Michel Roy: entidades de caridade são um testemunho diante da atual carência de valores

Assembleia plenaria do dicastério Cor Unum, ampliada e mais interativa

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Sergio Mora | 1202 visitas

“Caridade, antropologia cristã e nova ética global” constituem o tema central da XXIV Assembleia Plenária de três dias do Pontifício Conselho Cor Unum, que termina em Roma neste sábado, com um encontro com Bento XVI.

O Cor Unum faz parte da Cúria Romana e foi estabelecido por Paulo VI em 15 de julho de 1971, para ajudar os necessitados manifestando-lhes a caridade de Cristo.

A reunião, que foi aberta nesta quinta-feira pelo cardeal Robert Sarah, enfatizou o discernimento e a vigilância como indispensáveis na obra de caridade da Igreja, claramente iluminada pela fé.

O Cor Unum ampliou a assembleia deste ano convidando outros organismos e reunindo cerca de uma centena de participantes de vinte países: religiosos e leigos comprometidos, que trabalham em associações católicas e ONGs de diversas áreas, bem como as Caritas locais, diversos entes como a Catholic Relief Services, a Comissão Católica Internacional de Migrações, o Terra Solidária e vários organismos de desenvolvimento e cooperação.

O secretário geral da Caritas Internacional, Michel Roy, afirmou a ZENIT que começou a surgir um novo tipo de reunião plenária para um dicastério. “Esta assembleia plenária é muito interessante porque está sendo realizada no contexto da reflexão sobre o ser humano, sobre a família humana nesta nossa época, depois do sínodo sobre a nova evangelização”. Ele observa que não se trata de um trabalho improvisado, “mas bem pensado e que vai prosseguir depois”.

“A reunião plenária foi organizada com apresentações e discussões, mas também com grupos de trabalho, o que dá resultados muito fecundos, porque cada um tem as suas experiências e a oportunidade de compartilhá-las, para ser mais práticos e realistas. No fim, vamos entender as linhas de trabalho que vai ser preciso seguir. É um novo tipo de reunião plenária para um dicastério, o que é realmente muito interessante”.

O número dois da Caritas Internacional acrescentou: “É um sistema interativo. O sistema de apresentações e perguntas não é suficiente. O grupo de trabalho permite uma discussão com propostas para começar e concretizar, porque existem ideias importantes que nascem nesse tipo de trabalho”.

“O tema ontem foi a antropologia cristã neste nosso mundo que tem uma ética global diferente da ética cristã. Os nossos valores estão perdidos ou esquecidos. E aqui cada um tem essa percepção de um jeito diferente, que enriquece as respostas sobre as formas de agir nas nossas organizações. E a importância de ser claros, nós mesmos, sobre os nossos valores e sobre a nossa identidade e sobre os valores de quem trabalha nas organizações de caridade, já que temos a chance de dar testemunho”.

Entre os representantes e observadores há diversos latino-americanos e espanhóis, como o arcebispo brasileiro de Belém do Pará, dom Taveira Corrêa; o bispo venezuelano José Azuaje, presidente da Caritas da América Latina; o diretor da Caritas Espanha, Rafael Del Río; a coordenadora do projeto educativo PelCa, do Equador, Diana Espinoza; a espanhola María García, da associação Manos Unidas; o assessor pastoral peruano Roberto Tarazona; a Caritas de Cuba; o padre Óscar Bravo, do México, e o brasileiro Carlos Camargo, do Cor Unum, entre outros.