México: Cerca de vinte mil migrantes são sequestrados a cada ano

Segundo um informe da Comissão Nacional de Direitos Humanos

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Por Nieves San Martín

CIDADE DO MÉXICO, quinta-feira, 23 de julho de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- Cerca de vinte mil migrantes são sequestrados a cada ano no México segundo denuncia um informe da Comissão Nacional de Direitos Humanos desse país reproduzido pelo Observatório Pastoral do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM). 

A Comissão Nacional de Direitos Humanos do México (CNDH), depois de exaustiva investigação, denuncia o escândalo “do sequestro massivo de migrantes em diferentes partes do país”. 

Os migrantes – em sua maioria centro-americanos – vão para os Estados Unidos em busca de melhores horizontes para sua família, em busca de um trabalho, unindo-se aos cerca de meio milhão de mexicanos que a cada ano cruzam a fronteira norte do país. 

Durante os seis meses em que se desenvolveu a investigação, o CNDH teve conhecimento de 198 casos de sequestros de migrantes, com uma média de 33 eventos por mês, o que representa mais de um evento de sequestro por dia; desta forma, se obteve informação que indica que o número de migrantes que foram vítimas de privação de sua liberdade foi de 9.758 pessoas, ou seja, mais de 1.600 sequestrados por mês. 

Levando em consideração os números levantados em seis meses, o número de eventos de sequestro por ano poderá chegar a ser de 400 e o número de vítimas poderá ser de dezoito mil ao ano. 

Estes dados mostram claramente que a frequência e magnitude dos sequestros de migrantes implica, diz o informe, “uma atividade criminosa de enormes proporções, que representa grande aumento da delinquência”. 

De acordo com a informação obtida, o valor do resgate pedido às vítimas vai, em geral, de 1.500 a 5.000 dólares. A média dos valores exigidos às vítimas identificadas desta investigação é de 2.500 dólares por pessoa. Assim, dos 9.758 casos de vítimas identificadas, os sequestradores teriam obtido um benefício ilícito de aproximadamente 25 milhões de dólares. 

Os números assinalados revelam que a atuação das autoridades competentes na matéria, assinala o informe, “não correspondeu à gravidade e frequência do delito, pois a comissão deste permaneceu constante ou aumentou como resultado, entre outros fatores, da impunidade”. 

Enquanto à nacionalidade das vítimas, só foi possível precisar a nacionalidade de 552 vítimas: 372 de Honduras; 101 do Equador; 74 da Guatemala e 5 da Nicarágua. De 609 pessoas só se pôde estabelecer que eram originários da América Central. Têm-se dados de que também foram sequestradas pessoas do Equador, Brasil, Chile, Costa Rica e Peru. 

O México como país de origem, trânsito, destino e retorno de migrantes concentra uma das fronteiras com maior afluência migratória do mundo. A cada ano, de acordo com números do Conselho Nacional de População, cerca de 550 mil mexicanos migram aos Estados Unidos. Desta forma, nos últimos três anos o Instituto Nacional de Migração assegurou uma média anual de 140 mil migrantes sem documentos, em sua maioria de países da América Central e em sua maior parte também com a intenção de chegar aos Estados Unidos. 

“A magnitude desta migração constitui um singular desafio devido à complexidade que caracteriza a migração internacional atual”, destaca o informe. 

Muitos dos sequestros referidos nos testemunhos de migrantes “foram cometidos por integrantes de corporações estatais de segurança pública, o que além de constituir uma possível conduta criminosa e uma violação aos direitos humanos implica uma grave distorção da função pública, ao que se soma a falta de sanções administrativas e penais respectivas”, conclui o informe.