Mensagem vaticana aos budistas por ocasião da festa de «Vesakh»

«Cristãos e budistas: educar as comunidades para viverem em harmonia e em paz»

| 419 visitas

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 25 de abril de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem -- distribuída nesta quarta-feira pela Sala de Imprensa da Santa Sé -- que o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso enviou aos budistas por ocasião da festa de Vesakh, a mais importante para os seguidores dessa religião, pois comemora os principais acontecimentos da vida de Buda.



Em países como Sri Lanka, Tailândia, Malásia ou Coréia, a festa é móvel e este ano se celebra entre 2 e 31 de maio. No Japão e Taiwan aconteceu em 8 de abril.



* * *




Cristãos e budistas: educar as comunidades para viverem em harmonia e em paz


Queridos amigos budistas:

1.Por ocasião da festa de Vesakh, tenho o prazer de dirigir-me às comunidades budistas de diferentes partes do mundo para apresentar os melhores desejos de minha parte e do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso.

2.Nós, católicos e budistas, mantemos boas relações, e nossos contatos, colaboração e realização de diversos programas nos ajudaram a aprofundar em nosso conhecimento recíproco. O diálogo é o caminho seguro para ter frutíferas relações inter-religiosas, dado que aprofunda no respeito e alimenta o desejo de viver em harmonia com os outros.

3.O Concílio Vaticano II ensina que todo o gênero humano compartilha uma origem e um destino comum: Deus, nosso Criador e fim último de nossa peregrinação terrena. De forma similar, o Papa Bento XVI, em sua Mensagem para a Jornada Mundial da Paz 2007, sublinhou: «Por ter sido feito à imagem de Deus, o ser humano tem a dignidade de pessoa; não é somente algo, mas alguém, capaz de conhecer-se, de entregar-se livremente e de entrar em comunhão com outras pessoas» (n. 2).

4.Construir uma comunidade requer gestos concretos que reflitam o respeito pela dignidade dos outros. Também, como pessoas religiosas, estamos certos de que «há uma lógica moral que ilumina a existência humana e torna possível o diálogo entre os homens e entre os povos» (Ibid., n. 3).

Contudo, existem pessoas que ainda têm a necessidade de aprender algo sobre os outros e sobre suas crenças, para superar preconceitos e incompreensões. Esta triste realidade, para ser superada, requer muito compromisso por parte dos líderes, tanto civis como religiosos. Também nos lugares onde as pessoas experimentam diariamente os danos provocados pela guerra, alimentados por sentimentos de ódio e de vingança, é possível restabelecer a confiança. Juntos podemos ajudar a criar os espaços e as oportunidades para que as pessoas possam falar, escutar, compartilhar seu desgosto e oferecer perdão uns aos outros pelos erros do passado.

5.A educação para a paz é uma responsabilidade que deve ser sustentada por todos os setores da sociedade. Naturalmente, começa nos lares, onde a família, o pilar fundamental da sociedade, se esforça por transmitir valores tradicionais e sadios às crianças, com o deliberado compromisso de formar suas consciências. As gerações mais jovens merecem crescer, e de fato amadurecem, com uma educação fundada em valores, que reforça o respeito, a acolhida, a compaixão e a igualdade. É importante, portanto, que as escolas, tanto públicas como confessionais, façam todo o possível por apoiar os pais no delicado mas satisfatório dever de educar seus filhos na estima de tudo o que é bom e verdadeiro.

6.O poder dos meios de comunicação para modelar as mentes, especialmente dos jovens, não pode ser subestimado. Enquanto se toma cada vez mais consciência daquilo que são pelos elementos irresponsáveis que transmitem, contata-se também que se podem realizar muitas coisas boas através de produções de qualidade e programas educativos. Quando as pessoas que trabalham nos meios de comunicação utilizam sua consciência moral, é possível dissipar a ignorância e transmitir conhecimento, preservar os valores sociais e apresentar a dimensão transcendente da vida, que nasce da natureza espiritual de cada indivíduo. Os fiéis servem a sociedade de forma admirável colaborando em tais projetos para o bem comum.

7.Em última instância, o objetivo da verdadeira educação é guiar cada um para que se encontre com o fim último da vida. Isso motiva a pessoa a servir a humanidade desalentada. Desejo que juntos possamos continuar contribuindo com a paz e a harmonia em nossas sociedades e no mundo. Nós, católicos, nos unimos a vós com nossas cordiais saudações enquanto celebrais esta festa, e eu vos reitero meu desejo de uma feliz festividade de Vesakh.

Cardeal Paul Poupard
Presidente

Arcebispo Pier Luigi Celata
Secretário

[Tradução realizada por Zenit]