelo que vê, e se renderá como Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!" É um privilégio desvendar a face de Cristo às pessoas. É uma alegria ainda maior descobri-Lo ou redescobri-Lo.

"É tua face, Iahweh, que eu procuro; não me escondas a tua face."

ORAÇÃO

Meu pranto para vós, hoje, ó Senhor, é este: "Jesus, lembrai-vos de mim, quando vierdes com vosso reino."  É por este Reino que eu ternamente anseio. É a eterna casa que vós preparastes para todos aqueles que vos buscam com coração sincero. "O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam." Ajudai-me, Senhor, ao me esforçar no caminho para o destino eterno. Suspendei a escuridão do meu caminho, e mantende meus olhos elevados para as alturas!"

"Guiai, Luz gentil,

em meio às trevas circundantes.

Guiai-me, vós.

A noite é escura, e eu estou longe de casa.

Guiai-me, vós.

Mantende meus pés; não necessito ver

A cena distante; um passo é suficiente para mim."

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Sancta mater, istud agas,

Crucifixi fige plagas

cordi meo valide.

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO

A Mãe de Jesus e o Discípulo Amado aos pés da Cruz

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São João

19:25-27

 

"Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: "Mulher, eis o teu filho!" Depois disse ao discípulo: "Eis a tua mãe!" E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa." 

MEDITAÇÃO

No sofrimento, nós ansiamos por solidariedade. Maria Nossa Mãe nos lembra do amor que ampara e da solidariedade dentro da família; João, da lealdade dentro da comunidade.Coesão familiar, vínculos comunitários, laços de amizade – essas questões são essenciais para o florescimento dos seres humanos.  Em uma sociedade anônima elas enfraquecem. Quando elas faltam, nos tornamos pessoas diminuídas.

Novamente em Maria, nós não notamos nem o mínimo sinal de ressentimento; nenhuma palavra de amargura. A Virgem torna-se o arquétipo doperdão, na fé e na esperança. Ela nos mostra o caminho para o futuro. Mesmo aqueles que gostariam de responder à violência injusta com "violência justa" sabem que esta não é a resposta final. O perdão impele à esperança.

Há também feridas históricas que frequentemente não se cicatrizam na memória das sociedades por séculos. A não ser que transformemos nossa raiva coletiva em novas energias de amor através do perdão, nós perecemos junto. Quando a cura vem pelo perdão, nós acendemos uma lâmpada, anunciando possibilidades futuras para a "vida e paz" da humanidade.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, vossa Mãe permaneceu silenciosa ao vosso lado em vossa agonia final. Ela que não era vista nas ocasiões em que vós éreis aclamado como grande profeta, permanecendo ao vosso lado em vossa humilhação. Que eu possa ter a coragem para permanecer fiel mesmo quando vós estiverdes menos reconhecível. Permiti que eu nunca fique embaraçado por pertencer ao "pequenino rebanho".

Senhor, fazei-me lembrar que, mesmo aqueles que eu considero como "inimigos", pertencem à família humana. Se eles me tratam injustamente, que minha oração seja apenas: "Pai, perdoai-os: não sabem o que fazem". Pode ser, nesse contexto, que alguém possa, de repente, reconhecer a verdadeira face de Cristo e clamar como o centurião: "Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!"

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Fac me vere tecum flere,

Crucifixo condolere,

donec ego vixero.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO

Jesus morre na Cruz

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Lucas

23:46 

"E Jesus deu um grande grito: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito". Dizendo isso, expirou." 

MEDITAÇÃO

Jesus entrega seu espírito ao Pai em um abandono sereno. O que seus perseguidores pensavam que seria um momento de derrota, provou, de fato, ser um momento de triunfo. Quando um profeta morre pela causa que defende, Ele dá a prova final de tudo que Ele havia dito. A morte de Cristo é algo mais que isso. Ela traz redenção. "E é pelo sangue deste que temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça".

A partir disso começa para mim umajornada mística: Cristo me atrai para próximo dele, até que eu pertença totalmente a Ele.

"Como a corça bramindo

Por águas correntes,

Assim minha alma está bramindo

Por ti, ó meu Deus!"

ORAÇÃO

Senhor Jesus, foi pelos meus próprios pecados que vós fostes pregado na Cruz. Ajudai-me a adquirir uma consciência profunda da repugnância dos meus pecados e da imensidão do vosso amor. Pois "foi, com efeito, quando ainda éramos fracos, que Cristo, no tempo marcado, morreu pelos ímpios". Eu admito minhas faltas como os profetas fizeram tempos atrás:

"Nós pecamos, cometemos iniqüidades, agimos impiamente e rebelamo-nos, afastando-nos dos teus mandamentos e normas. Não atendemos a teus servos, os profetas..."

Não havia nada em mim que merecesse vossa amabilidade. Obrigado por vossa incomensurável bondade comigo. Ajudai-me a viver por vós, a moldar minha vida a partir de vós, a estar unido a vós e a me tornar uma nova criação.

"Cristo comigo, Cristo em mim,

Cristo atrás de mim, Cristo à minha frente,

Cristo ao meu lado, Cristo para me vencer,

Cristo para me confortar e me restaurar"

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Vidit suum dulcem Natum

morientem desolatum,

cum emisit spiritum.

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO

Jesus é retirado da Cruz e colocado no sepulcro

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redmisti mundum.

Do Evangelho segundo São Marcos

15:46 

"José, tendo comprado um lençol, desceu-o, enrolou-o no lençol e o pôs num túmulo que fora talhado na rocha. Em seguida, rolou uma pedra, fechando a entrada do túmulo." 

MEDITAÇÃO

As tragédias nos fazem ponderar. Umtsunami nos mostra que a vida é séria. Hiroshima e Nagasaki permanecem locais de peregrinação. Quando a morte nos atinge de perto, outro mundo se abre. Quando abandonamos nossas ilusões, temos uma compreensão da realidade mais profunda. Pessoas na Índia antiga rezavam: "Guiai-me do irreal para o real, da escuridão para a luz, da morte para a imortalidade".

Depois de Jesus ter deixado este mundo, os cristãos começaram a rever e interpretar sua vida e missão. Eles levaram sua mensagem aos confins da Terra. E essa mensagem é o próprio Jesus Cristo, que é "poder de Deus e sabedoria de Deus". Ela diz quea realidade é o corpo de Cristo e que o nosso destino último é estar com Ele.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, capacitai-nos, ao avançarmos no caminho fatigante da vida, a vislumbrar nosso destino último. E, finalmente, quando atravessarmos o limiar da morte, saberemos que "nunca haverá mais morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais". Deus enxugará todas as lágrimas de nossos olhos.

É essa Boa Nova que estamos ansiosos em anunciar "de qualquer maneira", mesmo em lugares onde ainda não se falou de Cristo. Para isso nós trabalhos duro. Nós trabalhamos "de noite e de dia" e nos desgastamos. Senhor, fazei-nos portadores eficazes de vossa Boa Nova.

"Eu sei que meu Defensor está vivo

e que no fim se levantará sobre o pó"

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Quando corpus morietur,

fac ut animæ donetur

paradisi gloria.

Amen.

DISCURSO DO SANTO PADRE E BENÇÃO APOSTÓLICA

O Santo Padre discursa aos presentes

Ao final de seu discurso, o Santo Padre concede a Benção Apostólica

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

V. Sit nomem Domini benedictum.

R. Ex hoc nunc et usque in saeculum.

V. Adiutorium nostrum in nomine Domini.

R. Qui fecit caelum et terram.

V. Benedicat vos omnipotens Deus,

Pater †, et † Filius, et † Spiritus Sanctus.

R. Amém.