Merkel: derrotar injustiças é arma contra terrorismo

Chanceler participa do encontro mundial “Religiões e culturas em diálogo”

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MUNIQUE, terça-feira, 13 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – “As religiões concebem o homem como uma criatura divina e, por isso, sua destruição é precisamente o contrário do que as religiões vivem e pregam”: esta foi a afirmação da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em sua intervenção no encontro mundial “Bound to Live Together. Religiões e culturas em diálogo”, que está sendo realizado por iniciativa da Comunidade de Sant'Egidio e da arquidiocese de Munique-Frisinga.

A chanceler alemã concordou com Andrea Riccardi, fundador de Sant'Egidio, quem, ao apresentar a sessão plenária da tarde, sublinhou o papel das religiões e da Europa como atores fundamentais para a construção de uma “civilização do viver juntos”.

“As religiões – havia afirmado Riccardi – têm uma função decisiva em convidar os fiéis à unidade do gênero humano. Devem viver a audácia desta tarefa, não se fechar por temor.” E completou: “A civilização do conviver precisa de uma Europa forte e unida”.

“O enfraquecimento da Europa – acrescenta do fundador de Sant'Egidio – é uma tragédia que tem lugar pouco a pouco, no costume de viver sem ideais, enquanto os países europeus são cada vez mais como idosos pensionistas na janela e fora da história. (…) Sem o espírito, hoje está mais claro que não se constrói uma sociedade diferente a partir de muitos individualismos.”

“Eu cresci na Alemanha do Leste – recordou, por sua vez, Angela Merkel – e o fato de que tenha chegado a ser chanceler alemã mostra como o mundo mudou desde o encontro de Assis, em 1986.”

Esse encontro “trouxe frutos importantes de esperança, que nós, no Leste, vivemos de forma evidente com o que aconteceu em 1989”.

“É a nossa vez de fazer crescer a casa comum europeia”, afirmou a chanceler. Os problemas atuais não podem ser descarregados “sobre as gerações futuras, mas é preciso ter uma visão ampla. Nosso modelo europeu de democracia social é digno de ser conservado e muitas regiões do mundo o observam para imitá-lo”.

A propósito da “primavera árabe”, a chanceler sublinhou que “é importante que o que aconteceu na Tunísia e em outros lugares não se reduza a uma ilusão. A Europa deve assumir responsabilidades com relação a esses países, especialmente com relação aos jovens”.

“Precisamos de um verdadeiro desenvolvimento no mundo – afirmou Merkel com convicção: vencer a fome, a sede, oferecer empregos. Somente assim poderemos ter um futuro melhor.” É preciso, no entanto, um modelo de desenvolvimento sustentável. “Quando Deus disse ao homem que possuísse a terra – afirmou – não queria que a explorasse, mas que cuidasse dela.”

“Devemos viver com os recursos naturais que temos – insistiu – e preservá-los para o futuro. A pergunta a ser feita é: estamos trabalhando pelo desenvolvimento ou para eliminar o futuro dos outros? E quanto desenvolvimento pretendemos permitir aos outros?”

É necessário “desenvolver uma economia sustentável, pagando o preço da nossa riqueza sem fazê-lo pesar sobre os outros ou sobre as gerações futuras. Fazer crescer o bem-estar sem repetir os erros do passado, investindo em energias alternativas e em biodiversidade”.

Na opinião da chanceler alemã, o mundo “já não pode ser governado em nível nacional, mas mundial. Por isso, a ONU será cada vez mais importante” e, ainda que seja difícil “colocar em acordo os 194 países do mundo, no entanto é necessário”.

“A base da nossa convivência – sublinhou – é respeitar a declaração dos direitos do homem: também os homens religiosos devem intervir quando eles são violados. (…) As religiões ensinam a ver o que une e, por isso, terão um papel cada vez mais importante, pois os homens se perguntam sobre o que os une.”

Nos homens, “há um desejo profundo de paz e liberdade, que não se deixa vencer. (…) Não deixaremos que tirem de nós nossas convicções mais profundas. Acreditamos que, às vezes, são necessárias soluções militares para resolver os conflitos, mas estas não são capazes de trazer a paz.”

“Estamos em uma época em que existe o perigo de que os homens vivam por motivos equivocados. Vencer as injustiças é uma arma grandiosa contra o terrorismo e nós trabalhamos juntos por isso.”

Se, de fato, “a guerra é a mãe de todas as pobrezas, então a paz é a mãe de todo desenvolvimento – afirmou. João Paulo II, no encontro de Assis, nos disse que a paz está fraca de saúde e requer imensos cuidados. Cada geração está chamada a protegê-la das doenças”.

“Todos nós temos um compromisso comum pela paz: trabalhar pela unidade da família humana, como sugeriu João Paulo II, com o coração e com a mente”, concluiu.