Meios de comunicação como instrumentos de esperança: chave de leitura da mensagem papal

Explica o presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais

| 2219 visitas

Por Marta Lago

ROMA, quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Os meios de comunicação podem ser hoje instrumentos de «nossa esperança»: uma chave de leitura que propôs o presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais nesta quinta-feira ao apresentar a mensagem do Papa sobre «Os meios de comunicação: na encruzilhada entre protagonismo e serviço. Buscar a Verdade para compartilhá-la».

Trata-se do lema da 42ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais – 4 de maio de 2008 –, que Bento XVI desenvolve agora, apontando a possibilidade e a necessidade de que os meios estejam «ao serviço de um mundo mais justo e solidário».

Como é tradicional, a mensagem do Papa é publicada na festividade de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas. Nesta ocasião, quem se encarregou de apresentá-la à imprensa internacional acreditada ante a Santa Sé foi o citado dicastério – presidido pelo arcebispo Cláudio Maria Celli.

«Em diversos setores da vida humana e de convivência dos povos», «os meios de comunicação são um autêntico recurso, uma bênção para todos», e assim constata o Papa – explica Dom Celli –, por exemplo, aludindo à sua contribuição para «a alfabetização e a socialização», «o desenvolvimento da democracia e o diálogo entre os povos».

Mas também adverte sobre os riscos que tanto os meios como cada profissional devem «enfrentar para ser solidários com todos os homens», sublinha o prelado.

Mencionou, entre esses perigos, que os meios de comunicação «se transformem em sistemas dedicados a submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses dominantes do momento», como diz o Papa.

Igualmente citou, da mensagem pontifícia, o fato de que, «sobre alguns acontecimentos, os meios de comunicação não se utilizam para uma adequada função de informação, mas para ‘criar’ os eventos».

«É um dos riscos que os meios correm atualmente», aprofundou o prelado, a pedido dos jornalistas presentes. Muito além «de representar ou de expressar o que está ocorrendo», «o risco é precisamente este protagonismo, que por sua vez obedece a determinados critérios que lhe vêm também de fora, onde verdadeiramente certas realidades se criam».

«Mas estou mais preocupado pelo que o Papa aponta – admitiu; ele nos adverte, ele nos conscientiza de que hoje o poder dos meios de comunicação é tão forte, que o risco que se corre é a criação de estilos de vida.»

Trata-se de uma inegável capacidade sugestiva dos meios, que influem «sobre a concretização da cotidianidade», «mas são capazes de criar perspectivas diferentes, inclusive internacionais», onde «surgiram problemas e se inflaram expressamente para criar determinadas situações ou ações paralelas. O Papa nos convida a estar atentos a estes riscos que atualmente os meios podem correr», afirmou Dom Celli.

«É preciso evitar – alerta também o Santo Padre em sua mensagem – que os meios se convertam na voz do materialismo econômico e do relativismo ético, verdadeiras pragas de nosso tempo.»

E aqui «existe um grande risco», admitiu o prelado ante a imprensa internacional. Este, compartilhando a atitude do Papa, sublinhou «a capacidade positiva dos meios no caminho da humanidade de hoje», porque também «seria impossível pensar em uma comunidade dos povos, que tem sensação de família, sem os meios de comunicação».

Mas o Papa – «incansável buscador da verdade» – «nos convida também a prestar atenção a este grande risco, que existe e é evidente», e assinala uma realidade que não é hipotética», apontou Dom Celli.

«Eu diria que há grupos de diferentes tipos, e têm expressões da mídia; nem sempre determinados grupos contam com este profundo desejo da verdade», declarou.

Assim, «a delicadeza e a quantidade de situações novas deveria impulsionar-nos – disse o prelado – a falar de ‘info-ética’, mais necessária que nunca, segundo a mensagem pontifícia».

«As comunicações sociais estão profundamente ligadas ao homem», razão pela qual o Santo Padre – «com palavras de alento» – nos convida a defender zelosamente a pessoa humana em todos os seus âmbitos», acrescentou o presidente do dicastério.

«Se os meios de comunicação constituem um desafio, estes são antes de mais nada para a inteligência do homem. E a Igreja não tem medo nem da inteligência nem da razão», recordou.

Pode-se dizer «que quem ajuda o homem a conhecer-se e a buscar a verdade chega a Cristo. Eis aqui por que a citação do Evangelho de João (na mensagem do Papa), ‘Conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres’, é de ajuda para enfrentar o desafio que hoje a sociedade dirige aos meios, a seus profissionais e a todos os seus destinatários: a busca da verdade – que é possível encontrar – é caminho para a comunhão entre as pessoas e os povos», concluiu Dom Celli.