México: o papa aprova as fórmulas sacramentais nos idiomas tseltal e tsotsil

Línguas são faladas por nativos mexicanos. Em preparação, também a bíblia em náuatle, idioma falado por 1,5 milhão de pessoas e utilizado pela Virgem de Guadalupe

Roma, (Zenit.org) Redacao | 334 visitas

Acaba de chegar de Roma a aprovação do papa Francisco para as fórmulas sacramentais nas línguas tseltal e tsotsil, faladas por povos nativos do México, para o batismo, a confirmação, a missa, a confissão, a unção dos enfermos, o matrimônio e a ordenação sacerdotal.

As fórmulas são as palavras centrais de cada sacramento, essenciais para a sua validade. Por exemplo, a do batismo é “Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Para a consagração da eucaristia na missa, é “Tomai e comei, este é o meu Corpo, que será entregue por vós”.

O bispo Felipe Arizmendi Esquivel, de San Cristóbal de las Casas, no sul do México, explica em uma nota enviada a ZENIT que "esta aprovação é um reconhecimento do trabalho que fizemos para ter uma tradução aprovada pela Igreja para o tseltal, idioma que só é usado na nossa diocese, por quase meio milhão de pessoas, e para o tsotsil, que também é falado aqui e na arquidiocese de Tuxtla Gutiérrez por mais de 350 mil indígenas".

“Durante longos meses”, continua a declaração do bispo de San Cristóbal de las Casas, “equipes de tradutores de ambas as dioceses trabalharam intensamente na tradução dos textos litúrgicos para essas línguas”.

Em três ocasiões, representantes da Conferência Episcopal Mexicana, especialistas em bíblia, liturgia, doutrina da fé e cultura, revisaram as traduções e a sua fidelidade ao texto oficial. Depois, os textos foram apresentados e aprovados por unanimidade em assembleias plenárias do episcopado. Finalmente, foram enviados para as Congregações do Culto Divino e da Doutrina da Fé, em Roma, para o seu reconhecimento.

O bispo Arizmendi relata que "depois de todas estas revisões, a última palavra era do papa, que deveria dar a aprovação definitiva. E o papa Francisco aprovou. Isto é uma grande alegria e uma grande esperança para os nossos povos originários, porque dá a eles a confiança de que o seu idioma é reconhecido pela Igreja e pode ser usado nas celebrações com toda a tranquilidade, tanto no doutrinal quanto no cultural. As demais traduções do rito ordinário da missa e dos sacramentos estão passando por um processo semelhante, mas para elas não será necessária a aprovação do papa. Basta a aprovação da Congregação para o Culto Divino, que já está estudando as traduções".

O bispo também conta que, na semana passada, coordenou a V Oficina de Cultura Náuatle na paróquia de Naupan, na serra norte do Estado mexicano de Puebla, com a participação de 42 pessoas, quase todas falantes do náuatle, a maioria indígenas dessa etnia. "Em representação do episcopado mexicano, eu coordenei as oficinas que têm como objetivo traduzir a bíblia e os textos litúrgicos para esse idioma indígena, que é o mais falado no país (um milhão e meio de pessoas) e que foi usado pela Virgem de Guadalupe quando ela apareceu na colina do Tepeyac", explica o prelado.

"Já traduziram o pai-nosso, a ave-maria, o credo e as respostas mais comuns da missa. É um incentivo para os outros idiomas do país e do nosso continente, porque o nosso povo tem o direito de viver as celebrações litúrgicas na sua própria cultura e de esperar que a Palavra de Deus chegue aos fiéis na sua própria língua".

Dom Arizmendi recorda que o papa Francisco, ao se dirigir ao episcopado brasileiro, afirmou que é necessário “consolidar os resultados conseguidos na área de formação de um clero autóctone, para termos sacerdotes adaptados às condições locais e, por dizer assim, fortalecer o ‘rosto amazônico’ da Igreja”.

A declaração destaca que "esse rosto amazônico requer tanto um clero autóctone quanto traduções para os idiomas dos povos originários. Sem este passo, não somos uma Igreja realmente católica, pois deixamos de incluir muitos povos que Deus colocou nessas terras. Em Aparecida, expressamos: ‘Como Igreja, que assume a causa dos pobres, encorajamos a participação dos indígenas e dos afro-americanos na vida eclesial. Vemos com esperança o processo de enculturação discernido à luz do Magistério. É prioritário fazer traduções católicas da bíblia e dos textos litúrgicos para os seus idiomas. É necessário, igualmente, promover mais as vocações e os ministérios ordenados procedentes dessas culturas” (DA 94).

Para finalizar, o bispo mexicano incentiva "quem presta o seu serviço pastoral em comunidades aborígenes a se empenhar para que a bíblia e a liturgia se tornem acessíveis nos idiomas originários".