Mensagem da XXXII Assembleia Plenária do CELAM

“Para que Nossos Povos, em Cristo, tenham Vida em Abundância”

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SÃO PAULO, quinta-feira, 28 de maio de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem final da XXXII Assembleia Plenária do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano), realizada de 12 a 15 de maio. O texto em português foi enviado hoje a Zenit pela presidência do CELAM.

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1. Convocados para a Assembleia do primeiro biênio do quatriênio 2007-2011, em Manágua, Nicarágua, nós, bispos representantes das 22 Conferencias Episcopais da America Latina e do Caribe, dentro do belo  e consolador tempo de Páscoa, rezamos e refletimos juntos, de 12 a 15 de maio, e experimentamos a comunhão e o espírito fraterno que recordaram o ambiente vivido na  V Conferencia Geral, celebrada há dois anos em Aparecida.  

2. Quão agradável e bom é o convívio entre os irmãos unidos. Esta experiência que vivemos em nosso encontro, a  transmitimos com grande esperança para nos consolar mutuamente, diante das adversidades e das dores pelas quais atravessam nossos sofridos povos da América Latina e do Caribe. 

3. Consideramos e valorizamos o caminho percorrido desde nossa última Assembleia, constatando e dando graças a Deus Pai por continuar derramando seu Espírito Santificador em nossas Igrejas Particulares, prolongando o renovado Pentecostes que experimentamos em Aparecida. 

4. Somos conscientes das dificuldades e das resistências que implica a renovação das estruturas eclesiais para que sejam missionárias, e a formação dos agentes de pastoral (presbíteros, consagrados e leigos) para que sejam discípulos missionários.  No entanto, reconhecemos que a conversão pastoral está calando fundo em nossas Igrejas e elas estão respondendo. O chamado firme que fez Aparecida para realizar a Missão Continental está frutificando. 

5. Em Aparecida se afirmou com clareza que a Diocese é o lugar privilegiado para viver a comunhão (DA 164/169). A esse respeito, reconhecemos e valorizamos os esforços que se tem feito nos distintos âmbitos para promover a comunhão. Por exemplo, entre a Vida Consagrada e as Dioceses, entre os Movimentos Apostólicos e a Pastoral Diocesana. O testemunho de unidade na Igreja nos tempos atuais se converte em pedra angular para dar um testemunho credível para  a sociedade. 

6. Constatamos que as atividades do CELAM têm sido orientadas com sincronia para impulsionar a Missão Continental. Valorizamos o esforço que os diferentes organismos do CELAM tem feito, para reorientar os trabalhos cotidianos e colocar nossas Igrejas em estado de missão. O CELAM tem a preocupação de servir às Conferencias  Episcopais com a convicção de que a Missão Continental oferece a providencial oportunidade de contemplar a Cristo Ressuscitado, garantia da vitória do bem sobre o mal. Nos nossos povos se fortalece a esperança cristã e afrontam com alegria e confiança toda  adversidade. 

7. Esta percepção exige o melhor de nossos esforços para fortalecer o caminho e articular os diferentes processos. Compartilhar as experiências é o ponto chave para que dentro da pluralidade se mantenha a unidade. 

8. Também constatamos que a intensidade da Missão Continental  está acontecendo na vida interna da Igreja; em troca, todavia, é incipiente a consciência e o compromisso de muitos fiéis leigos para  que também em seus ambientes  de trabalho (economia, política, educação e cultura, meios de comunicação social, etc) se convertam em discípulos missionários; e como tais, explicitem a consciência de serem enviados e realizem em comunhão sua missão. 

9. Eles, como fiéis leigos cristãos, tem a principal responsabilidade de promover a ética como ponto de referência indispensável em uma sociedade pluralista, e no atual contexto da crise global poderá, assim, favorecer a permanência dos valores do Evangelho na cultura latino-americana e caribenha.

10. Ao compartilhar as realidades de nossos países temos constatado os desafios do momento atual: a crise econômica global;  a volta acentuada da  pobreza em vários países; certo desencanto da democracia que tem levado a busca de novos modelos políticos mesclados com populismo; a fragilidade de nossos Estados para garantir plenamente os direitos humanos; a corrente secularista que silencia valores religiosos e morais, pretendendo afastar a  Igreja de  sua responsabilidade de colaborar em uma cultura centrada na dignidade da pessoa humana, garantindo a vida desde a fecundação até a morte natural. 

11. Recordamos com gratidão a Deus a contribuição  histórica da Igreja Católica ao ter criado uma cultura baseada nos valores do Evangelho, que tem sido a alma de nossos povos e edificado um tecido social com identidade, fraterno, solidário e aberto, mais além de suas fronteiras. 

12. Por isso, é doloroso constatar a investida em vários de nossos países, que almejando progresso e desenvolvimento, pretendem levar-nos a ditadura do relativismo. 

13. Hoje movidos pela resposta pastoral ao chamado de Aparecida, com renovado espírito profético e recordando as palavras de Jesus Cristo: “Felizes os perseguidos por causa da justiça porque deles é o Reino dos Céus. Felizes sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós” (Mt 5,10-12), sentimos um compromisso maior com nossos  irmãos no Episcopado que tem sido objeto de calúnia, de descrédito, e inclusive de violência, também, com tantos outros Presbíteros, Consagrados e Fiéis que de maneira heróica  dão sua vida pelo Evangelho; a todos eles expressamos nossa solidariedade e os animamos a continuar com seu testemunho para manifestar que Cristo é o Senhor da História. 

14. Nossos povos estão destinados a ter vida e vida em abundância, para isso Jesus, o Pastor do Pastores,  deu a sua vida. Ele nos chamou para  colocar a caminho a Igreja peregrina e poder assim cumprir o projeto de Deus Pai, proposto em Cristo. 

15. Estes são os motivos que nos levam a dirigir-nos  com grande confiança a nossos irmãos Bispos, que colegialmente, se esforçam em cada Conferência Episcopal para responder com fidelidade a Cristo,  nos tempos em que vivemos.

16. Que Santa Maria de Guadalupe, Patrona da América Latina, nos acompanhe como mãe, mestra e discípula exemplar. Vem Senhor Jesus, Caminho, Verdade e Vida. 


Managua, 15 de maio de 2009

+ Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida, Brasil
Presidente do CELAM
 
+ Baltazar Enrique Porras Cardozo
Arcebispos de Mérida, Venezuela
Primeiro Vice-Presidente do CELAM

+ Andrés Stanovnik, OFMCap
Arcebispo de  Corrientes, Argentina
Segundo Vice-Presidente do CELAM

+ José Leopoldo González González
Bispo Auxiliar de Guadalajara, México
Secretario Geral do  CELAM

+ Emilio Aranguren Echeverría
Bispo de  Holguín, Cuba
Presidente do Comitê Econômico do CELAM