Mensagem da CNBB sobre a Rio+20 e nota sobre a ética pública

A presidência se pronuncia sobre dois temas durante Coletiva de Imprensa na sede da CNBB

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Thácio Siqueira

BRASILIA, sexta-feira, 22 de junho de 2012 (ZENIT.org) - Às 11h30 de hoje, na Sede da CNBB em Brasília, houve uma Coletiva de Imprensa dirigida pelo Cardeal Dom Raymundo Damasceno, tendo também na mesa Dom José Belisário da Silva e Dom Leonardo Ulrich Steiner, com o fim de pronunciar-se sobre dois temas: a Nota da CNBB sobre ética pública e a Mensagem da CNBB sobre a Conferência Rio+20, ambas publicadas no site da Conferência Episcopal.

Nota da CNBB sobre a ética pública

A Nota da CNBB sobre a ética pública denuncia “Fatos políticos e administrativos, que contrariam a ética pública e o bem comum” e que colocam “em xeque a credibilidade das instituições”.

Diante de tal “criminalidade dos que desviam, em proveito pessoal, enormes somas de órgãos públicos” a CNBB já se questionava em 1993 no documento Ética, Pessoa e Sociedade, n. 143, citado na nota.

Há nos brasileiros um senso de Justiça que “é incompatível com as afrontas ao bem comum” que até mesmo conseguem escapar das “penas previstas, contribuindo para a generalizada sensação de que a justiça não é a mesma para todos”.

A nota diz que é necessário que os culpados sejam punidos e que os danos sejam ressarcidos, mas afirma que o que acontece é que tais crimes ficam na névoa vaga da lembrança e do esquecimento, causando “o crescente desencanto da sociedade com as instituições públicas”.

A nota conclui reafirmando o aparato democrático no Brasil, mas lembrando que aqueles que o dirigem “nunca se esqueçam de que o poder que exercem provém da sociedade”.

Mensagem da CNBB sobre a Rio+20

Por outro lado, a mensagem da CNBB sobre a Conferência Rio+20 – Dom Leonardo mesmo destacou que é uma mensagem e não uma nota, dado que se espera ainda a publicação do documento final da Rio+20 – destaca a “crise de civilização” como sendo o resumo de toda as crises “por que passam as grandes potências da economia mundial”, que também tem como causa um “liberalismo econômico sem regras e incontrolado”.

A natureza “nos precede” e não devemos tratá-la como “lixo espalhado ao acaso, mas como dom do Criador”. Ao mesmo tempo que o homem pode dominá-la e fazê-la render, é necessário que “a comunidade internacional” analise as “modalidades de utilização do ambiente que sejam danosas para o mesmo”.

A mensagem denuncia também os abusos que se cometem contra a natureza e lembra que é “dever de todos, especialmente dos dirigentes das nações, garantir a estas e às futuras gerações a casa comum livre de toda destruição”. Portanto, citando a Paulo VI, continua o a mensagem, “não se trata de diminuir o número dos convidados para o banquete da vida, mas de aumentar a comida na mesa”.

Os líderes mundiais não devem, portanto, “subjugar o desenvolvimento econômico ao domínio do mercado e do lucro”. A mesma Igreja do Brasil tem constantemente chamado a atenção para a “destruição da natureza provada por um desenvolvimento econômico predatório”, que causa impactos ambientais destrutivos e cria marginalização e exclusão social.

Sobre a economia verde o documento pede para que se preste atenção à “privatização e a mercantilização dos bens naturais”, que seria algo “eticamente inaceitável”. Que os cristério éticos não sejam submetidos por poderes econômicos e tecnológicos.