Mensagem aos diáconos permanentes

Do prefeito da Congregação para o Clero

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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 20 de agosto de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem do prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Cláudio Hummes, O.F.M., prefeito da Congregação vaticana para o Clero, dirigiu aos diáconos permanentes do mundo.



AOS DIÁCONOS PERMANENTES


Caríssimos Diáconos Permanentes,
E uma viva alegria para mim dirigir-lhes essa lembrança na festa de São Lourenço, diácono e mártir, neste meu primeiro ano como Prefeito da Congregação para o Clero.

Desde sempre vocês ocupam um lugar especial no meu coração. Eu os admiro e gostaria de dizer-lhes que vejo na restauração do Diaconato Permanente, decidida pelo Concílio Vaticano II, uma preciosa graça do Senhor ao Seu povo e um ministério ordenado de grande potencial idade e atualidade na missão da Igreja.

Agradeço a Deus pela chamada que vocês receberam e pela generosa resposta que deram. Para a maioria de vocês que são casados, essa resposta foi possível também pelo amor, pelo apoio e pela colaboração de vossas esposas e de vossos filhos.

Falando dos Diáconos, o Concilio Vaticano II disse que "Assim, confortados com a graça sacramental, servem o Povo de Deus" (LG 29). O vosso ministério é "diaconia da Igreja junto das comunidades cristãs locais, e sinal ou sacramento do próprio Cristo Senhor, que não veio para ser servido, mas para servir" (Paulo VI, Ad Pascendum, Introdução) Justamente Santo Inácio de Antioquia afirma que os diáconos são "ministros dos mistérios de Jesus Cristo... ministros da Igreja de Deus (S. Inácio de Antioquia, Ad Trallianos, lI,3).

O Concilio Vaticano II também explica que a graça sacramental conferida através da imposição das mãos os torna capazes de prestar o seu serviço da palavra, do altar e da caridade com especial eficácia (cf. Ad Gentes, 16).

Portanto, vocês foram ordenados para o Serviço da Palavra de Deus. Isso significa que tudo o que se refere à pregação do Evangelho, à catequese, à difusão da Bíblia e sua explicação ao povo, lhes foi conferido ordinariamente, mas obviamente sempre sob a autoridade do vosso Bispo. Hoje, a Igreja chama todos os seus membros, principalmente os ministros ordenados, a serem missionários, ou seja a levantarem-se e irem de maneira organizada ao encontro, antes de mais nada, dos nossos batizados que se afastaram da prática da própria fé católica, mas também de todos aqueles que pouco ou nada sabem de Jesus Cristo e de sua mensagem, para repropor-lhes o primeiro anuncio de Cristo, o querigma e, assim, reconduzi-los a um encontro vivo e concreto com o Senhor. Num encontro assim renova-se a fé e revigora-se a adesão pessoal a Jesus Cristo, condição de uma fé viva e de um testemunho fiel no mundo. Não podemos mais fechar-nos e aguardar os batizados nas nossas Igrejas. Temos que ir buscá-los onde vivem e trabalham, com uma ação missionária permanente, com especial atenção aos pobres das periferias urbanas. Este ministério da Palavra requer de vocês, caros Diáconos, uma familiaridade constante com a Sagrada Escritura, principalmente com os Evangelhos. Ouvir, meditar, estudar e praticar a Palavra de Deus deve ser um permanente esforço para vocês. Assim vocês se tornarão cada vez mais discípulos do Senhor e se sentirão chamados e iluminados pelo Espírito para a missão.

Vocês foram ordenados para o serviço litúrgico-sacramental. Vocês têm funções litúrgicas próprias na celebração e distribuição da Eucaristia, centro da vida da Igreja e, portanto também centro da vida dos ministros ordenados. Vocês têm um ministério que lhes confia uma responsabilidade especial no campo dos sacramentos do Batismo e mo Matrimonio. O Bispo pode lhes confiar tudo o que diz respeito à pastoral batismal e à pastoral matrimonial-familiar.

Vocês foram ordenados para a caridade. Quantas coisas a serem feitas, organizadas, animadas! Os pobres, os excluídos, os desempregados, os esfomeados, os reduzidos à miséria extrema, uma multidão incontável, que estende as mãos e a voz para a Igreja. Bem, os diáconos têm como origem histórica e como ordenação uma responsabilidade central para com todos eles. A caridade, a solidariedade para com os pobres, a justiça social, são um campo sempre de altíssima urgência que desafia os cristãos, pois Cristo disse: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros" (Gv 13,35). Caros Diáconos Permanentes, saúdo novamente a todos com carinho e gratidão. Saúdo as vossas esposas e famílias. Testemunhem o amor de Deus! Confio-os à Santíssima Maria que continua a proclamar: "Eis aqui a serva do Senhor" (Lc 1,38). E com o exemplo de seu serviço, nós também servimos os nossos irmãos na grande família da humanidade e da Igreja. A todos vocês, a minha benção!

Do Vaticano, 10 de agosto de 2007
Festa de São Lourenço, diácono e mártir

Cláudio Card. Hummes
Prefeito