Mensagem da Santa Sé aos budistas

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 3 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem que o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso enviou nesta sexta-feira para os budistas, com ocasião da festa de Vesakh.

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Testemunhas do espírito de pobreza:

Cristãos e Budistas em diálogo

Caros amigos budistas

1. A próxima festa de Vesakh/Hanamatsuri oferece uma feliz ocasião para vos apresentar, da parte do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, sentidas felicitações e os mais cordiais votos: que esta festa traga mais uma vez alegria e serenidade aos corações de todos os budistas, em todas as partes do mundo. Esta celebração anual oferece aos católicos a oportunidade de saudar os amigos e os vizinhos budistas e de reforçar, desse modo, os vínculos de amizade já existentes, e criando outros. Estes vínculos de cordialidade permitem-nos condividir as nossas alegrias, esperanças e riquezas espirituais.

2. Enquanto renovamos, neste período, os nossos sentimentos de amizade para convosco, budistas, torna-se cada vez mais claro que podemos contribuir, na fidelidade às nossas respectivas tradições espirituais, não só para o bem estar das nossas comunidades, mas também para o de toda a comunidade humana. Sentimos de modo pungente o desafio que nos defronta, representado, por um lado, pelo fenómeno cada vez mais vasto da pobreza nas suas várias formas, e por outro pela busca desenfreada da posse dos bens materiais e da difusão do consumismo.

3. Como recentemente afirmou Sua Santidade o Papa Bento XVI, a pobreza pode ser de dois tipos diferentes, isto é uma pobreza "que se escolhe" e uma "que se deve combater" (Homilia, 1 de Janeiro de 2009). Para um cristão a pobreza que deve ser escolhida é a que permite caminhar nos passos de Jesus Cristo. Fazendo assim um cristão torna-se disponível a receber as graças de Cristo que, de rico que era, se fez pobre por nós, para que nos tornássemos ricos por meio da sua pobreza (cfr. 2 Cor. 8,9). Nós entendemos esta pobreza primariamente como um esvaziamento do próprio eu, mas vemo-la também como uma aceitação de nós próprios pelo que somos, com os nossos talentos e os nossos limites. Tal pobreza suscita em nós uma vontade disposta a escutar Deus e os nossos irmãos e irmãs, a abrirmo-nos a eles e a respeitá-los como indivíduos. Nós apreciamos toda a criação, incluindo as realizações do trabalho humano, mas somos guiados a fazê-lo livremente e com gratidão, atenção e respeito, juntamente com um espírito de desapego que nos permite usar dos bens deste mundo como "gente que não tem nada mas pelo contrário possui tudo" (2 Cor. 6,10).

4. Ao mesmo tempo, como observou o Papa Bento XVI, "há uma pobreza, uma indigência que Deus não quer e que deve ser "combatida"; uma pobreza que impede as pessoas e as famílias de viverem segundo a própria dignidade, uma pobreza que ofende a justiça e a igualdade e que, como tal, ameaça a convivência pacífica" (Homilia, 1 de Janeiro de 2009). Além disso, "nas sociedades ricas e progredidas, existem fenómenos de marginalização, pobreza relacional, moral e espiritual: trata-se de pessoas interiormente desorientadas, que vivem diversas formas de mal-estar apesar da prosperidade económica (Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2009, n.2).

5. Enquanto nós, como católicos, reflectimos deste modo no significado da pobreza, estamos também atentos, caros amigos budistas, à vossa experiência espiritual. Desejamos agradecer-vos pelo vosso brilhante testemunho de desapego e de contentamento com o que se tem. Entre vós, monges, monjas e muitos leigos devotos abraçam a pobreza "por escolha", que nutre espiritualmente o coração humano, enriquecendo de modo essencial a vida com uma perspectiva mais profunda sobre o significado da existência e mantendo o empenho de promover a boa vontade de toda a comunidade humana. Permiti-nos renovar as nossas cordiais saudações e desejar a todos vós uma feliz festa de Vesakh / Hanamatsuri.

Jean-Louis Cardinal Tauran

Presidente

Arcebispo Pier Luigi Celata

Secretário