Mensagem vaticana aos hindus por ocasião da festa do Diwali

Publicada pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso

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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 5 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos a mensagem que, com o tema «Cristãos e hindus: decididos a percorrer um caminho de diálogo», o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso envia aos hindus por ocasião da festa do Diwali.



Simbolicamente baseada em uma antiga mitologia, esta festa representa a vitória da verdade sobre a mentira, da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte, do bem sobre o mal. A celebração dura três dias, marcando o início de um novo ano, a reconciliação familiar, especialmente entre irmãos e irmãs, e a adoração a Deus.

Neste ano, muitos hindus celebrarão a festa em 9 de novembro.


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Cristãos e hindus: decididos a percorrer um caminho de diálogo

Queridos amigos hindus:

1. Com a chegada do Diwali, vossa festividade religiosa, estou certo de que todos vós, em vossas famílias, bairros e comunidades, dedicareis tempo a compartilhar vossa alegria com os demais. Da parte do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, alegra-me ter a oportunidade, pela primeira vez desde que sou presidente, de enviar-vos fervorosas felicitações. Atento a vossos sentimentos religiosos e no respeito por vossas antigas tradições religiosas, espero sinceramente que vossa busca do Divino, simbolizada pela celebração do Diwali, vos ajude a superar as trevas com a luz, a falsidade com a verdade, o mal com o bem.

2. O mundo ao nosso redor deseja ardentemente a paz. As religiões anunciam a paz porque tiram sua própria origem de Deus, que, para a fé cristã, é nossa paz. Podemos nós, como crentes de diversas tradições religiosas, não trabalhar juntos para receber o dom divino da paz e difundi-lo ao nosso redor, de forma que o mundo se converta para todos os povos em um lugar melhor onde viver? Nossas respectivas comunidades devem dedicar uma atenção urgente à educação dos crentes, que podem ser facilmente induzidos por uma propaganda falsa e enganosa.

3. A crença religiosa e a liberdade caminham sempre juntos. Não pode haver constrição na religião: ninguém pode ser obrigado a crer, nem se pode impedir ninguém de crer sem quer. Permiti-me recordar uma vez mais o ensinamento do Concílio Vaticano II, que é muito claro neste ponto: «É um dos mais importantes princípios da doutrina católica que o homem, ao crer, deve responder voluntariamente a Deus, e que, portanto, ninguém deve ser forçado a abraçar a fé contra a sua vontade» (Declaração sobre a liberdade religiosa «Dignitatis humanae», n. 10). A Igreja Católica, como recentemente recordou o Papa Bento XVI aos embaixadores da Índia e de outros países acreditados ante a Santa Sé, foi fiel a este ensinamento: «...A paz se arraiga no respeito da liberdade religiosa, que é um aspecto fundamental e primordial da liberdade de consciência das pessoas e da liberdade dos povos» (18 de maio de 2006). Para as comunidades religiosas comprometidas em construir a paz mundial, constitui um desafio importante formar os crentes para que sobretudo descubram toda a amplitude e a profundidade da própria religião e, portanto, alentá-los a que conheçam outros crentes. Não esqueçamos que a ignorância é o primeiro e, talvez, o principal inimigo da vida de quem crê, enquanto a contribuição de cada crente bem formado, junto a dos demais, constitui um rico recurso para uma paz duradoura.

5. Como todas as relações humanas, também aquelas entre pessoas de diferentes religiões requerem alimentar-se de encontros regulares, escuta paciente, colaboração ativa e, sobretudo, de uma atitude de respeito recíproco. Em conseqüência, temos de trabalhar para construir vínculos de amizade, como também os fiéis de cada religião devem fazer. «A amizade se alimenta de contatos, de comunhão de sentimentos nas situações alegres e tristes, de solidariedade e de intercâmbio de ajuda» (João Paulo II, Mensagem aos participantes no Congresso Internacional sobre «Matteo Ricci: por um diálogo entre a China e o Ocidente», 24 de outubro de 2001, n. 6). Em certas situações de incompreensões, é necessário que as pessoas se reúnam e se comuniquem para esclarecer, em um espírito fraterno e amistoso, as respectivas crenças, aspirações e convicções. É só através de nosso diálogo, evitando toda forma de preconceito e de idéias estereotipadas sobre os demais e testemunhando fielmente nossos preceitos e ensinamentos religiosos, como podemos realmente superar os conflitos. O diálogo entre seguidores de diversas religiões é hoje o caminho necessário, e é verdadeiramente o único caminho para nós, os crentes. Colaborando juntos podemos fazer muito para construir uma sociedade harmoniosa e um mundo pacífico.

6. Queridos amigos hindus: a mão que vos estendo calorosamente para alegrar-me convosco por ocasião de vossa festa, é também um gesto de boa vontade, por parte da Igreja Católica, para encontrar-vos e colaborar convosco, com vossas famílias, com os líderes de vossas comunidades e com todos os seguidores do Sanatana dharma, a fim de promover a harmonia na sociedade e a paz no mundo. Mais uma vez, desejo a todos um feliz Diwali.

Jean-Louis Tauran
Presidente

+Píer Luigi Celata
Secretário

[Tradução realizada por Zenit]