Mensagem do papa ao coral ortodoxo de Moscou, que se apresentou em Roma

Basílica de Santa Maria Maior: cardeal Sandri leu a mensagem do pontífice

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) | 471 visitas

Dentro da programação do terceiro concerto do XII Festival Internacional de Música e Arte Sacra, que se realiza em Roma até o dia 10 de novembro, o último domingo foi dedicado ao canto polifônico. O Coral da Capela Pontifícia Sistina apresentou a harmonia da música latina, enquanto o Coral Sinodal do Patriarcado de Moscou trouxe ao público as valiosas tradições da música sacra russa.

No início do concerto, realizado na basílica de Santa Maria Maior, o cardeal Sandri declarou: “Vim a pedido da Secretaria de Estado de Sua Santidade para representar a Santa Sé neste concerto. Aceitei com grande prazer e estou muito honrado em ler esta mensagem, que o papa Francisco me confiou nesta ocasião”.

Eis a mensagem do santo padre:

“Viver um momento de elevação espiritual na basílica de Santa Maria Maior através da arte musical da Igreja latina e da Igreja ortodoxa russa é uma experiência interessante e profunda. Esta basílica nasceu, de fato, para celebrar no ocidente o Concílio Ecumênico de Éfeso, que reconheceu Maria como Theotókos, Mãe de Deus. Esta basílica une duas tradições eclesiais que se reconhecem na mesma fé, enriquecendo-a com a sua diversidade cultural.

Avaliando a história do cristianismo na sua dimensão milenar, podemos observar que o que foi separado por acontecimentos históricos, impostos pelos diversos modos de se entender a revelação, manteve, no entanto, uma profunda unidade na arte. Hoje, esta unidade artística pode encontrar, constantemente, pontos de encontro fecundos, na inteligente observação, estudo e reflexão das fontes comuns. Isto significa verdadeira e mútua compreensão, respeito e enriquecimento para todos.

Na Igreja, a arte em todas as suas formas não existe somente com a finalidade de uma simples fruição estética, mas existe para que, através dela, em cada momento histórico e em cada cultura, a Igreja seja intérprete da revelação para o povo de Deus. A arte existe na Igreja fundamentalmente para evangelizar e é nesta perspectiva que podemos dizer com Dostoievski: 'A beleza salvará o mundo’.

Hoje, a Igreja pode e deve respirar com os seus dois pulmões: o do oriente e o do ocidente. Onde ainda não conseguimos essa integração inteiramente, segundo a medida solicitada por Jesus na sua oração ao Pai, podemos fazê-lo de outras formas, como, por exemplo, através do grande patrimônio de arte e de cultura que as diversas tradições produziram em abundância para a vida do povo de Deus.

Música, pintura, escultura, arquitetura; em uma palavra: beleza, que se une para nos fazer crescer na fé celebrada, na esperança profética e na caridade testemunhada, procurando antecipar na história aquela unidade desejada, que todos procuramos e que, pela graça de Deus, um dia realizaremos.

Franciscum papam