Meios de comunicação: portas da fé

Encontro Ibérico das Comissões Episcopais de Comunicação Portugal-Espanha

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FÁTIMA, quinta-feira, 28 de junho de 2012 (ZENIT.org) - Os bispos das Comissões de Comunicação das Conferências Episcopais de Portugal e da Espanha, atendendo ao convite do papa Bento XVI à Nova Evangelização, se reuniram para uma sessão de trabalho em Fátima, de 25 a 27 de junho de 2012, sobre o tema Meios de Comunicação: Portas da Fé.

Os bispos das Comissões de Comunicação das conferências episcopais portuguesa e espanhola afirmam que as conclusões do encontro 2012 pretendem “contribuir para uma renovada conversão ao Senhor Jesus e para o redescobrimento da fé, de maneira que todos os membros da Igreja sejam para o mundo atual testemunhas gozosas e convincentes do Cristo ressuscitado, capazes de indicar a porta da fé para tantos que estão em busca da verdade”.

Em primeiro lugar, as comissões afirmam: "Os meios de comunicação são o cenário cultural em que atuam os homens e as mulheres do nosso tempo". Os bispos constatam que "a comunicação está caracterizada, entre outras, pelas seguintes circunstâncias: a atividade comunicativa continua notavelmente condicionada pela situação econômica, ideológica e política; a crise econômica está ocasionando, ainda, a precariedade e, com frequência, a perda de trabalho dos profissionais, com prejuízo para todo o processo comunicativo e a conseguinte limitação do direito do público de conhecer a verdade. Na atividade informativa, com frequência, é verificada uma supremacia da imagem, que pode desviar a atenção da realidade objetiva. Há ocasiões em que o uso inadequado das tecnologias dificulta a reflexão, a formação de opinião e as relações pessoais e familiares; em muitos casos, as demandas induzidas das audiências constituem um fator determinante na configuração dos conteúdos que os meios de comunicação oferecem. Consideramos, porém, que, a partir de uma adequada visão ética, este não pode ser o critério decisivo, já que é preciso atender as necessidades das pessoas sem sacrificar em nenhum caso a verdade e o bem comum".

Em segundo lugar, sublinham que "os meios de comunicação, também para a Igreja, são o cenário cultural em que é necessário estar presente e desenvolver a missão. Não são meros instrumentos para a transmissão de uma mensagem. A Igreja deve estar presente neles com singeleza e clareza, em atitude dialogante".

Em terceiro lugar: "A comunicação é um elemento transversal das diversas estruturas eclesiais. Por isso, toda a ação pastoral da Igreja tem que ser mais comunicativa. A serviço desta missão estão os departamentos ou gabinetes de comunicação de uma diocese ou de uma conferência episcopal".

Além disso, os bispos afirmam que "a consideração eclesial da comunicação social tem uma dupla missão. Por um lado, a missão já tradicionalmente assentada, que se volta primordialmente à evangelização. Por outro, e ao mesmo tempo, a Igreja também deve projetar e trabalhar a própria imagem institucional e pública, que inclui as ações de governo dos seus pastores, para ser percebida de maneira adequada. Isto impõe uma consideração nova dos processos comunicativos da Igreja, que devem estar associados não só à missão evangelizadora, mas também à tarefa do governo pastoral".

"Dada a importância da comunicação social na configuração da pessoa e dos seus comportamentos, encorajamos os pais e educadores a continuarem formando os mais jovens no uso adequado e responsável dos meios de comunicação".

Por último, os bispos ibéricos incentivam "todos aqueles que trabalham na mídia a prosseguirem, empenhados em servir à dignidade da pessoa e à construção de uma sociedade mais livre, justa e solidária".

Respondendo ao chamamento de Bento XVI a renovar e atualizar os ensinamentos do Concílio Vaticano II como instrumento valioso no Ano da Fé, os bispos "propõem uma leitura atualizada e uma conveniente prática do Decreto Conciliar Inter Mirifica, sobre as comunicações sociais, e dos documentos que o detalham".

(Trad.ZENIT)